Capítulo 6

1104 Words

Capítulo 6 FERNANDA NARRANDO Eu não tinha costume de falar. Falar sempre significou apanhar. Significou errar. Significou provocar algo rüim. Então eu aprendi cedo que o silêncio era mais seguro. O silêncio não apanha. O silêncio não responde errado. O silêncio não chama atenção. Eu me calei tanto que, com o tempo, minha própria voz virou algo estranho dentro de mim. Como se não fosse minha. Como se tivesse sido arrancada e guardada em algum lugar onde eu não conseguia alcançar. Mas quando ele falou aquelas coisas, quando ele disse que eu precisava comer, que ninguém ia me machucar, que eu tinha que responder quando ele falasse comigo. Alguma coisa me empurrou por dentro. Não foi coragem. Não foi confiança. Foi necessidade. Ele era a coisa mais próxima de humanidade que eu tinha

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