Rael O sol já castigava as telhas de zinco da casa quando os primeiros raios de luz atravessaram a fresta da janela, cortando a penumbra do quarto. Acordei sentindo um peso quente sobre o peito e o cheiro doce do cabelo da Maitê invadindo meus sentidos. Ela ainda dormia profundamente, com o rosto sereno e a respiração ritmada, um contraste absurdo com a adrenalina e o sangue que marcaram a minha madrugada. Fiquei ali, imóvel, por alguns minutos. Eu poderia passar o dia inteiro naquela cama, mas a vida que eu escolhi não permite pausas. Senti Maitê se mexer e abrir os olhos devagar. Quando ela percebeu que eu a encarava, um sorriso sonolento surgiu em seus lábios, e ela se aconchegou ainda mais em mim. — Bom dia... — ela sussurrou, a voz rouca de sono. — Bom dia, forasteira. — Beijei

