Capítulo 41. O Dia Em Que Dormimos de Mãos Dadas — Mariana

2002 Words

Carinho queima mais que sexo. Sempre queimou. Sempre me desmontou mais rápido do que qualquer toque profundo, porque carinho exige algo que desejo não exige: coragem de ficar. E naquele dia… eu percebi que Elias estava tentando ficar comigo sem me tocar. E aquilo doeu de um jeito estranho, um jeito que correu pela minha pele como se a água do banho do dia anterior tivesse deixado uma lembrança quente demais pra eu simplesmente esquecer. Ele evitava me cercar, mas não evitava estar perto. Era como se pisasse em ovos dentro da própria casa. Como se o chão entre nós tivesse rachado e ele temesse ser o peso que faria tudo desabar de novo. Eu o observava de longe. Ele na sala. Eu no corredor. Os dois no mesmo espaço, mas vivendo um medo parecido, o medo de não saber o que éramos agora.

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