A tarde de sábado sempre teve cheiro de sobrevivência para mim. Quando eu era criança, era o dia de lavar o quintal, estender roupa no varal e fingir que estava tudo bem, mesmo quando a casa parecia prestes a desmoronar em silêncio. Agora, o cenário era outro: uma mansão grande demais, piscina azul demais, carne demais, risadas demais para uma menina que aprendeu muito cedo a se encolher. Mas, no meio desse excesso todo, havia uma coisa que continuava igual: eu ainda precisava da minha melhor amiga para me lembrar quem eu era. Tainá chegou do jeito Tainá de ser: entrando pela porta como se estivesse em casa, falando alto, com o cabelo black armado como coroa e uma sacola colorida pendurada no braço. O cheiro dela sempre mistura perfume doce com creme de cabelo, uma coisa familiar que me a

