8. Primeira Visão I

2894 Words
Natalia Merda, merda, merda! Grito internamente enquanto bato o cartão e saio correndo da clínica. Vou chegar atrasada! "Talia, espera!" Travis chama enquanto passo correndo por ele no estacionamento. Travis é um homem alto com músculos salientes tentando romper suas roupas hospitalares, pele bronzeada e tatuagens sexy nos braços e no peito. Ele é o técnico de radiologia bonito por quem todas as garotas estavam suspirando. Mas, como todo homem sexy, ele é problema; um notório galã que tinha todas as garotas da clínica aos seus pés e com razão. O homem sabia como te dobrar em cima de uma mesa e te fazer de sua v***a. "Desculpa, Travis, mas estou atrasada para buscar o Dakota!" Grito sem fôlego enquanto corro para os suportes de bicicleta. "Mas não é a Sarah quem pea ele?" Ele ri enquanto se aproxima e me observa colocar o capacete. "Sim, mas ela está fora da cidade visitando a família por alguns dias, o que significa que eu tenho que buscá-lo," sorrio impaciente, desbloqueando a bicicleta. Na verdade, ela estava a negócios com alguns lobisomens, mas eu não ia contar isso para o Travis. Sarah é o pseudônimo da minha amiga bruxa, Guinevere. Assim como eu, ela está fugindo de seu ex, um Rei dragão determinado em levá-la de volta para seu reino. Em fuga, nós duas mudamos nossos nomes. Ela era Sarah Davis, enquanto eu era Talia Ramos. "E que tal eu te dar uma carona até a creche," ele diz, me dando aquele sorriso travesso. "E então, talvez possamos conversar sobre você jantar comigo amanhã à noite? Sete horas, que tal?" Tenho que me controlar fisicamente para não alcançá-lo e acertá-lo na cabeça com meu cadeado de bicicleta. Travis e eu já tivemos alguns casos antes, mas eu sempre deixei claro que era apenas um negócio. Sem sentimentos, apenas sexo bom. Era o acordo. "Travis", suspiro, fechando os olhos e respirando fundo. "Nós temos uma coisa boa. Não estrague, por favor. Não estou procurando nada além disso", dou de ombros sem remorso. "Não estou interessada em um relacionamento." "Ah, vamos lá Talia," ele sorri. "Você sabe que eu sou louco por você... Olha, eu sei que tenho uma reputação, mas não estou mentindo. Você é incrível... Diferente de todas as outras garotas nessa cidade maldita." Olho para ele com uma carranca. Será que ele me acha i****a? Ele é literalmente um sinal vermelho ambulante! "Travis, pare com isso. Não estou interessada." "Eu poderia cuidar de você e do Dakota," ele murmura, seu dedo roçando meus braços e eu estremeço de irritação. "Se você deixar... Não quer que o Dakota tenha um pai?" Aperto firme o guidão da minha bicicleta. Eu não precisava de ninguém para cuidar de mim. Dakota e eu estávamos muito bem sozinhos, não precisava de um pai, ele tinha a mim... "Desculpe, Travis, mas realmente tenho que ir," dou de ombros, passando por ele e subindo na bicicleta. "Você pelo menos vai pensar sobre isso?" Ele grita enquanto pedalo para longe e não consigo responder. Oh Talia... murmuro para mim mesma. Em que diabos você se meteu? Deixo de lado meus pensamentos sobre Travis e tento descobrir o que fazer com o Dakota enquanto trabalho meu turno no The Masque. As únicas outras pessoas que conheço são o Micah e a Niki... A Niki trabalha hoje à noite? Droga, não consigo me lembrar. Chego à creche, o estacionamento completamente vazio nesse momento. Xingo a Sra. Freedman, minha última paciente, por falar sem parar durante a consulta dela, e me apresso para entrar no prédio. Através da grande janela de vidro, olho para dentro da sala de aula e vejo meu pequeno garoto trabalhando em um livro de colorir, sua pequena mochila vermelha já em seus ombros. Meu coração dá um salto quando o vejo colorir, seus olhos franzidos de concentração e seus cachos castanhos caindo sobre a testa. Percebendo que estou olhando, Kota olha para mim e sorri com empolgação, fechando seu livro e saltando de sua cadeira. Eu entro correndo na sala e me ajoelho, abrindo os braços para recebê-lo. Ele se choca contra mim, quase me derrubando enquanto me enche de beijos. "Mamãe, o que você está fazendo aqui?" Ele ri animado. "Cadê a tia Gwen?" Afasto seu cabelo do rosto e olho em seus belos olhos grandes. Eles eram diferentes dos olhos de qualquer