Eu sempre acreditei que nada mais pudesse me tirar o sono. Depois da traição da Carla, depois de ver minha vida virar manchete sussurrada em corredor de gente rica, depois de ser apontado como o i****a da vez, alguma coisa em mim aprendeu a dormir mesmo sangrando. Só que naquela noite eu não dormi. O apartamento estava silencioso de um jeito quase irônico. Naquele tipo de silêncio que não é paz, é só o mundo prendendo a respiração. Lúcia já tinha subido. Jorge tinha deixado a cozinha limpa, cheiros ainda de alho, azeite e massa misturados no ar. Anne dormia no quarto dela, abraçada ao coelho de pelúcia que ganhou da Tainá. E Mariana… Mariana dormia no quarto ao lado do meu. Eu ainda sentia o cheiro dela preso no meu travesseiro, como um lembrete do que eu não podia tocar. Pêssego quent

