Jaqueline Narrando O clima aqui no Morro tá pesadão. Já faz uns dias que meu pai tá estranho, e quando ele começa a ficar assim, é sinal de que a coisa vai desandar. E o pïor é que quando o Ratão não tá bem, a quebrada inteira sente. Ele vira outra pessoa, fica sinistro, calado, só observando. Eu já conheço esse jeito. Já vi isso antes e sei que vem mërda por aí. Pra pïorar, eu tô pegando uma fita aí. E não é qualquer fita não, é uma parada que tem nome e sobrenome. A pessoa mexe comigo de um jeito que eu nem sei explicar. E meu pai, que tem olho em tudo, já sacou. Tá bolado, dá pra ver de longe. Fica me vigiando, chamando pra conversar torto, jogando indireta, como se eu não soubesse que ele tá na nóia. — Tu tá diferente, Jaqueline. — ele mandou ontem, na hora do almoço. — Diferente

