Capítulo 43 RUSSO NARRANDO Eu senti antes de entender. Foi aquele tipo de sensação que não vem pela cabeça, vem pelo corpo. Um frio que desce pela espinha, um aperto no peito que não combina com música alta, bebida cara e aliado sorrindo. Quando o Zangão pisou no baile, eu soube que a noite ia dar merdä. A gente se conhece há tempo demais pra fingir simpatia de verdade. Ele é desafeto, eu sou problema, mas a facção é a mesma e isso obriga a engolir muito sapo seco. No nosso mundo, quem não sabe fingir morre cedo. Ele veio com aquele sorriso de canto, o mesmo de sempre. Olhar afiado, postura relaxada demais pra quem gosta de provocar. — Russo. — estendeu a mão. — Zangão. — apertei. O aperto foi firme. Nenhum de nós soltou primeiro. Um teste silencioso, como sempre. Quem piscar perd

