Melissa narrando. A semana passou lenta, como se cada segundo me empurrasse para um destino do qual eu não consigo escapar. Entre agulhas, linhas e pedaços de tecido espalhados pelo quarto, encontrei refúgio em costurar meu vestido. Não é só uma roupa. É como se cada ponto dado fosse um desabafo, uma forma de transformar dor em algo que pelo menos pareça bonito. Agora, de pé diante do espelho, vejo o resultado final: preto. Justo do quadril para cima, acentuando cada linha do meu corpo. O corte em forma de coração no decote parece zombar de mim, uma ironia c***l, porque meu coração não tem nada de romântico hoje. A f***a longa deixa minha perna exposta até quase a coxa. É ousado. É radiante. É totalmente diferente de algo que eu usaria em um momento de felicidade. Para mim, é um luto