outra pessoa, um olho com uma linda tonalidade de azul-celeste e o outro sendo cor de chocolate com nuances de âmbar. Heterocromia não era algo tão comum, e os olhos de Kota eram assunto na cidade quando ele nasceu. Ele era o menino dos olhos azuis e castanhos que todo mundo amava. Ouço passos atrás de mim e sorrio de desculpas para a professora franzindo a testa. "Sinto muito, Sra. Henry. Hoje eu tive uma paciente com quem não consegui me livrar!" Dou risada nervosamente. A Sra. Henry suspira pesadamente. "Você tem muita sorte, Sra. Ramos...," ela diz com severidade antes que seu sorriso a entregue. "Que Sr. Ramos aqui," ela diz, mexendo as sobrancelhas para Dakota. "É um encanto de companhia e sabe lidar com uma dama." Dakota sorri orgulhosamente para mim enquanto o levanto nos braços. "Muito obrigada, Sra. Henry, por cuidar dele," sorrio. "É um prazer," ela sorri de volta enquanto me viro para a porta. "E Talia?" Ela chama. Me viro novamente para ela. "Sim?" "Ser mãe solteira não é um trabalho fácil. Você está indo muito bem," ela diz. "Não esqueça disso." Fecho os olhos para segurar as lágrimas. Era meu maior medo falhar com o Kota. Ele merecia o mundo e às vezes eu sentia que não conseguia dar o suficiente para ele. "Obrigada," sussurro, empurrando a porta com o pé. Levo Dakota até os suportes de bicicleta, segurando as lágrimas e sorrindo para o meu garotinho. Ele não precisava ver a mamãe chorando. "Mamãe, onde está a tia Gwen?" Kota pergunta enquanto o coloco na cadeirinha. "Ela, meu amor, está em uma viagem," respondo, prendendo seu capacete. "Isso significa que somos apenas eu e você por alguns dias." Ele me dá um sorriso travesso. "Podemos jantar nuggets de frango?" Sorrio para ele enquanto pego meu celular e disque o número da Niki. "Talvez," sorrio. "Alô?" A voz de Niki ressoa. "Ei, Niki, é a Talia," suspiro, rezando para todos os Deuses que existem que ela não estivesse trabalhando hoje à noite. "Você poderia cuidar do Kota hoje à noite? Sarah está fora da cidade e eu preciso de uma babá." "Eu não sou um bebê!" Dakota resmunga em seu assento. "Certo, preciso de um babá para um mocinho," rio. "Acha que você poderia..." "Claro!" Ela responde. "Eu já estou de folga hoje de qualquer maneira. Sabe que eu amo muito esse menininho!" Oh, graças aos Deuses! Fazemos os acertos e subo na bicicleta, Kota esticando os braços para sentir o vento passando por nós. Depois de pedalar rapidamente para as proximidades de Poulsbo, finalmente chego à casa. Arrumo as coisas do Kota em sua mochila e troco de roupa, saindo das minhas roupas cirúrgicas e colocando uma roupa toda preta. Eu colocaria meu uniforme quando chegasse ao clube. De jeito nenhum eu ia andar de bicicleta de saia. Kota entra correndo na sala de estar, com o capacete virado ao contrário. "Mamãe, olha! Eu fiz tudo sozinho," ele sorri orgulhosamente. Não consigo evitar rir enquanto desafivelo seu capacete e o coloco do jeito certo. "Pronto," eu digo, ajudando-o a voltar para o assento dele. "Hoje você vai para a casa da Niki e do Micah, certo? Então, eu preciso que você se comporte. Você consegue fazer isso?" Ele concorda rapidamente e eu lhe entrego um suco de maçã. Pedalo até o centro da cidade onde a Niki e o Micah moram. Eles são dois colegas de trabalho do clube noturno. A Niki é garçonete como eu e o Micah é barman. Chego ao apartamento deles e ajudo o Kota a sair da cadeirinha. Ele vai correndo na frente e bate na porta enquanto eu amarro a bicicleta. "Dakota!!" Niki grita, abrindo os braços para o menininho. "Como está meu garotinho fofo?" Ela sorri enquanto enche as bochechas gordinhas dele de beijos. Ela me acena para entrar e fecha a porta atrás de mim. Um cheiro incrível preenche a casa inteira e olho para a pequena cozinha para ver uma mulher pequenina trabalhando arduamente no fogão. Ela tem no máximo 1,50 metro de altura, com longos cabelos loiros sujos e olhos gentis escuros. A mulher percebe que estou admirando sua beleza, corando furiosamente e acenando educadamente para mim. Percebendo que estou sendo rude, aceno de volta e me apresento. "Oi, sou a Talia, amiga da Niki e do Micah." A mulher sorri e acena, mas não diz nada. "Oh, me desculpe, querida," Niki ri. "Essa é a nossa amiga