Rebeca teve pneumonia e Henry foi chamado por seus pais para que fosse o seu médico e ele se apaixonou à primeira vista pela sua beleza estonteante. Ela tinha cabelos castanhos como um chocolate ao leite, as ondas dos seus cabelos ondulados simétricas e longas apesar da moda atual.
Somente os seu rosto e cabelos de princesa já era suficiente para que ele caísse aos seus pés. Mas claro que ela era gentil e delicada para somar às qualidades dela. E não havia mais o que fazer, Henry a visitava quase todos os dias, alegando estar averiguando se sua saúde estava em dia. Até que um dia Henry pediu a autorização a seus pais e Rebeca e Henry se casaram e se mudaram para a casa ao lado da minha e de Luke.
E eu me lembro de como foi a primeira vez que a vi, junto a Henry. Luke e eu havíamos nos mudado há pouco tempo também, e estávamos tendo a nossa enésima noite de núpcias. Fazia tanto frio lá fora que estava congelando os lagos e matando os desavisados na rua, mas isso não nos impedia de estar totalmente nus sob as cobertas triplamente acolchoadas para que não ocorresse uma hipotermia.
Luke estava sem nada, a sua pele era quente como se um vulcão estive prestes a entrar em erupção ou um corpo a entrar em combustão. Sentia os pelos de seu corpo se arrepiarem com o meu toque nas suas costas e tudo o que estaria por vir.
Ele era um homem de corpo celestial, tinha seu abdômen definido e liso, mesmo sabendo que poderia ser considerado promiscuidade, eu tinha vontade de passar a minha língua em cada quadradinho da sua pele e depositar um pouco de mim ali. O seu rosto era rígido e duro, como de um homem mau, que ia castigar quem estivesse fora da lei, afinal ele era um policial.
Seus olhos eram verdes com a grama com orvalho em uma manhã de outono na infância, enquanto os seus cabelos eram castanhos e levemente dourados. Seu rosto era como o de um deus grego, com os desenhos bem delineados ao passear os dedos em seu rosto liso. Luke era perfeito.
De repente ouvimos barulhos estranhos, pareciam ser tiros vindo logo após um relincho de dor. Luke parou o que estava fazendo comigo naquele exato momento, o que infelizmente o fazia ficar muito sério e como se não tivesse acontecido nada.
Luke saiu de cima de mim e se vestiu rapidamente, pegou o seu chapéu e desceu a escada após pegar o seu revólver. Ele era um policial investigativo, podia atuar dos dois lados: como policial e como detetive, mas hoje ele seria policial.
Luke precisava agir de acordo com a lei, pois ele fez um juramento onde tem como obrigação proteger a todos em todas as situação que lhe fosse possível ajudar uma vida. Por causa disso, ele precisava ir ver o que eram esses barulhos de tiro, pois tinha que averiguar se alguém havia se machucado.
Ao me casar com ele, aprendi que não podia interferir quando Luke estava com o revólver em sua cintura. Aquilo até me molhava um pouco, sentia a última gota esperançosa querendo mais de Luke dentro de mim escorregar pela minha coxa, até cair no lençol.
Eu fui até a janela e fiquei observando Luke chegar correndo em frente ao cavalheiro e uma donzela do lado de fora de uma carruagem, juntamente com um capataz. Ouvi o homem falar calmamente:
— Este equivocado senhor — apontou para o capataz — achou ter visto ameaça no nosso cavalo e o lançou dois tiros na cabeça.
Enquanto Luke se resolvia com o homem referente a um cavalo, um revólver e um capataz, eu notei a donzela me observando. Seus olhos dissimulados me fitavam como se eu fosse um pecado ou uma perdição, não conseguia desviar seus olhos de mim. Ela estava usando um vestido branco longo como se recém tivesse saído do seu casamento, o que provavelmente tinha ocorrido mesmo.
