— Foi o senhor quem fez o trato? Não foi a Aline quem pediu? — pergunto, torcendo para que minha suposição esteja certa. Do contrário, terei sido burro o suficiente para acreditar que Aline armou tudo por amor. Mas meu pai apenas assente, confirmando o que eu temia. E só agora eu entendo: ela foi tão vítima quanto eu nessa história. Na verdade, foi a única vítima, porque foi a única que realmente sofreu.
— Eu preciso de ar — falo, com a voz embargada. — Augusto, vou dar uma volta. Depois você me conta como isso aqui vai terminar.
Ele apenas acena positivamente ao perceber meu estado. Saio da sala, que parecia cada vez mais sufocante. Mas antes de cruzar a porta, viro-me e encaro Rael.
— Pelos nossos vinte anos de amizade, com toda a sinceridade que ainda existe em você, me diga: onde ela está?
— Ela foi expulsa de casa. Está morando em uma quitinete no fim da rua, na segunda casa — responde ele.
Saio dali sem pensar direito. Meu corpo apenas me leva até o endereço que ele mencionou. Ao chegar em frente à quitinete, não vejo a hora de escurecer. Aguardo ansiosamente até as oito da noite.
A porta da casa de Aline se abre. Ela surge com um vestido branco, que deveria transmitir pureza, mas... por Deus, aquilo era pura tentação. Ela está maravilhosa. Caminha até seu carro e começa a dirigir. Eu a sigo e a vejo entrando em uma boate. Lá dentro, encontra-se com algumas amigas, vão até o bar, tomam alguns drinks e, logo depois, seguem para a pista de dança.
Se eu estivesse armado, já teria matado todos os homens que não tiram os olhos dela. A vontade que tenho é de puxá-la pelos braços, jogá-la sobre meus ombros e tirá-la daquele lugar, onde cada olhar masculino parece uma ameaça.
A vejo caminhando até o bar, pedindo mais uma bebida. Acho que ela já bebeu demais. Caminho até ela, paro ao seu lado e pergunto se posso me sentar. Ela apenas dá de ombros. Pergunto se está comemorando algo e ela responde:
— Sim. Estou comemorando a minha liberdade.
Mas eu sei — lá no fundo — que ela também está sofrendo com a nossa separação. Percebo pelo seu olhar que Aline não me reconheceu. É como se tentasse, mas o álcool a impedisse. Ela pergunta meu nome. Fico com receio de revelar e estragar aquele momento. O que mais me surpreende é descobrir que ninguém nunca a beijou. Diante da minha incredulidade, ela solta a pergunta que destrói qualquer resistência que ainda me resta:
— Por quê? Você quer ser o primeiro?
Se eu quero? Oh, minha ternura... você não tem ideia das coisas que já imaginei fazer com você. Se pudesse, te daria o mundo. E ainda pergunta se eu quero ser o primeiro a te beijar?
Ela se aproxima, me encara. Eu olho dentro dos seus olhos e, em seguida, para seus lábios convidativos. Ela tenta se afastar, mas eu não permito. Puxo-a para mim e dou o primeiro beijo na mulher que sempre foi o meu segredo preferido. A mulher que tentei manter à distância. Aline sempre foi, para mim, o diamante mais raro deste mundo. Agora que provei do seu beijo... não sei mais como vivi tanto tempo fugindo desse sentimento.
A puxo para mais perto, aperto sua cintura, peço passagem entre seus lábios — e ela concede. Nossas línguas dançam em uma sincronia perfeita. Paro o beijo apenas para respirar e pergunto:
— Quer sair para um lugar mais sossegado?
Ela concorda. Levo-a para o meu apartamento. Contava os minutos até chegarmos. Assim que entramos, não perco tempo. Tomo seus lábios num beijo faminto. Ela geme entre os meus beijos e passo as mãos por todo o seu corpo.
— Você tem certeza de que quer isso? — pergunto.
Ela me responde com um novo beijo.
Abro o zíper de seu vestido, retiro as alças dos ombros e, por fim, deixo a peça cair aos seus pés. Ao vê-la apenas de lingerie, fico maravilhado. Passo a mão pelo seu corpo e vejo seus pelos se arrepiarem. Puxo-a mais para perto e inalo seu perfume no pescoço. Ela geme de novo, e meu autocontrole vai embora.
Tiro sua lingerie com delicadeza. Beijo cada parte do seu corpo, deixando nela minhas marcas. Ao ver sua pele alva coberta por minhas lembranças, fico ainda mais obcecado. Quando me preparo para penetrá-la, lembro que ela nunca teve relações antes. Decido ir com calma. Quero que esse momento seja mais do que prazer. Quero que ela se sinta segura.
Cuido para deixá-la pronta, e só então a penetro. Vou devagar. Ela reclama no início, mas pergunto se quer parar. Ela n**a. Então, tento ser o mais amoroso possível. Após a dor, percebo o prazer crescendo em seus olhos. Continuamos até atingirmos juntos o ápice.
Depois do melhor s**o da minha vida, puxo-a para meus braços. Ela adormece. Percebo que realmente apagou. Vou até o banheiro, molho uma toalha e volto para limpá-la com cuidado.
É nesse momento que percebo: não usei c*******a.
Mas, sinceramente? Se ela engravidar, será mais um motivo para tê-la para sempre comigo.
Termino de limpá-la, deito ao seu lado e a puxo de volta para o meu peito.
Adormeço ali, com a mulher que sempre foi — e sempre será — o amor da minha vida.