Eu senti o gosto dela na boca a noite inteira. Mesmo depois que o beijo acabou, mesmo depois que ela deslizou da bancada e se encostou na pia tentando respirar, a verdade é que nada dentro de mim voltou ao lugar. O corpo continuou em alerta, como se a pele tivesse ganhado memória própria. Quando saímos da cozinha, eu ainda sentia o calor das pernas dela ao redor da minha cintura. Mariana caminhava na minha frente com aquele jeito de quem tenta parecer normal, mas o pescoço denunciava: a pele mais corada, o maxilar um pouco tenso, os dedos inquietos. Anne correu até nós, agarrou a mão da Mari e puxou para a sala, como se o mundo fosse simples: desenho na TV, manta em cima do sofá e colo disponível. Eu invejei a simplicidade da minha filha. Na sala, Tainá e Jorge já estavam rindo de algu

