Eu sempre achei que a raiva fosse uma coisa que dava aviso. Um calor subindo devagar pela garganta. Um tremor no punho. Um pensamento atravessado. Mas o que senti naquele instante não foi raiva. Foi algo mais antigo. Mais fundo. Mais primitivo. Foi ancestral. Quando meu celular vibrou com o código de emergência, aquele que eu ensinei a Mariana, aquele que ela nunca tinha usado, meu corpo reagiu antes da minha cabeça entender qualquer coisa. O carro nem tinha chegado na garagem quando mandei parar. Saí correndo. Literalmente correndo, como se a vida fosse um fio prestes a estourar. Eu não pensei. Não fiz cálculo. Não falei com ninguém. Só sabia que precisava chegar nela. Porque quando uma mulher envia um código de socorro… não é brincadeira. Não é exagero. Não é “drama”.

