Eu não devia estar ali. Meu corpo sabia. Meu peito sabia. Até o silêncio do escritório sabia. Mas eu me vi andando pela cobertura como quem procura ar, ou coragem, ou só uma desculpa para não chorar pelo motivo que eu ainda não entendia. Elias tinha saído cedo para resolver algo no restaurante, e eu, incapaz de ficar parada, deixei meus pés decidirem por mim. Eles sempre me traem quando a cabeça tenta ser forte demais. O escritório dele tinha cheiro. Um cheiro quente, amadeirado, com aquela nota de âmbar que grudava na pele como uma memória. Senti meu estômago apertar. Era o cheiro dele quando me puxou na madrugada pelo quadril e me virou na cama com aquela possessividade calma, como quem não sabe amar pequeno. Respirei fundo para espantar o calor que aquilo trazia. Foi então que vi

