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Celine encarou Maximus, lhe mostrando um sorriso amarelo, após ter percebido que o homem que tinha encontrado e discutido naquele café era exatamente o homem com quem iria trabalhar e passar um mês morando na casa dele. Ela estava surpresa e odiando ter sido surpreendida daquela forma, principalmente por ela já ter uma noção da personalidade do grandão à sua frente, que parecia querer lhe fuzilar apenas com as duas orbes negras.
Alan entendeu tudo, não tinha como não perceber que já existia uma certa tensão entre os dois, que bastava apenas uma faísca para os dois explodirem e ele estava amando aquele fato, Celine não tinha cara de que cedia facilmente e muito menos que deixaria Maximus tê-la como sua subordinada.
Os dois encaravam-se em silêncio, enquanto a presença de Alan ali parecia sequer existir. No entanto, os pensamentos dos dois estavam um caos, imaginando o que diriam para o homem que estava ali, esperando que os dois se cumprimentassem como dois adultos profissionais e responsáveis que eram, também era o mínimo que ele esperava da educação dada ao filho.
Celine já sabia como iria agir, naquele momento, para não parecer uma louca surtada diante do melhor amigo de seu pai, ela chegou a conclusão, naqueles curtos segundos que ficou encarando Maximus, que a saída para aquela situação era fingir que não conhecia o muro de músculos à sua frente e faria aquilo com o melhor sorriso que ela tinha.
— Como assim, você? Os dois já se conhecem? — Perguntou Alan, surpreso. Mas com um sorriso divertido no rosto.
— Sim, nos conhecemos no…
— Não, eu nunca o vi. — Celine cortou a fala de Maximus.
— Como que não? Nós nos conhecemos hoje na cafeteria, você até…
— Você deve estar me confundindo com outra pessoa, eu não saí do hotel desde que cheguei nessa madrugada. — Disse, tentando manter a calma e o personagem.
— Não, eu não confundi. Sou muito bom em fisionomia, era você sim, eu não sou louco, a reconheceria em qualquer lugar. — Maximus continuou.
— Não mesmo, não era eu. Bom, eu tenho um rosto muito comum, não é difícil encontrar pessoas parecidas comigo, acho que foi exatamente isso que aconteceu com você. — Alan estava se divertindo, pois conhecia o filho e sabia que ele estava chegando no limite dele.
— Claro, existem pessoas que se parecem muito, inclusive é muita coincidência que ela estava usando as mesmas roupas que está usando agora. — Respondeu, tentando esconder o quanto ela estava o irritando.
Celine riu, dividindo o olhar entre ele e o seu pai.
— Ah, mas existem tantas roupas iguais, senhor. Não duvido que encontre milhares de mulheres usando peças de roupas como as que estou usando. — Disse, tentando parecer calma.
— Não, não era outra pessoa, era…
— Já chega Maximus, não seja inconveniente, se ela diz que não é ela é porque não era a senhorita Muñoz e eu acredito no que ela diz, como ela iria encontrá-lo no café se chegou tão tarde, com certeza estava descansando. — Alan interviu ou ficariam ali pelo resto da tarde discutindo se era ou não Celine a mulher que o seu filho encontrou mais cedo.
— Pai, era realmente ela. — Falou chateado.
— Não leve para o lado pessoal essa insistência do meu filho, senhorita Muñoz, ele trabalha demais, isso deve ser sintomas de muito esforço. — Falou sorrindo.
— Celine, senhor, pode me chamar apenas de Celine. — Sorriu gentilmente.
— Certo, Celine. E esse é o meu filho, Maximus Wade. Vocês vão trabalhar juntos, espero que se deem muito bem. — apresentou o filho.
— Tenho certeza, que seremos bons amigos. Não é, senhor Maximus Wade? — estendeu a mão para cumprimentá-lo.
— Só Maximus, por favor. — Segurou a mão dela, sentindo a maciez da mesma, enquanto Celine ficou tensa com o toque dele, suas mãos eram grandes, quentes e o seu toque era firme, forte.
