Capítulo 14 Depois que a Samara foi embora, eu continuei no quarto. Não foi por escolha consciente. Foi como se o meu corpo tivesse decidido por mim. A porta fechada parecia mais segura do que qualquer outro lugar dessa casa enorme. O silêncio aqui dentro não me cobrava nada. Não me pedia resposta. Não me exigia coragem. Sentei na cama e chorei. Chorei quieta no começo, mordendo o lábio pra não fazer barulho. Depois chorei alto, sem conseguir segurar. As lembranças vieram sem pedir licença, como sempre vinham quando alguém tocava em assuntos que meu corpo ainda não sabia lidar. O rosto dele. A voz grossa. O cheiro de álcool misturado com raiva. As mãos. A boca. Agressão. Meu estômago embrulhou. Meu peito apertou. Minha respiração ficou curta. Eu lembrava do teto do quarto anti

