Capítulo 24
A Rebeca voltou a prestar atenção nas explicações, nem falou mais nada. O Levi falou pra elas duas que tinha festa no VIP, sala 2. A Estela falou com deboche:
— Fui convidada?
Ele respondeu no mesmo tom:
— Vai lá tentar a sorte, quem sabe você se dá bem.
Ela disse que ia arrumar e que era pra Rebeca organizar as listas restantes. A Estela saiu e deixou a Rebeca atrás do balcão. Chegaram dois homens juntos e pediram bebida pra ela. Tinham alguns litros lá, ela os atendeu sem muita simpatia. Um deles falou, segurando a mão dela quando ela foi encher o copo:
— Você é nova aqui, né? Uma beleza dessas já teria sido notada por alguém como eu.
Ela puxou a mão, disse que sim, que era nova. Ele virou o copo e pediu mais. Quando ela foi servir, ele falou:
— Não quero te atrapalhar, se você ficar mais perto para podermos nos conhecer, será melhor. Assim eu não preciso tomar essa garrafa toda só pra conseguir sua atenção.
Ela falou séria, enchendo o copo:
— A única atenção que vai conseguir comigo, é essa.
Ele falou encantado com sua beleza e seu jeito particularmente diferente:
— Então terei que beber muito hoje pra conseguir sua atenção!
Ela ignorou, se afastou, foi atender outros clientes. Aquele homem bonito, moreno de olhos verdes e bem-vestido de roupa social, acompanhou cada movimento dela, como uma fera olhando a sua próxima presa. Ele a chamou de novo.
Ela já levou a garrafa, sem esboçar qualquer reação. Encheu o copo, nem olhando pra ele estava. Ele perguntou se ela queria tomar uma bebida com ele. Ela balançou a cabeça que não. Ele falou, encarando ela:
— Eu não sou do tipo que desiste fácil, qual o seu preço? Posso falar com o seu patrão, tenho certeza que ele não vai se importar em te liberar um pouco pra poder me atender melhor. Vamos conversar a sós, no vip.
Ela se aproximou, o encarou nos olhos e falou bem perto com frieza:
— Pode falar, tenta. Mas já vou te adiantar que não estou à venda e prefiro morrer do que ter qualquer tipo de coisa com alguém por dinheiro.
Ela sorriu, com afronta. Ele estava espantado, achou que era brincadeira. Ela encheu o copo de novo, séria, e se afastou.
O Noah chegou e parou para falar com ele. Aquele super ousado perguntou quem era aquela garota nova. Noah falou que aquela não era como as outras, que era mais uma das meninas da Kim. Ele falou rindo que era uma pena, um desperdício. O Noah respondeu rindo:
— Não discordo, mas você é casado com a minha cunhada, então é melhor andar na linha, pelo menos por aqui. Vamos entrar! Como a Kiara está?
Foram indo para o escritório conversando. A boate estava lotada. O Levi passou pelas duas, disse que o Noah queria que levassem bebida pra sala dele. A Estela falou irritada:
— Ahhh, que ótimo, já tá difícil dar conta aqui e o marajá, poderoso chefão, quer um drink. Levi, ajuda a gente, vai.
Ele falou indo para a saída:
— Cinco minutos, deixa pronto, eu levo! Vai rápido.
A Estela foi fazendo e explicando:
— Quase sempre ele toma a mesma coisa, se estiver de boa é Acapulco. Lógico que você não sabe o que é, tá vendo aqui, tem uma cola, é só seguir a receita. Se ele estiver de mau humor, é whisky puro com gelo, duas pedras. Ele não precisa nem pedir, é só ir pedir licença e levar. Geralmente o Levi pede!
