Capítulo 22 LUCAS NARRANDO Depois do beijo, nada voltou ao normal. Não que antes fosse fácil, mas agora era impossível fingir que era só trabalho. Impossível fingir que eu era só o segurança. Impossível fingir que o jeito que ela me olhava não tinha mudado. E o pior: o jeito que eu olhava também tinha. Desde aquela noite, eu andava com o peso constante de quem sabe que cruzou uma linha sem volta. Não foi só um beijo. Foi o que ele significou. Foi o que ele abriu. Foi o que ele confirmou. Eu queria ela. E isso era sentença de morte. Jamile continuava comigo todos os dias. Carro, postinho, volta pra casa. A rotina seguia igual por fora, mas por dentro tudo estava diferente. O silêncio agora era carregado de coisa não dita. De desejo reprimido. De medo compartilhado. Ela tentava mant