Agnes. Ela é surda e muda, então..." "Ela está morta?!" Kota pergunta curiosamente, olhando para Agnes. "Ela não parece um fantasma para mim." Niki e eu não conseguimos evitar rir da inocência dele. "Não, querido, ela é SURDA e muda. Isso significa que ela não pode te ouvir nem falar," eu explico para ele, bagunçando seu cabelo. Eu me aproximo da mulher e aponto para mim mesma. Ela assiste enquanto eu uno meus dois polegares e os afasto, usando meus dedos para sinalizar meu nome. Deslizo minhas palmas uma sobre a outra, depois junto os dois dedos indicadores e finalmente aponto para ela. Seus olhos se iluminam quando termino e ouço Niki gritar empolgada. "Você sabe como sinalizar? Desde quando? O que você disse?" Ela pergunta. "Eu apenas disse 'Eu sou a Talia. Prazer em conhecê-la,'" dou de ombros. "Eu trabalho com alguns pacientes surdos e aprendi alguns sinais básicos para torná-los mais confortáveis." "Você tem que me ensinar," Niki diz. "Ela e o filho estão ficando aqui conosco até conseguirem um lugar próprio e ambos são mudos. Até agora, nós só temos nos comunicado por escrever." "Aonde está o filho?" Pergunto, olhando ao redor em busca de outro visitante. "Você acabou de perder ele," Niki cora. "Ele está com o Micah no clube e, menina, deixa eu te contar, ELE É GATO! UM GATO MESMO! Oh Talia, você precisa vê-lo com a Agnes. É a coisa mais fofa do mundo. Ele é tão doce e mencionei que ele é GATO?" Ela ri como uma colegial. "Eu estou reivindicando ele! É sério, Tal. Não use seu charme de latina nele!" Ela repreende. Reviro os olhos e balanço a cabeça para ela. "Eu nem sonharia com isso," suspiro, pegando minhas chaves e capacete. "Obrigada por cuidar do Kota para mim. Você é um salva-vidas." "A qualquer hora!" Ela grita enquanto eu saio. Pedalo até o clube no centro da cidade, guardando a bicicleta nos suportes diretamente atrás do prédio. THE MASQUE é um clube prestigioso onde alguns dos membros mais proeminentes da cidade gostam de se reunir. Por quê? Simples: o Código de Vestimenta. Todos que entram no prédio precisam usar uma máscara para esconder sua identidade. Podia ser qualquer máscara. Alguns usavam máscaras de baile extravagantes enquanto outros ficavam com as máscaras que podiam encontrar nas lojas de Halloween locais. Sem máscara, sem entrada. O propósito era simples. Os clientes poderiam ir e vir como quisessem sem medo de serem julgados pelo público, e a equipe, em especial as dançarinas, poderiam trabalhar sem serem rotuladas como vagabundas ou prostitutas. Era um ganha-ganha para todos e funcionava maravilhosamente bem. Pessoalmente, adorava tentar adivinhar quem era quem por baixo de todas as máscaras. Por conta das gorjetas e bebidas pedidas, eu sabia que alguns membros do conselho da cidade eram frequentadores regulares e eu podia apenas supor que policiais, médicos, professores e outros também frequentavam o lugar. Antes de entrar no prédio, coloco uma máscara preta simples e pego meu uniforme, indo direto para o vestiário e trocando minha blusa e calça jeans por um uniforme de trabalho revelador. Tínhamos temas a cada semana para praticamente todos os fetiches, desde trajes de couro de corpo inteiro até uniformes de colegial sexy. Meu uniforme de empregada consistia em um sutiã preto, uma gargantilha preta e branca de renda, um pedaço de pano preto que m*l considerava uma saia e um pequeno avental branco. Uma liga, meias-calças e salto alto completam o visual e retoco minha maquiagem no espelho. Eram momentos como esses que eu realmente amava a regra da máscara. Irritada com minha roupa e me preparando mentalmente para lidar com bêbados a noite toda, saio para o salão do clube, a música quase estourando meus tímpanos. The Masque era uma boate de dois andares, com o nível superior contendo mesas privadas para clientes de alto escalão e salas para danças particulares. O nível inferior continha os dois bares e o palco para as dançarinas principais, palcos secundários para outras dançarinas exóticas, mesas para mais clientes e a pista de dança grande. Passo pelo escritório de Ron, o dono do clube, e o vejo conversando com Micah e um homem que eu nunca havia visto antes. Ele está de costas para mim, então não consigo ver seu rosto, mas apenas