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Protegida Pelo Dono da Maré

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Blurb

Isabella nunca imaginou que entraria em um presídio para fazer uma visita íntima a um homem que nunca encontrou pessoalmente. Mas, quando seu filho precisa de uma cirurgia urgente e ela não tem dinheiro para pagar, uma proposta desesperada surge: passar algumas horas com Escorpião em troca do valor necessário para salvar a vida da criança.Isabella sabe muito bem quem ele é. Desde que foi morar na Maré, escuta histórias sobre o homem que comandava a comunidade antes de ser preso e que continua exercendo poder mesmo atrás das grades. Os dois nunca se cruzaram porque Escorpião foi preso pouco depois da chegada dela, mas isso nunca impediu Isabella de temê-lo.O que ela não imagina é que, ao contrário dela, Escorpião sabe exatamente quem Isabella é.Disposta a enfrentar o medo pelo filho, ela entra naquele presídio acreditando que o acordo terminará assim que receber o dinheiro. Isabella consegue pagar a cirurgia e tenta seguir com a própria vida, certa de que nunca mais precisará ficar diante daquele homem.

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Capítulo 1 - Bella
Bella A vida já era difícil pra c.a.r.a.l.h.o. Eu ainda fui burra e arrumei uma filha com um vagabundo. Agora trabalho de segunda a sábado que nem uma condenada para tentar dar o melhor para a minha filha, mas quem disse que eu consigo? O pior é que, há semanas, ela tem passado muito m*l, e eu não consigo pagar médico particular nem a droga de um plano de saúde. Bem que a minha mãe dizia que dar moral para homem feio e duro ia acabar com a minha vida. O que eu não imaginava é que poderia acabar com a vida da minha filha também. Estou há meses tentando marcar uma consulta em um hospital grande do meu bairro. Toda vez que vou cobrar, dizem que o nome dela está na fila de espera e que não adianta reclamar. Pelo jeito, só vão dar atenção quando minha filha estiver dentro de um caixão. Respiro fundo, passo a mão no rosto e pego o celular para mandar uma mensagem para Aline, minha melhor amiga. É ela quem fica com minha filha enquanto estou trabalhando, o que pelo menos me deixa um pouco mais tranquila. Vejo que ela começa a digitar uma resposta, mas não consigo nem abrir a mensagem porque seu Antônio bate a mão no balcão e me faz guardar o celular. — Você está ficando com a cabeça muito longe, Bella. Se precisa desse emprego, é melhor começar a atender os clientes direito. Teve uma moça que disse que pediu açúcar e você deu sal. Olho para a cara dele e minha vontade é responder que eu queria ter enfiado o sal na goela dela. Em vez disso, engulo a raiva e forço um sorriso. — Não vai acontecer de novo, seu Antônio. Eu só não entendi direito o que ela falou. — Pois comece a entender, porque são os clientes que pagam seu salário. Se fosse para ficar no celular, ficava em casa. A.r.r.o.m.b.a.d.o do c.a.r.a.l.h.o. É o que penso enquanto vejo meu chefe se afastar, mas é claro que não falo nada porque preciso desse emprego. Volto a limpar o balcão e ajeitar as coisas até finalmente dar meu horário. Trabalho em uma padaria, o único emprego que consegui depois que virei mãe solteira de uma bebê de nove meses. E o pai da minha filha? Aquele a.r.r.o.m.b.a.d.o manda duzentos reais de pensão e acha que estou luxando com o dinheiro dele. É uma mixaria? É. Compra leite e fralda para o mês inteiro? Claro que não. Mas ajuda, então nem posso mandar ele enfiar o dinheiro no olho do c.u. Quando saio, pego uma moto por aplicativo porque custa cinco reais e quero chegar logo em casa. Se depender da condução, gasto quase uma hora implorando a Deus para não ter trânsito e, como sempre tem, prefiro sacrificar os cinco reais. Assim que chego em casa, escuto um grito vindo de dentro. Meu coração dispara antes mesmo de eu atravessar a porta. Entro correndo e encontro Aline com minha filha no colo, completamente assustada. — Bella, ela está muito quente. Ela desmaiou! Nem penso. Pego minha filha no colo e começo a gritar por socorro. Seu