Capítulo 44 — Quando o Medo Fala Narração: Eduarda Eu sempre gostei de rotina. Talvez porque minha vida nunca tenha sido muito organizada antes de conseguir uma. Talvez porque crescer sem pai, sem mãe e sem ninguém para segurar sua mão faça você aprender a valorizar as pequenas coisas. Ou talvez porque trabalhar naquela enfermaria me obrigasse a encontrar normalidade onde ela claramente não existia. Seja qual fosse o motivo, eu gostava de chegar cedo. Gostava de organizar os medicamentos. Gostava de conferir os prontuários. Gostava de deixar tudo pronto antes do movimento começar. Naquela manhã fiz exatamente o que fazia todos os dias. Cheguei. Troquei de roupa. Prendi o cabelo. Organizei a enfermaria. Atendi os primeiros presos. Medi pressão. Troquei curativos. Distribuí

