Dois meses se passaram e nada mudou, só piorou, eu realmente estou grávida, estou de 3 meses, estrupo vem com mais frequência, ele me bate, mas não encosta na minha barriga.
Agora ele me obriga a dormir com ele, e fica sempre alisando minha barriga, o que me dá muito asco. Esse mês para trás conheci a dona Ana, ela vem sempre aqui quando o Roberto não está em casa, ela vem me ver e conversar comigo, em um desses dias fiz uma carta contando minha história para ela me ajudar a sair desse inferno.
Eu não sei se vai dar certo, mas espero que sim, eu já não aguento mais essa vida, estou sempre apanhando, tou sempre pensando em uma forma de tirar essa criança que carrego na barriga. Onde eu errei? Por que tenho que viver tudo isso? Por que eu simplesmente não posso ser feliz como as outras pessoas? Por que meu pai não é igual aos outros pais? Carinhoso, atencioso? Por que ele tem que ser esse monstro?
É tantas perguntas, mas nenhuma resposta, às vezes eu me pergunto que se minha mãe estivesse viva, tudo isso estaria acontecendo. Eu queria muito ter ido no lugar dela, assim eu não sofreria igual estou sofrendo hoje.
Eu estava no banheiro sentada na tampa do vaso olhando para o estilete que estava em minha mão, eu nunca me cortei, mais hoje eu já não estou aguentando nada disso, eu quero morrer, eu quero desistir de tudo, ninguém consegue imaginar a dor que estou sentindo, ninguém que nunca passou por essa situação sabe como eu realmente me sinto NINGUÉM se importa e se eu morrer ninguém sentirá falta, ninguém vai se importar. Afinal, eu só sou a doida da cabeça, como aquele monstro do Roberto disse por aí.
Tantas vezes eu pedi para Deus que tudo isso terminasse logo, quantas vezes eu pedi para ele me levar para junto dele e da minha mãe, eu queria tanto acordar e ver que tudo não passava de um pesadelo horrível onde eu iria acordar e ver minha mãe e ver que tudo não passou de um terrível sonho.
— Abre a porta vagabunda, tou com fome. — falou batendo na porta quase quebrando a mesma, já senti meu corpo tremer.
— Eu já estou saindo, só estou terminando o banho. — falei com a voz baixa tentando segurar o choro que já queria vir.
É sempre assim quando chega drogado, eu já não suporto mais tudo isso, eu não sei até quando suportarei isso, quero tanto morrer, quero tanto desistir de tudo isso, acabar com todo o meu sofrimento, com tanta dor que sinto dentro de mim.
Peguei o estilete e cortei meus pulsos, eu via o sangue escorrer e pingar no chão, logo em seguida minha vista foi escurecendo e eu não vi mais nada, acho que ali era meu fim, acho que finalmente meu sofrimento acabou. Agora serei feliz, estarei junto a minha mãe.
ROBERTO
Sei que todos devem tá querendo me matar e se perguntando o porquê sou assim. Vocês devem estar se perguntando o porquê faço isso com a minha própria filha.
Bem ela se parece com a mãe e isso me dá muita raiva, porque antes da Dulce nascer descobri uma traição da mãe dela, quando ela nasceu fiz o teste de paternidade e deu positivo ela é minha filha.
Mas mesmo assim, o ódio permaneceu em mim. Depois de 3 dias da Dulce ter nascido, fiz a mãe dela desaparecer, com isso fingindo a própria morte, e Dulce foi crescendo e se parecendo cada vez mais com a mãe dela, é por isso que faço o que faço.
Eu já estava de saco cheio e com fome também, e nada da vagabunda descer para arrumar minha comida, quando eu tava indo buscar a vagabunda pelos cabelos a porta de casa é arrombada mostrando os vapores do Lúcifer.
— Olha se não é o estuprador. — escutei a voz do Lúcifer e engoli o seco. Devo até a alma para ele, e como ele sabe o que faço, p***a?
— Tem estuprador aqui não chefe, eu só cuido da minha filha problemática. — falei, me fazendo de bobo.
— Tá querendo enganar quem? Aqui não tem trouxa não Fdp. — falou me dando um soco. — revira a casa e traz a menina para mim, e vocês levam esse Fdp para a casinha. — falou virando as costas, enquanto 3 vapores me seguraram e me levaram até a casinha.
Sei que não fui um bom pai para Dulce, mas eu não conseguia parar, eu queria pedir perdão a ela, mas sei que já era tarde e, no fundo, sei que ela não me perdoarei por tudo que lhe causei.