O sábado sempre teve cheiro de infância, mas naquela casa gigante ele ganhava outro significado. Sábado era o dia da Anne, e tudo nela parecia fazer o mundo ficar mais leve, como se alguém soprasse ar novo dentro do meu peito. Eu ainda estava me acostumando a esse ritmo, a esse lar que não parecia meu, mas que aos poucos me puxava como quem reconhece um pedaço esquecido da própria alma. Anne abriu a porta do meu quarto antes mesmo de bater, com aquele cabelo desgrenhado de quem acordou pronta para o sol. — Tia Mari… piscina! Hoje é dia de piscina! A voz dela tinha a alegria que eu tinha desaprendido a sentir. Vesti o biquíni pêssego, a mesma cor que ele insistia em transformar em provocação, e desci de mãos dadas com a pequena. Ela usava um biquíni igual ao meu, presente que eu tinha c