— Ele não gosta do nome Wade, Celine. — Alan falou com um sorriso que indicava que ser chamado pelo seu segundo nome deixava seu filho chateado.
— Mas Wade é um nome muito bonito, prefiro ele, vou chamá-lo de Wade. — Riu, percebendo que aquilo claramente deixava Maximus chateado.
O maior largou a mão dela com sinal de aborrecimento, fazendo-a rir suavemente e também fazendo Alan sorrir. O pai de Maximus percebeu que Celine seria a responsável por trazer uma agitação para a vida de seu filho e aquilo de certa forma o deixava bastante animado, ele também tinha certeza de que ambos seriam muito bons trabalhando juntos.
— Como vão trabalhar no projeto de uma multinacional juntos, achei melhor que dividissem a mesma sala, essa é a sua mesa de trabalho, Celine. — Alan indicou o local onde Celine iria trabalhar nos próximos meses.
— Não precisava se preocupar, senhor. Eu poderia ficar em qualquer outro lugar. — Alan negou.
— O Maximus é o presidente da nossa construtora e tem outros trabalhos além do projeto da multinacional, então é melhor que estejam no mesmo ambiente, assim facilita o trabalho dele também. — Disse o mais velho.
— É, o papai pensou em tudo. — Disse Maximus, com um certo desconforto.
— Foi muito gentil da sua parte aceitar dividir a sua sala e ainda oferecer a sua casa para que eu fique durante esses trinta dias. — Celine foi sincera, ela estava agradecida pela gentileza do homem.
— Não foi nada demais, não precisa agradecer. — Respondeu.
— Acredito que a Celine esteja bastante cansada. Então, acho melhor que leve ela para casa, Maximus. Já é fim de tarde e você não tem mais nenhum compromisso. — O pai de Maximus estava testando a paciência dele.
— Sim, depois que o senhor cancelou a minha agenda de hoje, eu não fiquei com nenhum compromisso para o resto do dia, então devo levar a minha hóspede para casa. — Celine percebeu que havia sarcasmo e aborrecimento no tom de voz de Maximus.
— Amanhã você pode apresentar a empresa para ela também. Tenho certeza que você vai gostar. — Alan falou, olhando nos olhos de Celine.
— Não tenho dúvidas disso, senhor Alan. — Sorriu. — Mas não quero atrapalhar o seu trabalho. — Falou, olhando nos olhos de Maximus, que deixavam claro o quanto ele estava com raiva.
— Você não vai atrapalhar nada, não se preocupe. — Fingiu gentileza na presença de seu pai, que se divertia com aquele diálogo forçado entre os dois. Estava claro para ele que Celine e Maximus já se conheciam e que ela estava mentindo quando dizia que não o conhecia, mas que o encontro não tinha sido nada agradável.
— Ótimo! Como também estou de saída, irei acompanhá-los até o estacionamento. — Disse caminhando até a porta.
— Temos muito o que conversar, senhorita croissant. — Disse Maximus, em sussurro, para que Alan não o ouvisse.
Celine sentiu um arrepio percorrer toda sua espinha. A voz dele era gutural, sexy e sedutora, mas também lhe transmitia medo e ela sabia que quando estivessem sozinhos não teria como fingir que não o conhecia.
— Como está o Manuel? Muito ansioso pela mudança? — Perguntou Alan ao entrar no elevador.
— Sim, mas eu diria que ele está mais ansioso para rever o senhor e agora que com a mudança, minha irmã decidiu trabalhar na empresa e exercer a profissão dela, ele com certeza vai se aposentar, então, tenho certeza que vocês dois irão passar bastante tempo juntos. — Celine respondeu.
— Então sua irmã aceitou trabalhar com vocês? — Ela assentiu. — Seu pai me falou o quanto vinha tentando convencê-la e como isso era importante para ele, estou feliz em saber disso. O Manuel falou que ela é uma ótima profissional. — Disse Alan.
— Sim, ela começou a trabalhar na empresa como assistente da secretária do diretor da construtora, assim como eu comecei um dia e foi subindo de cargo, mas quando foi no momento dela exercer sua profissão, ela ficou em dúvidas e ficou sem trabalhar por um tempo e já tinha dito que não iria trabalhar na construtora. — Riu.