pelo lugar onde ele estava sentado, eu podia dizer que ele era alto e tinha um corpo escultural, com seus músculos apenas contidos por sua camiseta preta. Ele deve ser o filho de Agnes... Penso enquanto caminho até o bar. Os seguranças e a equipe de segurança já estão ajudando a montar o bar, trazendo baldes de gelo e reabastecendo as bebidas. As dançarinas já estão no palco se aquecendo e se preparando para suas apresentações. Jade, uma das garçonetes, grita empolgada enquanto corre na minha direção. "OMG! OMG! OMG! Você já viu o cara que o Micah trouxe?" Ela pergunta, pulando na ponta dos pés. "Não", eu sorrio com seu sorriso contagiante. "Mas ouvi dizer que ele é uma verdadeira obra de arte." "Ele é um DEUS, Talia. Um DEUS!" "Cuidado", eu provoco. "Niki já marcou território." "Mas ele não marcou", ela provoca, ajustando sua blusa e sacudindo os s***s. Reviro os olhos e dou risada. "Oh, espere até você vê-lo", ela provoca. "Você vai molhar sua calcinha. Esse homem é MARAVILHOSO!" As luzes diminuem e os seguranças se apressam para abrir as portas. Dois seguranças começam a deixar as pessoas entrarem, e finalmente vejo Micah sair do escritório de Ron em direção ao seu posto. Seu amigo, no entanto, permanece no escritório, assinando documentos. Jade e eu corremos até Micah, batendo nossas bandejas no balcão. "Ok, Micah, conta tudo", Jade exige. "Quem é aquele belo homem que você trouxe?" Micah sorri triunfantemente. "Minhas queridas, esse é Zane. Ele é o novo segurança substituindo o Ryker." "Zane", Jade murmura, mordendo o lábio inferior. "Oh, eu poderia gemer isso a noite toda." "Você me enoja", Micah retruca, e Jade sorri de orelha a orelha. "Me apresenta", Jade faz um bico, piscando os cílios para ele. "Por favor!" "Não posso fazer isso", Micah suspira. "Ele é mudo. Então nem mesmo pode se apresentar." "OMG, um homem que não pode falar de volta nem mentir para mim!" Jade grita novamente. "Meu Deus, ele é perfeito!" Micah revira os olhos e nos manda ir buscar os pedidos dos clientes que estão chegando. Fico ocupada nas próximas duas horas, pegando bebidas e afastando clientes atrevidos que tentam agarrar minhas nádegas nuas sob a saia. Um cliente em particular, a quem vou chamar de Bond Asswipe por causa de sua aparência, pede meus serviços na mesa. "Desculpe, senhor. Eu não sou dançarina", respondo educadamente. Para mim, não há nada de errado em ser uma stripper. Eu simplesmente não sou uma delas. "Posso recarregar sua bebida, se quiser. Qual é a sua preferência..?" Ele envolve a mão em meu pulso e me puxa para perto dele, quase me fazendo cair em seu colo. "Suba na mesa, v***a. Quero ver o que essa sua bundinha bonitinha pode fazer." Trabalhando neste clube por mais de dois anos, estou acostumada a ser solicitada para dançar. "Sou garçonete, senhor," eu sorrio apesar da raiva. "Mas ficaria mais do que feliz em chamar uma dançarina..." "Eu disse para dançar", ele rosna, empurrando-me contra a mesa. De repente, ouço um rosnado baixo sobre a música, arrepiando minha espinha. Bond Asswipe solta meu pulso e olha para algo atrás de mim, ficando imediatamente sóbrio e engolindo em seco. Tremo de medo. Em toda minha vida, só tinha ouvido um tipo de pessoa fazer um som tão ameaçador como aquele, e eles adoravam a lua e se transformavam em lobos. "Desculpe, senhorita", Bond Asswipe gagueja, me jogando algum dinheiro. "Eu confundi você com uma prostituta..." A pessoa misteriosa atrás de mim passa por mim e percebo que é Zane, amigo de Micah. Ele agarra Bond Asswipe pela gola, arrastando-o em direção à saída e literalmente chutando sua b***a para fora. Várias pessoas olham fixamente para Zane enquanto ele sacode as mãos, enquanto luto contra as lágrimas... Porque quando suas mãos passaram por mim para agarrar Bond Asswipe, nossa pele se tocou por um instante e senti aquelas faíscas inesquecíveis que tanto temia. Sinto os olhos de Zane em mim, e olho para cima para encontrá-los, o clube inteiro desaparecendo no esquecimento. "Companheira", ele sussurra silenciosamente, seus lábios se curvando em um sorriso surpreso. "Não", eu choro, recuando lentamente enquanto meu coração bate forte no peito. "Não de novo..."
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD