Capítulo 64

1536 Words
Capítulo 22 Ela respondeu que não com a cabeça, duas vezes, super confusa, intimidada e com medo de parecer ingrata, foi facilmente manipulada. Ele deu o pagamento dela em um envelope referente aos dias que ela estava morando com eles, cerca de duas semanas, disse que o salário dela era igual ao da Estela. Ela olhou e achou muito dinheiro, disse que não precisava de tudo aquilo e que ainda tinha os gastos da farmácia pra descontar. Ele estava sério encarando ela, falou levantando: — Não precisa ser orgulhosa, não aqui, você não está se vendendo ou se deixando levar pelo dinheiro. Só aquela noite que você tirou o Toni da piscina vale muito mais que isso! — A Kim não confia em qualquer um pra colocar dentro de casa, então enquanto você quiser ficar com a gente ajudando, vai ganhar muito bem por isso. — Uma folguista, uma babá que trabalha só feriados e fim de semana, chega a ganhar quinhentos, novecentos reais por dois, três dias. Você me pediu uma oportunidade, um emprego, eu tô te dando! Ela disse que era grata, mas que não estava acostumada a ganhar sem fazer muita coisa e que nem achava certo. Ele perguntou se ela queria o dinheiro que estava guardado e pra quê. Ela falou desconcertada: — Quero devolver, pode me ajudar? Ele falou curioso: — Quer ir lá? Falar com ele? Ela disse que sim. Ele sorriu, respondeu irônico: — Quer ir falar com ele, aproveita e leva suas coisas, pra não precisar ficar indo e voltando. Você não vai voltar pra cá, tenho certeza que vai mudar de ideia assim que chegar lá. Quando me pediu ajuda, estava perdida, desorientada, agiu no impulso e agora não está mais, colocou a cabeça no lugar. Ela falou irritada: — Para de me tratar assim, você não sabe de nada. Eu não sou tão id.iota de ir ficar com ele depois de tudo o que ele me fez. Eu só quero fazer a coisa certa, devolver o que não é meu. Deixar tudo aquilo pra trás de uma vez! Noah falou com desdém: — Sei... Vou ver o que posso fazer, você não precisa levar, alguém pode fazer isso pra você! Ela falou com sarcasmo: — E você acha que não quero olhar pra ele? Não sou covarde! Quero ir eu mesma. — Ele disse que eu estaria morta pra ele caso não voltasse, então acho que é hora da morte ir fazer uma visita! Ele ficou surpreso pela firmeza dela, disse que ia dar um jeito. Saíram do escritório, ela foi no quarto guardar os celulares. A Estela perguntou se ela estava bem. Ela respondeu enxugando os olhos marejados, querendo chorar: — Não sei. Mas não importa! Você está linda. A Estela se aproximou pra abraçar e falou curiosa: — O que foi? Ele brigou com você? A gente tem que se ajudar, se não, estamos sozinhas. Rebeca começou a chorar sentida, disse que estava cansada. A porta estava aberta, o Ramon chegou de mansinho, ficou ouvindo a conversa delas. A Estela falou: — Você pode ir embora se quiser, pois não é como eu. Eii, fica calma! O que aconteceu? Foi a Kim? Ela respondeu chorando: — Eu não faço nada certo, não me encaixo aqui. Hoje ela me levou na cidade, disse que íamos dar entrada na minha habilitação. Não posso aceitar, não acho certo essas mordomias e eu acabei de chegar aqui. — Você não entende, está acostumada! Acho que ela se chateou comigo e agora o Noah me chamou pra conversar, eles acham que quero ir embora. Estão bravos, eu não estou aguentando mais, sentir que não tem um lugar pra mim. — No mundo todo. Estela falou abraçada com a Rebeca, sentada na cama: — E você quer? Ir embora? Rebeca respondeu: — Eu não tenho pra onde ir, estou sozinha. Nem a escola eu terminei, como vou me manter, arrumar um trabalho assim? Acabei de fazer dezoito anos, eu nunca nem imaginei que ia sair daquela cidade, eu não pensava no futuro, achava que ia ficar catando lixo pra sempre. O Ramon fingiu que tinha acabado de chegar lá, falou entrando no quarto: — Está pronta, Estela? Ela disse que estava quase. A Rebeca ficou enxugando as lágrimas de cabeça baixa. Ele falou sério, um pouco desconcertado: — O que foi? Está passando m*l de novo? Ela falou que era porque ficou sem comer. Ele respondeu que não era o Toni para acreditar, saiu do quarto. A Estela foi logo atrás correndo, disse que depois conversavam melhor. Rebeca foi ficar com o Toni. Ele