Melissa narrando. O carro para diante da imensa igreja da cidade. As paredes brancas sobem como muralhas diante de mim, as portas escuras parecem engolir qualquer esperança. Meu coração bate tão forte que sinto a vibração nos ouvidos. Meu pai se inclina e abre a porta do carro. O ar fresco da manhã invade o espaço, mas não alivia a pressão no meu peito. Ele me olha com a mesma expressão fechada de sempre, dura como pedra, mas há algo diferente… uma sombra de cansaço talvez. Henrique, ao meu lado, segura minha mão com tanta força que quase dói, mas não reclamo. É essa dor que me ancora. Ele não fala de imediato. Apenas respira fundo, e eu sinto seu peito subir e descer em um ritmo lento, como se quisesse que eu o acompanhasse, que roubasse emprestada a calma que ele finge ter. Depois d

