Ao acordar, virei o rosto e percebi um homem deitado ao meu lado. Ele estava de costas para mim e, quando se virou, me deu vontade de gritar. Quase surtei. Como posso ter passado cinco anos casada com esse homem, sem sequer vê-lo direito nesse tempo todo, e, justamente no dia em que decido me separar, eu simplesmente acordo ao lado dele na manhã seguinte? Isso só pode ser um castigo. O pior é que não me lembro de quase nada do que aconteceu ontem à noite. A única certeza que tenho é que nunca mais vou beber... e muito menos deixar Murilo se aproximar de mim novamente. Levantei da cama sem fazer movimentos bruscos, peguei minhas roupas espalhadas pelo quarto e, ao me encarar no espelho, vi meu reflexo coberto por marcas de uma noite que eu só queria esquecer — fingir que nunca aconteceu

