Eu nunca pensei que um beijo pudesse carregar essa violência silenciosa de verdade. Elias me beijou para me calar. Não para me dominar. Mas para impedir que eu dissesse algo que ele não suportaria ouvir. Alguma coisa sobre se afastar, sobre não confiar, sobre não saber mais qual era o lugar do meu corpo na vida dele. Ele encostou a boca na minha como quem segura uma porta prestes a bater com o vento. E eu senti. Senti tudo. Senti o medo dele. Senti a raiva dele. Senti o desejo, o amor que ele tentava negar, o passado que arranhava cada palavra não dita. — Não fala isso… — ele murmurou contra meus lábios, a respiração quente, quase dolorosa. Mas eu falei. Porque minha dor, meu trauma, meu orgulho… tudo aquilo ainda me apertava por dentro. — Você não me ama, Elias. Você só me q

