Capítulo 75 RUSSO NARRANDO Momentos antes… Eu subi pra boca com o gosto de sangue ainda preso na garganta. O morro tava estranho. Final de invasão é sempre assim. Tem cheiro de pólvora no ar. Tem vidro quebrado. Tem soldado sentado no chão segurando ferimento com a própria camisa. Tem corpo coberto com lençol improvisado. Tem silêncio pesado. Mas hoje tinha outra coisa. Desconfiança. Eu entrei na boca e todo mundo parou de falar. Sempre param. Mas hoje o olhar era diferente. Não era só respeito. Era dúvida. Eu não tenho tempo pra isso. — Cadê o chefe dos soldados? — eu rosnei. Ele apareceu da sala de rádio, o colete sujo, a testa cortada. — Aqui, patrão. — Relatório. Ele respirou fundo. — Muita baixa. Eu não pisquei. — Quantos? — Doze mortos confirmados. Uns vint

