Capítulo 26
Lara falou sorrindo, cheia de graça:
— Aiii, tá doendo. Não curte beijar? É algum voto de castidade? Celibato?
Rebeca ficou quieta, ajudou a passar pomada, se afastou e foi sentar na sala. O celular da Lara começou a tocar, ela atendeu, era a Estela. Após desligar, a Lara foi até a sala, falou que só iriam buscar a Rebeca bem mais tarde. Ela ficou quieta. A Lara sentou no tapete na frente dela, falou curiosa:
— Vamos ficar aqui por horas sem conversar?
Rebeca estava toda retraída, sem jeito, falou evitando o contato visual:
— Pode ser, tanto faz.
Lara falou mexendo no celular, colocando música:
— Então tá, vou continuar bebendo.
Logo a Rebeca deitou no sofá, ficou olhando a Lara deitada, pensando no beijo. A Lara logo levantou, falou frustrada:
— Vem, vou te levar pra boate.
Rebeca foi saindo atrás, perguntou se ela estava bem pra dirigir. Ela falou rindo, abrindo o portão da garagem:
— Não sei, vamos descobrir.
Lá dentro tinha um Volkswagen Jetta Gli branco. Rebeca falou surpresa:
— Que lindo, é automático?
Lara respondeu:
— Sim, mas eu gosto de dirigir, sem ser. Você gosta? De automático?
Rebeca falou que não também. Entraram no carro, a Lara estava bebendo ainda, foi dirigindo em alta velocidade, estacionou na frente de uma balada. Rebeca falou sem entender:
— Por que paramos aqui?
Lara respondeu abrindo a porta:
— Te falei que ia te levar pra boate, não falei qual. Vamos, vai ser legal, prometo me comportar!
Ainda com receio Rebeca foi indo com ela. Na portaria ela já furou fila, cheia de i********e com os seguranças. Era uma balada de música eletrônica, estava lotada. A Lara segurou a Rebeca pela mão e foi entrando no meio do pessoal, começou a dançar, dizendo que não tinha melhor professora que ela. Rebeca estava séria, mas falou querendo rir:
— E quem disse que eu não sei dançar?
Lara falou chegando perto por causa do som alto:
— Então me mostra o que você sabe fazer. Só não ache r**m, de eu ficar com t***o.
Rebeca sorriu, disse que não queria dançar. A Lara falou com malícia:
— Eu vejo como você me olha, quando eu danço. E eu acho isso incrível.
Rebeca perguntou encarando ela fixamente nos olhos:
— Aé? E como eu te olho?
Lara estava dançando, logo se aproximou, chamou a Rebeca pra ir pegar bebida e lá no canto do balcão falou:
— Quando te vi a primeira vez, eu estava dançando de cabeça pra baixo, na mesma monotonia de todos os dias, te ver me olhando foi diferente, chamou minha atenção. Porque você é diferente de todos os olhares que eu recebo todos os dias. Era puro, encantador na verdade, assim como você!
Ela estava falando bem perto, olhando no olho, olhando a boca da Rebeca que sutilmente sorria sem dizer nada. Lara estava flertando lindamente e a Rebeca ficando sem jeito. Lara pegou um refrigerante, deu para a Rebeca e falou:
— Agora é a sua vez, me fala alguma coisa de você, qualquer coisa que eu não saiba.
Rebeca estava olhando para as pessoas, encostada virada de lado para a Lara, falou que não tinha nada interessante pra contar. A Lara respondeu:
— Por que você toma remédios controlados?
Ela continuou quieta, só olhou um pouco para a Lara e balançou a cabeça que não. Lara disse que tudo bem dela não querer falar. Rebeca falou curiosa:
— E você, por que trabalha lá?
Aí quem ficou sem jeito foi a Lara. Ela falou sem olhar para a Rebeca:
— Um pra um, você não me disse nada sobre você ainda, eu realmente estou curiosa pra saber como alguém como você foi parar em um lugar como aquele. Nós sabemos que não é dos melhores ambientes!
Rebeca falou irônica:
— Não é dos melhores? Você está lá por opção ou por falta?
Lara não respondeu, só disse que preferia dançar. Logo conseguiu levar a Rebeca pra pista de dança. Enquanto estavam dançando, dessa vez quem se encantou foi a Lara, porque a Rebeca realmente sabia dançar e gostava daquele tipo de música. Ficaram mais de uma hora lá. O pessoal estava ligando pra elas, mas a Rebeca estava sem o celular. Quando a Lara falou que precisavam ir embora, ela respondeu rindo:
— Ahhh, mas já?
Elas já estavam saindo, rindo de um casal que estava brigando. A Lara falou que queria ouvir o motivo da briga. Rebeca disse que era muito feio ouvir a conversa dos outros, caminhou um pouco sozinha, encostou no carro. A Lara falou rindo, se aproximando:
— Eu disse, ele bebeu demais e está chato, típico de homens. E aí, gostou? Da nossa noite?
Rebeca disse que sim, que foi divertido, especialmente ver o casal brigando. Elas estavam uma ao lado da outra, se olharam. A Lara respondeu chegando mais perto, levando a mão ao cabelo e rosto da Rebeca, acariciando:
— Eu também gostei muito, espero que seja a primeira de muitas. Pode olhar pra mim?
Impulsionada, com a respiração ofegante, se sentindo tensa, a Rebeca olhou. A Lara estava tocando sua nuca, pescoço, acariciando, falou “oi”, com um olhar provocante que estava pedindo mais, mostrando o desejo que ela estava sentindo.
Com medo do que poderia acontecer, a Rebeca sorriu e fechou os olhos, reagindo ao estímulo do carinho. A Lara se aproximou e a beijou. Não perdeu tempo, foi um beijo de verdade. Nos primeiros segundos pareceu não encaixar, mas rapidamente fluiu em uma sintonia perfeita, sem pressa. A Rebeca não tocou na Lara.
Quem parou de beijar foi a Lara, ainda deu dois beijinhos pra finalizar. Lentamente a Rebeca abriu os olhos, cheia de vergonha. A Lara falou se afastando, dando a volta no carro:
— Vamos embora, antes que falem com a polícia sobre o seu desaparecimento!
Entraram no carro, a Rebeca ficou quieta, muito sem jeito. A Lara voltou a conversar normalmente:
— Eu danço desde meus três anos, amo isso, é a minha vida. Sou de classe média alta, minha família era normal, até que deixou de ser. Meu irmão e eu somos gêmeos, sempre fomos muito unidos, ele se meteu com as pessoas erradas e tudo foi dando muito errado, até que ficamos só nós dois e os marginais que você já conhece.
— O Ramon ajudou o Levi faz muito tempo e desde então meu irmão virou o cachorrinho dele.
Rebeca falou surpresa:
— Como assim, o Levi é seu irmão?
Ela continuou falando:
— É, mas às vezes não parece. Quando a gente se decepciona, se machuca, vai criando um escudo pra viver. E algo me diz que isso você já tem, o escudo. O Levi mudou muito e isso me assusta!
— Ele era doce, agora pode ser bem c***l.
Rebeca falou que sentia muito. A Lara respondeu:
— Eu também. Você é engraçada, obrigada por hoje, foi legal. Desculpa por fazer aquilo, te beijar, não vou fazer de novo! A não ser que você queira.
Rebeca falou rindo, envergonhada:
— Tudo bem, mas não é a minha praia. Acho que eu preciso aprender a me expressar melhor, as pessoas não me entendem muito bem, às vezes. Podemos ser amigas?
Lara falou rindo, achando graça:
— Não sei se quero ser legal com você, vou pensar.