Tainá abriu a porta do meu apartamento como quem invade um segredo que já conhece de cor. Ela não precisou me olhar duas vezes para soltar um suspiro debochado, daqueles que entregam tudo antes mesmo de qualquer palavra. — Você subiu a montanha — ela disse, cruzando os braços. — E pelo brilho nos seus olhos… não foi uma vez só. Senti o rosto pegar fogo. O corpo também respondeu, denunciando a lembrança da noite que queimava em mim como sombra boa. Ri, sem graça, porque fugir dela sempre foi impossível. Tainá me olhou daquele jeito que desmonta. — Não adianta tentar esconder, Mari. — Ela se aproximou e segurou meu rosto com as duas mãos. — Você tá apaixonada por ele. Tá estampado. Escancarado. Brilhando nessa tua pele linda. Eu balancei a cabeça, tentando negar, mas o sorriso me en