estava muito animado falando do aniversário dele, perguntou se ela queria uma festa no aniversário no dela também. Ela estava chateada, disse que não gostava de comemorar aniversário. Ele falou com estranheza: — Por quê? É tão legal, tem bolo, balões, presentes. A Eleonora falou que crianças gostavam muito mais. Logo a Iolanda chamou eles pra jantar. Foram os quatro pra mesa, a Kim estava no quarto com o Noah. O Toni perguntou por ela, disse que ia chamar. A Eleonora falou que a Kim estava cansada, se sentindo indisposta. Ele falou chateado: — É por causa do bebê, né? Eu vou pedir de aniversário um bebê pra gente. A Iolanda falou rindo: — É por causa do tratamento, que vai ajudar ela a ter um bebê. O que você acha de mais tarde levarmos um lanchinho pra ela? Chá? Torradas? Uma fruta? Ele se animou, disse que queria levar. Depois de terminarem de comer, a Rebeca foi lavar a louça enquanto o Toni foi no quarto da Kim. A Eleonora se aproximou, as duas estavam a sós. Ela começou puxando assunto, disse que a Rebeca estava muito calada, parecendo triste. Ela disse que não era nada. A Eleonora falou: — Você não me contou como convenceu o Noah a te trazer pra cá, você só contou o que aconteceu depois que encontrou a Aisha. Com estranheza a Rebeca falou que pediu ajuda, um emprego, um lugar longe pra ficar. Ela respondeu intrigada: — Só isso? E ele te trouxe pra dentro da nossa casa? Esse já era o plano antes de tudo acontecer? Incomodada, a Rebeca falou: — A senhora está achando que eu estou aqui por algum motivo que não seja trabalhar? Desculpa se entendi errado, mas não sei onde quer chegar! Eleonora falou desconversando. — Eu só fiquei curiosa pra entender como você foi à minha casa com o Noah um dia, sozinhos, e depois ele te ajudou quando você esteve doente. E agora você... O Noah entrou na cozinha, interrompeu sério: — Está curiosa com o quê, mãe? Eu já não te disse tudo? Por que está perguntando pra ela? A Eleonora falou que só estava conversando, nada demais. Ele estava bravo, disse que não queria ela inventando coisas. Ela respondeu irônica, saindo da cozinha: — Sou sua mãe e você é igual ao seu pai. O fruto nunca cai longe do pé. Rebeca continuou lavando a louça, ficou quieta. Ele se aproximou, ficou olhando. Ela falou irritada: — O que é? Eu não falei nada! Eu não sei o que tá acontecendo, mas eu tô começando a me arrepender de ter te pedido ajuda. Ele falou debochado: — Aé? Por quê? Não gosta de socializar, né? Antissocial. Ela só olhou pra ele brava, enquanto foi guardando a louça. Ele falou: — Amanhã você vai lá devolver o dinheiro, mas não vai sozinha. Vou ver quem vai te levar. Ela falou irônica: — Quer fazer um depósito? Transferência? Ele disse que ela com certeza queria ver o Neto pessoalmente, só pra ele saber que ela estava bem e que não queria voltar pra lá. Ela falou: — Aé? E como você sabe? Ele falou saindo da cozinha: — Porque é o que eu faria no seu lugar e somos mais parecidos do que você imagina. Ela ficou sozinha, terminou de arrumar tudo. A Iolanda voltou, disse que a Kim ia ficar com o Toni. Rebeca foi para o quarto, tomou banho e remédio pra dormir. Ela não estava tomando direito e decidiu voltar a tomar, porque sem eles se sentia m*l, os pesadelos voltavam, a angústia e os medos. No dia seguinte ela acordou cedo com a Estela chamando, disse que ia levantar e voltou a dormir. A Estela comentou com a Kim que ela devia estar dormindo por causa dos remédios. Elas ficaram com dó, conversaram sobre ela. Estela soube o que aconteceu entre as duas e se posicionou em defesa da Rebeca, contou que ela estava chorando triste, que disse estar arrependida, perdida, porque não tinha a quem recorrer caso as coisas dessem errado lá. O Ramon também falou com o Noah sobre a Rebeca, disse que a viu chorando e que ela estava se sentindo acuada e com razão. Ele não entendia o porquê do interesse do Noah nela e ainda assim aconselhou a darem uma liberdade maior, um espaço a ela, um salário normal fixo. Juntos Noah e Kim decidiram oferecer um trabalho para a Rebeca na boate, pra ela se sentir mais livre. A verdade é que ela estaria na vista deles e nada livre de fato.
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