*ponto de vista do Scott*
Quando conversei mais cedo com a tal professora, ela parecia uma pessoa legal, confesso que ajudou muito saber sobre as diferentes condições neurológicas e que não é propriamente uma deficiência, é apenas uma forma diferente de ver e entender as coisas, mas sei lá, no final da aula enquanto eu esperava a Hope e vi a professora saindo, tentei falar com ela e ela foi tão... tão petulante, pra que isso? Eu só estava sendo legal e ela foi grosseira... de novo, ô mulherzinha complicada, vai acabar me tirando do sério... pior que não posso brigar com ela, pois a Hope adora essa mulher, o que ficou provado mais uma vez quando ela disse "minhas duas pessoas preferidas no mundo" quando nos viu conversando em frente à escola.
Depois da escola, levei a Hope até em casa e fui para uma reunião com a minha banda para combinar a surpresa de sábado na noite de talentos da escola da Hope, todos acharam muito legal e estão a ensaiar entusiasmados como se fosse um grande show, acho que é porque eles também tem filhos e entendem como é importante participar.
O combinado é que a dança da Hope com suas amigas será a última, porque logicamente, quando um postar aparecer, o show vai virar uma bagunça, então fazer no final é mais lógico, assim todo mundo aproveita o seu momento de fama e eu não roubo a cena das crianças, afinal, não é essa a intenção, a ideia é deixar Hope feliz com a minha presença e agitar o final da coreografia dela aparecendo na metade da música. Eu e a banda ficaremos atrás das cortinas na hora da apresentação das meninas, e a cortina vai se abrir na metade da música que será substituída por uma versão ao vivo assim que as cortinas subirem... farei um solo de teclado quando a cortina abrir e depois vou com o microfone para cantar com a Hope, entregando outro microfone para ela, na minha cabeça vai ser muito legal, já imaginei mil vezes e estou ansioso feito uma criança como se fosse uma apresentação na minha escola.
Depois do ensaio, decidi levar a Hope comer Pizza, fomos a uma pizzaria que tem estilo nova-iorquino para relembrar nossos passeios de pai e filha em Nova York, sempre que eu ia receber algum prêmio em Nova York eu a levava comigo, nós comíamos pizza e passeávamos pelo central Park, ela adorava. São lembranças boas que eu quero reativar, quero que ela pense nesse pai legal e não no pai perdido que tenho sido ultimamente.
Fiquei tão frustrado e tão desacreditado do amor que acabou influenciando até no meu relacionamento com minha filha, mas não quero deixar isso acontecer mais, vou correr atrás desse tempo perdido e começando por hoje.
- Estou pronta, pai.- Hope falou descendo as escadas e pude notar como ela esta crescida, ela tem apenas nove anos, é baixinha para a idade mas ainda assim, demonstra um comportamento de uma jovem mocinha. Ela está com um vestido rosa claro com as mangas feitas em renda e uma sapatilha elegante. Fez sozinha uma trança e até passou um brilho nos lábios...meu Deus, ela esta mesmo crescendo rápido.
- Você esta linda, querida.- eu disse a recebendo no pé da escada e ela ficou toda envergonhada.
- Onde vamos?- Ela perguntou disfarçando.
- Vamos comer pizza de Nova York em Miami.
- Uma ótima ideia- ela riu e nós seguimos para a pizzaria.
De todas as pessoas do mundo inteiro, adivinha quem encontramos na pizzaria...exatamente... a bendita da professora da Hope, e... não que eu fique reparando nela, porque afinal, ela parece apenas uma menina perto de mim, é bem mais nova que eu... uns dez anos pelo menos... mas, foi difícil "desver" aquela imagem... ela estava com um vestido que revelava suas costas...como chama mesmo? É frente única que se diz? E de cor vinho, o que a favorecia muito por causa do seu tom de pele um pouco bronzeada. Ela estava perfeita, aquele vestido parecia feito para o corpo perfeito dela... enfim, esquece que falei isso... ela estava ali, ponto. E parecia estar em um encontro.
A Hope correu para cumprimentá-la assim que a viu, eu não consegui segurar e embora achasse inconveniente demais uma aluna atrapalhar o encontro de sua professora, até gostei da Hope ir até la e estragar um pouco o clima, só para me vingar da forma arrogante que ela tinha agido antes. Mas acho que ela não se importou nada com a interrupção, ela abraçou Hope feliz, seu sorriso iluminava o ambiente, mas só durou até que ela me viu, eu podia jurar que ela me mediu de cima abaixo antes de fechar a cara, mas deve ser coisa da minha cabeça.
- Boa noite, desculpe a Hope atrapalhar seu jantar, quando vi ela já estava indo até você.- Falei sem conter um meio sorriso de satisfação.
- Esta tudo bem.- Ela respondeu elegantemente.- Esse é o Sr Jones, ele está cuidando da minha situação com o visto americano.
- Prazer.- Eu disse cumprimentando.- Com licença, nossa mesa ja esta pronta.- eu disse saindo com a Hope.
-Toda, até amanhã Hope. - a professora falou me ignorando mais uma vez... o que ela tem contra mim? Agora estou incomodado, qual é o problema dela? Ta na hora de investigar essa professora.
Enquanto Hope se distraía com o cardápio, eu aproveitei para enviar uma mensagem para meu assistente com o nome da professora solicitando a investigação completa e alegando que era por causa da Hope, pelo fato de ela ser muito apegada à tal professora, mas era pura birra minha misturada com curiosidade.
Nosso jantar foi agradável, até porque a professora logo saiu, então ficamos eu e hope num alegre momento de pai e filha. E eu confesso que amo estar com ela, até esqueci a história da professora, terminamos a pizza, passeamos juntos pela orla e depois voltamos pra casa, Hope logo adormeceu e eu fiquei ali com meus pensamentos e meus fantasmas... e de novo aquele sonho, mas agora não eram apenas Lilly e Mia, era também a professora que aparecia, e me deixava muito, muito irritado.