Capítulo 7 RUSSO NARRANDO A mina tinha a voz bonita. Bonita pra um caralhö. Mas parece até que não sabe falar. Saía quebrada, travada, como se cada palavra tivesse que vencer uma guerra dentro dela antes de sair. Bagulhö mó louco. Era como se cada palavra fosse um esforço absurdo. Como se falar doesse. Como se a língua travasse no meio do caminho e o som saísse quebrado. Estranho pra porrä. Será que ela tem problema? Ou era só o mundo que tinha quebrado ela demais? Sentei na sala e fiquei pensativo, o cotovelo apoiado no joelho, o rádio jogado de lado, a cabeça ligada nos 220 sem eu prestar atenção em nada. — Ela tem os olhos bonitos pra porrä também. Vixi. Que caralhö é esse? Balancei a cabeça com força, como se pudesse expulsar o pensamento na marra. — Tá viajando, Russo —

