O corpo dele ali me protegendo, ocupando o espaço que antes era só do medo, foi a coisa mais desconcertante que já me aconteceu. Já senti mãos me segurando para me calar, braços me prendendo para me dominar, dedos marcando minha pele como aviso. Nunca tinha sentido um abraço que me segurasse para eu poder respirar. E era exatamente isso que Elias fazia: não me prendia, me ancorava. A madrugada tinha aquele silêncio estranho de casa rica: nada range, nada estala, o mundo parece em pausa. Só que dentro de mim nada estava em pausa. Ainda havia restos de pânico, como ondas pequenas batendo no peito depois de uma onda muito maior que já tinha passado, mas ainda deixava o sal no ar. Eu estava deitada ali, com a cabeça no ombro dele, sentindo o peito dele subir e descer sob minha bochecha, como