Estela fez e foi levar. Voltou falando que o fim de semana prometia muitas emoções, porque iriam receber visitas, a irmã da Kim. A Rebeca perguntou se ela era legal. A Estela respondeu:
— Claro, que não. Elas quase não se falam e faz tempo, vivem brigando por tudo. O Toni não tem noção da guerra que causa entre as duas. Depois que os pais deles faleceram, ficou pior. Só evita ela, eu faço assim, corto caminho!
— O marido dela está lá com o Noah, você atendeu ele agora há pouco, o moreno de olhos claros. Estão conversando sobre negócios, ele faz mais o trabalho limpo, e a Kim não gosta, da Kiara deixar tudo nas mãos dele. E ele ostenta muito. Se você acha um luxo a Kim, precisa ver a Kiara, é demais.
— Só usa Gucci, Prada, Dior, Louboutin.
A Lara se aproximou do balcão com uma bandeja, dois copos, falou para as duas:
— E aí, gatas, trouxe pra vocês. O seu é especial, ruiva.
Ela piscou para a Rebeca e lhe deu o copo. Ela falou séria:
— Obrigada, não precisava.
A Estela foi logo virando o copo. Ao terminar, falou que ia vomitar, saiu correndo. A Lara sorriu pra Rebeca, falou debruçada no balcão, com os olhos contentes:
— Que bom que você veio hoje!
Rebeca tomou um gole do suco, levantou as sobrancelhas tipo “tô nem aí”. A Lara falou séria:
— Tudo bem? Você tá diferente! Desculpa, eu sou muito de ler as pessoas, é que no outro dia você...
Rebeca interrompeu, falou séria:
— Você nem me conhece pra saber.
Ela não notou, mas foi m*l-educada. A Lara ficou sem jeito, pediu uma comanda, pegou e saiu de perto sem dizer mais nada. A Estela voltou, disse que tinha comido muito antes de ir trabalhar. Meio fora do ar, a Rebeca nem deu atenção a nada, continuou trabalhando. O resto da noite a Lara evitou chegar perto, quando se aproximou só falou com a Estela.
Quando o Noah estava de saída, parou para falar com elas, perguntou se a Rebeca estava gostando. Ela disse que sim. Ele foi embora no meio da noite, o cunhado da Kim foi junto.
Quando estavam quase fechando, o Levi estava ajudando as duas e começou a falar de uma festa que fariam. A Lara se aproximou, falou mexendo no celular:
— Essas duas não curtem o nosso tipo de festa, seu bobo.
A Estela falou que curtia sim, mas que ia depender da boa vontade do patrão. A Rebeca estava de cabeça baixa, somando cartões, e a Lara encarando ela séria. Quando ela levantou a cabeça e olhou para a Lara, sorriu e disse sem jeito:
— Que tipo de festa é?
A Lara falou irônica:
— Festa adulta!
Rebeca falou que tinha dezoito, não há muito tempo, mas que tinha. O Levi falou brincando:
— Olha só, já dá pra ir presa, então vamos esperar vocês lá, hein.
A Lara estava ainda encarando a Rebeca. Quando o olhar delas se cruzaram, a Rebeca sorriu e, achando ela muito esquisita, a Lara sorriu de volta.
Logo o Ramon chegou de mau humor, chamando o Levi pra conversar. A Estela foi no escritório com eles. A Lara falou tchau sem muita ousadia. A Rebeca respondeu:
— Tchau, até amanhã.
Logo os três voltaram. O Ramon estava muito preocupado, bravo, não disse uma palavra. Entraram no carro. A Estela perguntou como “ele” estava. Ele disse:
— m*l, eu não sei, vão fazer raio X da coluna. Isso não vai ficar assim, eu já tô cansado desses caras!
Estela perguntou se ele tinha certeza de quem fez aquilo. Ele respondeu:
— Claro, eles fizeram questão de mandar o recado, mas eu vou lá pessoalmente, eu não mando recado.
Ao chegarem em casa, o Noah já estava esperando com a Kim. Foram para o escritório conversar.
