Eu sempre achei que o passado fosse uma sombra: silenciosa, distante, incapaz de atravessar paredes de vidro e anos de terapia. Descobri que estava errada. Algumas sombras têm dentes. E sabem exatamente onde morder. A manhã começou suave, quase bonita demais para o mundo que eu carregava. Anne tinha acordado cedo, me chamou baixinho, “Mari, olha minha trança nova” e eu senti algo dentro de mim desarmar. Elias assistiu à cena com aquele sorriso discreto, mas que sempre parecia maior do que ele permitia mostrar. Quando ninguém percebeu, ele tocou meu quadril de leve, como se dissesse sem palavras: eu vejo você. E eu vi ele também… por trás da força dele havia um homem inteiro tentando reaprender que merece amor. Pensei nisso quando subi no carro com ele depois do café, o sol ainda mo

