Jaqueline Narrando A primeira coisa que senti foi um frio no corpo. Depois, um peso, como se eu tivesse saído de um buraco fundo, escuro, sufocante. Meus olhos estavam pesados, mas eu forcei abrir. A luz do teto me cegou um pouco e tudo tava embaçado. Era como se eu tivesse sonhando ainda. Piscando devagar, comecei a ver um rosto conhecido. Era o padre. Ele tava segurando a minha mão, olhando pra mim com os olhos cheios d’água. Quando ele falou meu nome, eu reconheci a voz na hora. — Padre… — sussurrei, com a voz fraca, mas era o que consegui soltar. Ele sorriu. Que sorriso lindo, aliviado. Tinha emoção ali, parecia até que ele tava segurando o choro. — Graças a Deus — ele disse, apertando minha mão de leve. Olhei ao redor, meio perdida. Eu tava num quarto de hospital. Senti dor no