— O Maximus também começou de uma posição pequena na empresa assim que começou na faculdade, ele trabalhava meio período como auxiliar, fazia de tudo um pouco. — Disse Alan.
— Acho que o senhor deveria ter feito o mesmo com o Alessandro e a Paola, quem sabe agora eles saberiam dar valor ao trabalho e o dinheiro que eles usam como se fosse folhas de árvores. — Disse Maximus, irritado.
— Deveria ter feito isso mesmo, mas ainda há muito tempo para trazê-los para a empresa, porém os seus irmãos não são o assunto e nem a prioridade agora. — respondeu Alan.
— Eles nunca são. — Maximus respirou fundo, tentando manter a calma.
Celine percebeu o desconforto dele e o encarou, que retribuiu o olhar mas não esboçou nenhuma reação.
— Celine, agora te deixo sob os cuidados do meu filho, ele é um homem de respeito, não se preocupe. — Disse Alan ao saírem do elevador e se aproximarem do carro de seu filho.
Enquanto isso, o filho de Alan foi até o motorista de seu pai e pegou as duas malas da mulher, que ele ainda teria uma longa conversa.
— Não estou nem um pouco preocupada, senhor. Também sei me defender e mais uma vez obrigada pela preocupação e cuidado. — Sorriu gentilmente, o que foi observado por Maximus após colocar as malas dela no porta malas.
— Vamos? — Disse o grandão, abrindo a porta para que ela entrasse.
— Ah, sim, vamos! — Celine o encarou sorrindo, em seguida entrou no carro. — Até mais, senhor Alan. — Falou sorrindo.
— Até mais, querida. — Logo Maximus fechou a porta do carro.
— Vou pensar numa boa recompensa para cobrar do senhor, papai. — Maximus disse baixinho.
— Você não vai me cobrar isso, no entanto daqui alguns dias ou semanas, o senhor vai me agradecer. — Sorriu. — Cuide bem dela e seja gentil. — Pediu.
— Vai depender do quanto ela vai ser gentil comigo. — Afirmou, em seguida arrumou o terno e caminhou até o lado do motorista e entrou em seguida, onde Celine já tinha colocado o cinto e estava em silêncio, quieta.
Agora sozinhos, ela tinha certeza de que não escaparia do julgamento dele e que ele não tinha engolido a história que ela inventou para seu pai.
— 25 euros! — Disse Maximus, sem olhar para Celine, que assustou-se com a quebra de silêncio.
— O que disse? — Perguntou, sem entender.
— Disse, 25 euros? — Ela ficou confusa sem lembrar ao que ele estava se referindo aquele valor.
— Perdão, mas do que está falando? O que significa esses 25 euros? É o valor que terei que pagar pela diária na sua casa ou pelos trinta dias? — Ele segurou firme no volante, Celine estava deixando-o furioso.
— Não, esse é o valor do seu café da manhã, o qual você disse ao barista que eu gentilmente iria pagar e realmente paguei. — Lembrou.
— Que café da manhã? Você está bem? — Falou, tentando pela última vez fingir que não era a pessoa do café.
— O meu pai não está mais aqui, deixa de fazer o seu teatro, isso não funciona comigo. — Reclamou de forma seca e dura.
— Mas eu não sei do que está falando, o que quer dizer com esse valor, muito menos estou fazendo teatro, estou falando sério, nunca vi você em toda a minha vida. — Mentiu, coçando a ponta do nariz.
— Você acha mesmo que eu sou i****a, é claro que a mulher arrogante e m*l educada do café era você. — Continuou.
— Não era eu, nem sei do que está falando. Com certeza está me confundindo com outra pessoa. — Desviou o olhar para o lado oposto, enquanto Maximus permanecia com seu olhar fixo na estrada.
— Claro, outra mulher. Com as mesmas roupas, os mesmos sapatos, a mesma bolsa e até o mesmo perfume. — Respondeu, sem paciência.
Celine engoliu em seco, ele tinha notado todos aqueles detalhes enquanto discutiam por um espaço na mesa?