A Estela foi se trocar e contou para a Rebeca que uns antigos sócios tinham atropelado de propósito, um amigo deles, para roubar umas coisas, documentos, celular, mercadorias e o largaram jogado na rua.
Sem entender muito bem, Rebeca respondeu:
— Mercadorias?
A Estela falou séria:
— É, ele levava de moto pra outros estados, eram jóias. Porque você acha que eu não fui embora? Quem era próximo sabe quem eu sou, sozinha eu viro um alvo, uma mercadoria de barganha. Nunca se sabe quem vão usar pra atingir eles. Assim como pode ter sido com a Aisha!
Rebeca ficou assustada, pensativa. Mesmo o Noah dizendo que mexia com coisas erradas, ela ainda não tinha noção da dimensão de tudo.
Logo foram dormir.
Na manhã seguinte levantaram um pouco tarde. A Rebeca tinha tomado metade do remédio pra dormir, levantou calada, com o pensamento distante. A Estela falou na porta do banheiro enquanto a Rebeca tomava banho:
— Vamos rápido, temos que arrumar as coisas do aniversário. A Kim pediu pra gente se vestir muito bem, as visitas estão chegando e a Kiara odeia ver o jeito que a Kim trata a gente. Vou escolher sua roupa!
Meio confusa, a Rebeca concordou. Se vestiu com uma blusa bonita de frio marsala, calça jeans e coturno. Estava frio. A Estela colocou calça legging, blusa mais comprida, agarrada, e bota de cano alto. Ela arrumou o cabelo das duas, fez ondas.
Saíram às pressas do quarto. O Toni estava na cozinha com a Iolanda, falou indignado:
— Nossa, que demora, estamos esperando vocês pra começar. Vai ter docinho, tortinha, pão com patê, a Ioiô já colocou tudo o que vamos usar ali no balcão.
As duas foram tomar café da manhã, dando atenção pra ele. A Iolanda disse que iriam enrolar os doces primeiro. Tinha mais uma funcionária na cozinha ajudando. A Rebeca sentou com o Toni no colo. Ele estava tentando enrolar brigadeiro, achando graça da bagunça. Ele estava rindo muito, quando a Kim entrou na cozinha com a Kiara e falou curiosa:
— Que risada mais gostosa, o que você está aprontando, meu amor?
Ele falou mostrando as mãozinhas sujas:
— Estou enrolando os docinhos, mamãe.
Kim se aproximou, pegou um brigadeiro. A Kiara falou, olhando com julgamento as duas:
— Olá, Estela, e você deve ser a Rebeca.
As duas responderam. Ela se aproximou do Toni, chamou ele pra ir brincar, ver os presentes. Ele respondeu sorridente dando um brigadeiro pra ela:
— Depois eu vejo, temos que terminar aqui logo. Ó, pra você!
Ela não gostou de ser rejeitada, respondeu se afastando um pouco, desprezando ele:
— Eu não como doces, não faz bem para o meu bebê!
Ele ficou com o doce na mão, na hora desanimou, o sorriso foi murchando. A Kim gostou menos ainda, olhou séria para a Kiara, falou se aproximando do Toni:
— Eu como, dá pra mim, quero dois. Que brigadeiro feio, você não sabe enrolar nada, mocinho.
Ele sorriu, deu na boca dela. Ela falou que ia ajudar. A Kiara ficou séria só olhando. Kim foi lavar as mãos, sentou na mesa com eles tirando os anéis, falou brincando:
— Vem, Kiara, sua mão não vai ficar calejada por isso não.
Kiara falou rindo, acariciando a barriga:
— É melhor não, esse cheiro está me deixando enjoada.
Ela fazia questão de lembrar sempre que possível que estava grávida, esfregando isso na cara da Kim de propósito.
Logo a Kiara saiu da cozinha. A Rebeca acompanhou ela com o olhar, séria. A Kim falou:
— Ela é legal, de boca fechada, de preferência dormindo.