Pensamentos de Sophie

1115 Words
PONTO DE VISTA DE SOPHIE Eu bato a porta do meu armário com força, completamente irritada. Como sempre, os dois estão nisso de novo, se aconchegando um ao outro no corredor, completamente alheios a todos. Eu franzo a testa para eles, sentindo apenas ódio pela garota que eu tenho que chamar de minha irmã, seu cabelo vermelho se destacando na multidão. "Eles estão nisso de novo", murmura minha amiga Cindy ao meu lado, enquanto eu dou um aceno irritado. "É", eu retruco, "Ela não tem vergonha. Ela é uma perdedora. Uma vagabunda", eu zombo, sem me importar com o quanto soa amargo. "Não liga, ela não é popular nem legal como você", Cindy se apressa em me garantir, "Você é tão bonita com seu cabelo loiro. Ela nem chega perto de ser bonita", ela diz, me acalmando e me mantendo com os pés no chão.  Ela sabe como me fazer sentir melhor. Meus outros amigos se aproximam de mim também, enquanto seguimos em direção à minha temida aula de ciências. "Vamos lá, a aula vai te distrair", incentiva Cindy, falando baixo.  Ela é minha melhor amiga e a única que sabe o quanto estou apaixonada pelo namorado da minha irmã. Quero dizer, o que ele vê nela, afinal? Não entendo. Ela não tem lobo e não pode se transformar, o que a torna uma patética fraca, e mesmo assim os caras continuam se aproximando dela. Isso me deixa com raiva. Eu vou furiosamente para a aula. Meus amigos se apressam para me acompanhar. Como sempre, m*l presto atenção na professora, meus olhos implorando para o relógio se apressar. Minha próxima aula é com Darius, o namorado da minha irmã Amber, e ela não está nela, o que me dá a chance de conversar com ele sozinha.  O relógio continua a se mover em um ritmo agonizantemente lento, que me faz querer gritar. Não dou a mínima para a aula de ciências. É chata pra caramba. Sorte que a Cindy me deixa copiar o dever de casa dela, ela é uma aluna brilhante. Senão, eu teria reprovado há muito tempo. Eu me saio bem nas minhas outras aulas, mas a aula de ciências é meu pesadelo.  Vamos lá, penso, rangendo os dentes, pelo amor de Deus, que o sinal toque logo! Como se respondesse às minhas preces, o sinal toca alto, sinalizando o final da aula, e eu rapidamente guardo minhas coisas, acenando para Cindy, que não está na minha próxima aula. Ando rapidamente pelos corredores e entro na minha aula de teatro. Me sento ao lado de Darius, que vira para me dar um sorriso amigável.  "Oi, Sophie", ele diz, "Como você está indo?" Eu estaria muito melhor se ele me visse mais como uma potencial namorada ao invés da irmã de sua namorada, penso comigo mesma, irritada. E ao invés disso, forço um sorriso no rosto.  "Estou ótima, e você?" Ele vai responder quando vê um amigo e se levanta, indo apressado falar com ele. Ótimo. Agora nem consigo fazer o suficiente para manter o interesse dele em ter uma conversa comigo. Sinto vontade de bater minha cabeça contra a mesa várias vezes.  Por que ele não me vê? O que há de tão especial em Amber que ele se recusa a olhar para outra garota? Ela não é material de luna. Não se pode ter uma luna que não pode se transformar para proteger a matilha. Caso você esteja se perguntando, Darius é o próximo na linha para ser Alfa depois que seu pai se aposentar de seu cargo. Não que eu queira estar com ele por causa disso, mas porque ele é o garoto mais bonito da matilha. Ser Luna seria apenas um bônus.  Me remexo na cadeira e suspiro. Nenhum dos meus amigos está nessa aula, e eu gostaria que Darius voltasse e se sentasse novamente. A professora de teatro finalmente entra, e os alunos se acomodam em seus lugares, Darius sendo o último a chegar ao seu.  "Certo, alunos, hoje vamos tentar uma atuação de uma peça. Vocês têm se saído bem ao aprimorar suas habilidades quando se trata de expressões e tom. Gostaria de ver todos vocês tentando. Vocês vão interpretar o papel de Romeu ou Julieta do livro de Shakespeare." Meus olhos se arregalam. Isso é um sinal, eu tenho certeza.  A professora distribui freneticamente cópias do roteiro, seus olhos estreitos em cada um de nós enquanto ela debate quem vai começar. Para meu alívio, não sou eu e não é Darius. Eu estava cruzando os dedos, esperando fervorosamente que fosse Darius quem seria meu Romeu. Certamente o universo me concederia esse desejo? Essa era uma chance única. Nunca teria uma chance como essa e quem sabe, talvez isso mostrasse a ele o quanto eu queria estar com ele.  Eu assisto impacientemente enquanto dois alunos de cada vez são selecionados, querendo gritar de impaciência. A cada vez, prendo a respiração, certa de que Darius será escolhido, mas para minha surpresa, ele não foi, e logo somos os dois últimos alunos.  Me remexo na cadeira com expectativa, observando a professora dispensar os dois que tinham terminado, seus olhos passando para nós. "Darius e Sophie, vocês dois são os últimos", ela exclama, parecendo aliviada. Acho que os outros alunos não foram tão bem então. Ou talvez seja porque está chegando perto da hora de terminar. Darius e eu nos levantamos, eu ansiosa, enquanto ele parece hesitante. Nunca soube por que ele faz aula de teatro, mas dizem que é mais fácil do que as outras e garante uma nota alta sem ter que se esforçar muito. Eu não ligo, apenas agradeço por ter escolhido essa aula por impulso.  Seguramos os roteiros em nossas mãos. Meus olhos brilham quando olho para Darius. "Começa", instrui o professor. Eu: "Ó Romeu, Romeu! Por que és tu, Romeu? Nega teu pai e recusa teu nome. Ou, se não quiseres, jura ser meu amor, E não serei mais uma Capuleto". Minha voz é firme e falo do coração, meus olhos encarando Darius, desejando que ele me ouça.  Darius: "(em pensamento) Devo ouvir mais, ou devo falar agora?" Eu: "É apenas o teu nome que é meu inimigo. Tu és a ti mesmo, mesmo não sendo um Montéquio. O que é Montéquio? Não é mão, nem pé, Nem braço, nem rosto, nem qualquer outra parte Que pertença a um homem. Oh, muda teu nome! O que há em um nome? Aquilo que chamamos de rosa Por qualquer outro nome teria um doce perfume. Assim, Romeu, caso não fosse chamado Romeu, Conservaria essa perfeição querida Sem esse título. Romeu, abandona teu nome, E por esse nome que não faz parte de ti Aceita tudo o que sou".
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