Eu já sabia que Anne estava na casa da vó Marisa. O silêncio da mansão me recebeu como algo cúmplice, familiar demais, perigoso demais. Não tinha risadinhas correndo pelos corredores, nem os passinhos dela chamando “Mari, olha!”. Era só nós dois. E o ar pesado do que estávamos tentando segurar há semanas. Elias trancou a porta atrás de nós sem pressa. O clique ecoou como um aviso. Como se dissesse: acabou a fuga. Eu respirei fundo, mas o cheiro dele veio antes, amadeirado, quente, o mesmo cheiro que me acompanha nos travesseiros, nas minhas roupas, nos meus pensamentos mais escondidos. — Mariana… — ele disse meu nome como se fosse uma pergunta e uma necessidade ao mesmo tempo. O jeito como ele me olhou fez meu corpo responder inteiro, antes da minha mente conseguir inventar desculpas