— Vamos lá, não somos nenhuma criança para ficarmos nessa brincadeira. Você não tem uma irmã gêmea perdida e eu não acredito no que você está falando. Está com medo de mim ou não quer pagar meus 25 euros? — Celine respirou fundo.
— Você foi um babaca, grosseiro, arrogante e m*l educado, que estava tomando um mísero café, você tinha uma mesa inteira livre, eu estava cansada com fome, queria apenas comer fora do hotel e você me negou isso. Eu nem ia conversar com você, só queria poder comer um croissant que eu adoro e estava morrendo de vontade de comer e você com seu jeito bruto só encheu a minha paciência. — Celine explodiu, fazendo Maximus ficar irritado.
— Ah, agora sim você mostrou quem você é realmente, foi essa mulher que eu conheci hoje cedo. — Disse jogando o carro para o acostamento.
— É a porcaria do seu dinheiro que você quer? Então toma, não preciso disso. — Jogou o dinheiro em cima dele e tirou o cinto, saindo em seguida do carro. Maximus a acompanhou.
— O que você está fazendo? — Perguntou, sem entender.
— Não lhe interessa. Abre esse porta malas, vou para um hotel, não preciso da sua boa vontade e aceitar ficar com um ogro arrogante feito você. — Ele negou.
— Não vou abrir nada. Volte para o carro e deixe de agir feito criança. — Ela negou.
— Não, não vou voltar para lugar nenhum, vou pedir um táxi e vou para um hotel. — Disse, batendo o pé.
— Prometi ao meu pai que iria hospedar você na minha casa e ele prometeu ao seu que estaria em segurança, eu não vou faltar com a minha palavra. Agora entre no carro e deixe de fazer birra, você já é uma mulher adulta, isso não combina com você. — Disse, autoritário.
Celine soltou uma gargalhada de sarcasmo.
— Quem você pensa que é para me dar ordens? — Perguntou com raiva.
— Não estou dando nenhuma ordem, estou pedindo. Ficar aqui na rodovia é perigoso e não vou permitir que vá para nenhum hotel. — Afirmou.
— Não vou entrar mais no seu carro e não vou para lugar nenhum com você. — Respondeu. — Abre logo a droga desse porta…
Celine foi impedida de continuar.
— O que você está fazendo? Me põe no chão. — Celine pediu, ao perceber que estava no ombro de Maximus, sendo carregada até o carro.
— Você vai entrar nesse carro, nós vamos para a minha casa e você vai ter que conviver comigo pelos próximos trinta dias, quase vinte e quatro horas por dia. Nós vamos trabalhar juntos e você vai deixar de fazer esses showzinhos. Se não gostou de saber que vai ter que trabalhar comigo e ficar hospedada na minha casa, saiba que é recíproco. Contudo, eu não vou voltar atrás com a minha palavra e muito menos quebrar a promessa que fiz ao meu pai, e se eu tiver que proteger você com a minha própria vida para agradar e fazer as vontades dele, eu farei. Agora entra na droga desse carro e não me xinga mais. — Celine estava de olhos arregalados, o encarando, enquanto ele a segurava pelos dois braços próximo ao corpo dele.
— Será que você pode me soltar? — Pediu, sabendo que não adiantava ela espernear que ele ainda era mais forte e não iria conseguir sair do aperto dele.
— Machuquei você? — Perguntou, soltando os braços dela aos poucos.
— Não, se tivesse machucado, você ia se ver comigo. — Falou encarando o mais alto com fúria nos olhos.
— Queria ver o que você seria capaz de fazer. Vamos, entre. — Apontou para o banco do carona, impedindo com o corpo que ela tentasse fugir novamente.
— Grosso! — Disse, antes de entrar.
Com raiva, ele bateu a porta do carro assustando-a. Logo após, Maximus deu a volta no carro e assumiu novamente a direção do automóvel, mas antes de dar partida no carro, olhou para Celine, que estava olhando na direção oposta, visivelmente bastante furiosa com ele e claro que muito surpresa com a facilidade que ele a suspendeu e a carregou no ombro como se fosse um saco de batatas.