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Celine estava furiosa com as ações de Maximus de alguns minutos atrás, principalmente com a ousadia dele pegá-la e jogá-la no seu ombro como se já a conhecesse a bastante tempo. Ela o olhava ligeiramente dirigindo, observando as tatuagens sobre suas mãos, e pelo que via, deduziu que ele tinha mais pelo corpo, já que seu pescoço também tinha algumas, mas não conseguiu ver por completo. No entanto, o que mais estava lhe deixando incomodada era o perfume dele que ficou impregnado em sua blusa, e era um cheiro tão gostoso e viciante.
Em sua cabeça também vinha flashes dele a segurando pela b***a, o que a perturbou bastante, ele sequer se desculpou por tal ato. “Mas quem ele pensava que era para fazer algo assim e sequer pedir desculpas?” Pensava Celine, enquanto o olhava, observando a atenção dele no trânsito.
— Você me deve um pedido de desculpas. — Disse Celine, quebrando aquele silêncio constrangedor.
— E porquê eu devo me desculpar? Não seria você a pessoa que deve um pedido de desculpas? — Ele a encarou rapidamente.
— Você me agarrou, me jogou nas costas como se fosse um saco de batatas e ainda pergunta pelo que deveria se desculpar? — Disse, tentando manter a calma. — Além disso, você pegou na minha b***a, deveria se desculpar por isso, eu não gostei. — Disse, com um tom mais baixo.
— Você me xingou, disse coisas rudes para mim naquele café, mentiu, deixando a conta para que eu pagasse, fingiu que não me conhecia e me fez passar por i****a na frente do meu pai, voltou a me xingar e ainda jogou o dinheiro no meu rosto. Se eu devo um pedido de desculpas, você me deve vários. — Falou com a voz mansa. — E eu não peguei na sua b***a, minhas mãos ficaram bem longe dela. — Respondeu.
— Se você tivesse dividido aquela mesa comigo não estaríamos assim, não teríamos discutido e não estaria esse clima r**m entre nós. — Disse a mulher, insistindo que a culpa era só dele.
— E se você não fosse tão teimosa e tivesse se retirado quando eu falei que não ia dividir a mesa com você, não teríamos discutido, se eu sou culpado, você é duas vezes mais. — Reclamou.
— Vejo que não entraremos em acordo, não é? — Perguntou, cansada daquela conversa.
— Se você pedir desculpas primeiro, eu também me desculpo. — Ela negou.
— Quem deve se desculpar primeiro é você, foi você que foi grosso comigo e se negou a dividir um espaço vazio, que não estava ocupando. — Falou.
— Então, eu não pedirei desculpas também, simples assim. — Ela bufou irritada.
— Por que eu não pesquisei sobre sua pessoa antes de aceitar trabalhar em um projeto tão importante com você? Que burra que eu fui. — Reclamou arrependida.
— Por esse lado pensamos iguais. Você pelo menos teve tempo para decidir se aceitaria ou não, eu só fui informado que iria ficar na minha casa e dividiria a minha sala com você hoje pela manhã, não tive nem tempo de pensar na proposta do meu pai, nem pude recusar. — Ela riu.
— Parece que você é bastante obediente ao seu pai. — Maximus respirou fundo.
— Ele se aposentou e eu sou o atual presidente, mas a última palavra é sempre a dele. — Respondeu, deixando o clima tenso entre os dois, mais calmo.
— Nossos pais são bem parecidos, o meu ainda trabalha na construtora, mas com a mudança, acredito que irá se aposentar e depois que conseguiu trazer a minha irmã para trabalhar conosco, mas com certeza ainda dará a sua opinião sobre projetos futuros, então, eu não serei a presidente da empresa com cem por cento de autoridade, assim como você não é. — Respirou fundo.
— Pelo menos você terá a ajuda da sua irmã, terá alguém com quem poderá dividir as conquistas e os problemas. — Disse Maximus.
— Não é tão legal assim como você está pensando, a Karine é uma irmã incrível, maravilhosa, eu a amo incondicionalmente, mas há algumas diferenças entre nós. — Respondeu, enquanto seus olhos capturaram a vista arborizada de uma mansão belíssima e moderna.
Maximus reduziu a velocidade do carro, em seguida um portão imenso de aço se abriu, permitindo sua passagem. Celine estava encantada, já tinha visto e morava em uma casa maravilhosa com sua família, mas aquela lhe encantou de uma forma diferente.
— Uau, você mora aqui? — Perguntou, enquanto Maximus dirigia por um curto caminho que levava até a garagem, revelando uma coleção de carros luxuosos e esportivos.