Era compreensível que não conseguisse desviar os olhos do meu corpo, pois eu estava tão focada em ver se estava tudo bem lá fora, que esquecera-me de colocar uma roupa ou de fechar as cortinas. Sim, eu estava nua observando toda a cena, por isso a donzela me olhava de tal modo. O homem notou, mas fingiu que não, para evitar problemas para ele e para mim.
Aquilo me deu tempo de colocar a cortina na frente do meu corpo, escondendo as minhas curvas para que eu não acabasse m*l, como ocorrera há alguns dias. Luke me viu e deu um sorriso de canto de boca. A donzela e o homem eram Rebeca e Henry.
Eu vira Rebeca daquele jeito, recém casada e assustada com o que acabara de ocorrer com o seu cavalo, enquanto o seu recém marido a ajudava a se sentar na carruagem. Sei disso, pois tive que me levantar após um tempo por curiosidade à situação. Ela parou de olhar para cima, agora apenas observava suas mãos.
E assim eu e Rebeca nos vimos pela primeira vez. Após aquela noite, sempre que saíamos de casa e nos víamos, trocavamos olhares capciosos, mas com o tempo fomos nos conhecendo melhor, acabamos perdendo a timidez e conversando uma com a outra.
Após alguns meses de confiança, Rebeca me contou sobre a sua infância horrível e praticamente escravizada e como aconteceu tudo antes de vir para a cidade. Aquele sorriso meigo e brilhante não era a toa, era de alguém que queria se fazer forte devido a tudo que já passará na sua pouca vida.
Geralmente os pais pagam os dotes das filhas, mas Henry fez questão de pagar para os pais de Rebeca a liberarem. E como eles eram gananciosos a ponto de vender a filha para um estranho, eles o fizeram.
E Rebeca ficou extremamente feliz com a decisão deles. Não só porque ela gostava de Henry, mas também porque finalmente ia ser livre dos pais e da sua vida miserável.
— Wenedy — chamou-me Rebeca de volta para a realidade — para onde você foi?
— Muito longe — falei ainda pensativa — preciso ir antes que ele volte — disse quase que em desespero.
Eu via a tristeza no rosto de Rebeca, ela não me queria longe, mas não tinha outra opção. Iria chegar o momento que eu não me levantaria mais quando caísse, então eu precisaria ir antes que isso acontecesse.
— Para onde você vai? — ela perguntou curiosa — e por que não está levando bagagem?
Eu ri como uma criança que ia fazer besteira.
— Não quero levantar suspeitas com uma bagagem, então tudo o que preciso está nos meus bolsos — falei rindo.
— Você só pode estar brincando — ela quase grita, mas em seguida tapa sua boca — vai usar um único vestido e um único sapa… ela olha para os meus pés — você está usando sapatos, certo?
— Estão no meu bolso quando eu precisar.
— Wenedy… — ela franze o cenho
— O que foi? Você sabe que eu odeio usar sapatos, Beca — falei emburrada — eles apertam os meus pés.
— É uma gata de rua mesmo — ela disse sorrindo com afeição, enquanto fazia carinho em minha bochecha — só me prometa que vai se cuidar — sua expressão mudou para preocupada.
— Sabe que sempre me cuido — falei orgulhosa — e digo mais: vou lhe escrever sempre que puder, eu prometo.
Chegamos mais perto uma da outra e nos abraçamos com força, dessa vez com voracidade, pois seria o nosso último abraço. Eu amava Rebeca, ela era a única pessoa que me entendia de verdade e eu a ela, em outra vida éramos almas gêmeas.
Ouço a porta bater e a voz de grave de Luke no andar de baixo dispensando seus capangas para a rua, já que ele chegara.
— Querida, cheguei — ele gritou.
— Preciso correr, Beca — falei quase me atirando da janela — distraia ele.
Antes de ir agarro a sua cintura e lhe dou um beijo nos lábios de leve para não assustá-la. Não era a primeira vez que fazíamos isso, virou o nosso ritual de despedida, então também não seria a última.
— Volto para te buscar — digo me atirando da janela do segundo andar.