Rogério, meu vizinho, aparece correndo e, quando percebe o que está acontecendo, manda a gente entrar no carro. Não espero nem Aline. Vou direto para o hospital com ela e, assim que chegamos, levam minha filha para dentro sem permitir que eu acompanhe. Aline aparece alguns minutos depois e se senta ao meu lado. Eu já estou chorando. — Eu me sinto tão inútil, amiga. Nem uma boa mãe eu consigo ser. Arrumei um pai inútil para a minha filha, não tenho dinheiro para pagar um hospital particular e aquele a.r.r.o.m.b.a.d.o nem liga. Acha que duzentos reais é muito dinheiro. Como é que eu caí no golpe daquele feio esquisito? Aline me abraça. — Calma. A gente vai dar um jeito. Eu não sei qual, mas vai. Não consigo responder. Continuo chorando até uma médica aparecer no corredor. Levanto tão rápido que minhas pernas quase falham. — Doutora, cadê minha filha? Ela está bem? Pelo amor de Deus, fala que ela está bem. — Isabella, tente manter a calma. Sua filha está estável neste momento, mas fizemos alguns exames e encontramos um problema sério no coração dela. Minhas pernas ficam bambas. — Problema no coração? Ela tem só nove meses. — Ela tem uma cardiopatia congênita. Isso significa que nasceu com uma alteração no coração que, infelizmente, não foi descoberta antes. O quadro se agravou, e isso explica os sintomas das últimas semanas e o desmaio de hoje. Minha cabeça simplesmente para. Só consigo pensar na minha filha sozinha lá dentro. — Tá, mas vocês vão tratar, né? Passa um remédio, faz alguma coisa. Eu faço qualquer coisa. A médica respira fundo, e aquilo acaba comigo. Ninguém respira daquele jeito antes de dar uma notícia boa. — No caso dela, apenas medicamentos não vão resolver. Sua filha precisa de uma cirurgia cardíaca com urgência. — Urgência quanto? — Pelo estado dela, não recomendamos esperar mais do que quinze dias. Arregalo os olhos. — Quinze dias? — O quadro é grave e pode piorar rapidamente. Precisamos realizar o procedimento o quanto antes. Começo a chorar. — Minha filha não, doutora. Pelo amor de Deus, ela é uma bebê. Faz essa cirurgia nela. Faz agora. Eu assino o que tiver que assinar. Aline segura meu braço, mas eu me afasto. Não quero que ninguém tente me acalmar. Quero uma solução. — Eu gostaria que fosse tão simples, Isabella. Esse procedimento precisa ser realizado por uma equipe especializada. Pelo sistema público existe uma fila. Vamos solicitar prioridade devido à gravidade do quadro, mas não posso garantir quando a cirurgia será realizada. Engulo em seco antes de fazer a pergunta que já me dá medo. — E particular? A médica demora alguns segundos para responder. — Considerando internação, equipe médica, exames e procedimento, pode ficar entre vinte e cinco e trinta mil reais. Eu rio. Não porque tenha graça, mas porque só pode ser uma piada do c.a.r.a.l.h.o. — Trinta mil? Doutora, eu trabalho em uma padaria. Não tenho nem três mil, quem dirá trinta. — Eu sinto muito. Vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance e tentar uma transferência com urgência. Volto a me sentar porque minhas pernas desistem de funcionar. Quinze dias. Minha filha tem quinze dias para conseguir aquela cirurgia, e eu preciso arrumar um dinheiro que não conseguiria juntar nem em quinze anos trabalhando naquela padaria. Aline segura minha mão. — Bella, olha para mim. A gente vai conseguir. — Conseguir como? Eu vou tirar trinta mil reais de onde? Do meu c.u? Eu não tenho casa, carro, não tenho p.o.r.r.a nenhuma para vender. E, se eu pedir esse dinheiro ao pai dela, é capaz daquele d.e.s.g.r.a.ç.a.d.o perguntar se estou querendo comprar uma mansão. — A gente vai pensar em alguma coisa. — Eu não quero pensar, Aline. Eu quero minha filha bem. Abaixo a cabeça e volto a chorar. Naquele momento, não quero saber se o que eu tiver que fazer será certo, errado, bonito ou feio. Não estou nem aí para o que alguém vai pensar de mim. É a minha filha. Minha bebê. A única pessoa neste mundo por quem eu pisaria no meu orgulho, esqueceria meus limites e faria o que fosse necessário.

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