— Sim, essa é a minha casa. — Respondeu, estacionando o carro entre uma Lamborghini e uma Porsche.
Celine saiu do carro, olhando em volta daquela garagem, tendo certeza que ele era apaixonado por automóveis. Um dos seguranças cumprimentou Maximus.
— Tem duas malas no carro, leve-as para dentro, a Flora indicará o quarto que você deve deixá-las. — Deu a ordem e o homem assentiu. — Venha, vamos entrar. — Chamou Celine, que o acompanhou rapidamente.
— Você é grosso, rude, parece um sogro, mas tem muito bom gosto, pelo pouco que eu vi da sua casa, apenas a área externa, na verdade, já gostei muito. — Maximus fungou, irritado.
— Você acha certo ficar me chamando de grosso, de rude, de ogro, quando estou abrindo as portas da minha casa e permitindo que fique em segurança e confortavelmente bem? — Perguntou de forma calma, mas por dentro ele estava furioso.
— Já disse que posso ficar em um hotel, não quero atrapalhar a sua privacidade e nem estou pedindo pela sua generosidade, apenas fui informada que ficaria na sua casa, mas não quero causar problemas e nem ficar aqui contra a sua vontade. — Respondeu.
— Bom, o que foi dito a mim é que você odeia hoteis e não estou fazendo isso por você, mas sim porque isso é importante para o meu pai. — Falou, parando bruscamente em frente a porta de sua casa.
— Sim, não gosto de hoteis, mas como você também não gosta da minha presença, eu posso passar esse tempo em um. — Afirmou, cruzando os braços, mantendo sua postura ereta.
— Vamos entrar, não há mais como voltar atrás e você gostando ou não, terá que ficar aqui comigo pelos próximos trinta dias e ainda temos um grande projeto para trabalhar juntos. — Abriu a porta, permitindo que ela passasse.
— Boa tarde, seja bem-vinda, senhorita. Me chamo Flora e sou eu quem cuido de tudo por aqui. — Disse uma mulher com mais ou menos uns cinquenta anos.
— Olá, obrigada. Sou a Celine. — Sorriu gentilmente, cumprimentando a mulher.
— Flora, organizou o quarto que eu lhe pedi? — Maximus perguntou.
— Sim, só não entendi o porquê me pediu para arrumar um quarto se é uma mulher, pensei que ela ficaria no seu, junto com você. — Maximus arregalou os olhos e negou.
— Não é nada disso que você está pensando, Flora. — Respondeu, nervoso.
— Não tenho nada com ele não, sou apenas uma hóspede que irá trabalhar com o seu chefe, mas ficarei aqui por pouco tempo. Sou apenas uma funcionária da empresa e a filha de um amigo do senhor Alan. — Celine explicou, com um sorriso amarelo.
— Desculpe-me, eu acabei imaginando e falando demais. Pensei que finalmente você tinha arrumado uma namorada. — Celine sorriu.
— Tudo bem, não tem problema. Aliás, não é comum uma mulher se hospedar na casa de um homem desconhecido. — Olhou para Maximus, que ainda parecia incomodado com o que a mulher falou.
— Flora, eu vou mostrar o quarto para ela. Eu ainda não almocei, você já almoçou? — Perguntou a Celine e ela negou. — Então prepare algo para nós. — Pediu.
— Claro, farei isso agora mesmo. Com licença e novamente peço desculpas aos dois. — Disse a mais velha, saindo envergonhada.
— Tudo bem, Flora. Não se desculpe mais. — Disse Celine.
— Fique tranquila, já foi tudo esclarecido. — Maximus falou.
— Irei preparar algo gostoso para vocês dois. — Saiu em seguida, deixando os dois à sós.
— Vem comigo! — a chamou.
Em silêncio, Celine o seguiu, não estava muito à vontade, mas sabia que ficar ali na casa daquele homem era para fazer as vontade de seu pai e também para mantê-lo tranquilo. Mesmo que sua vontade fosse ir embora para um hotel e que o filho de Alan fosse tão rude, ela não podia ser ingrata e rejeitar a estadia. Nenhum dos dois iam com a cara um do outro, mas nenhum dos dois envolvidos naquela história merecia e nem deveria ficar sabendo das desavenças que já existiam entre ambos, em tão pouco tempo que se conheciam. No entanto, apesar de todos os defeitos de Maximus, a atmosfera daquela casa e até mesmo o jeito dele, lhe passava uma certa segurança.