O Limite de Beatriz

737 Words
Passaram-se alguns dias. Beatriz estava em casa, tentando colocar ordem em seus pensamentos, quando ouviu a campainha. Ao abrir a porta, viu Caio, com aquele sorriso insistente, tentando parecer arrependido. — Me perdoa, Bia… — disse ele, a voz carregada de falsa emoção — Eu te amo, eu errei, mas juro que não faço mais… Nosso casamento está chegando, e eu vou te fazer feliz. Beatriz o olhou com olhos frios, sem piedade. Cada palavra dele era como uma lâmina tentando cortar a paciência que ela já vinha cultivando. — Mentira — disse ela, firme — Se você não me faz feliz agora, Caio, no casamento será pior. Acabou. Caio, acabou tudo. Ele hesitou, tentando encontrar uma resposta, mas ela não recuou. Não havia choro, não havia súplicas, apenas determinação. Ela finalmente colocou limites, mostrando que não toleraria mais abusos, controle e manipulação. Do lado de fora, Bruno observava à distância, sem ser visto. Seu coração disparava. Ele queria entrar, confrontar Caio, gritar, arrancá-lo dali, proteger Beatriz de todas as formas. Mas ele ainda precisava manter o controle, ainda precisava ser invisível aos olhos dela, para não revelar a profundidade do amor que sentia. Mesmo assim, naquele instante, Bruno sentiu uma mistura intensa de orgulho e preocupação. Orgulho por ela finalmente se impor, e preocupação porque sabia que Caio poderia reagir m*l. Ele respirou fundo, prometendo a si mesmo: ninguém mais machucaria Beatriz, enquanto ele pudesse impedir. Beatriz fechou a porta com firmeza, sentindo o peso da liberdade recém-descoberta. Pela primeira vez, ela se deu conta de que precisava de alguém ao lado dela que realmente a valorizasse, que a respeitasse. E embora ainda não soubesse, Bruno já estava ali, sempre presente, sempre pronto para ser o apoio que ela precisava — silencioso, mas inabalável. Nos dias que se seguiram ao confronto com Caio, Beatriz começou a sentir o peso de tudo que vinha carregando. Cada olhar no espelho, cada gesto de Caio, cada regra absurda sobre comida ou aparência — tudo isso a deixava exausta. Bruno percebeu imediatamente. No trabalho, na lanchonete, ele observava seu rosto, o cansaço nos ombros, o olhar que tentava esconder a dor. Ele sabia que precisava estar mais presente, sem chamar atenção, sem revelar nada que pudesse assustá-la. Ele precisava ser o refúgio silencioso que ela ainda não sabia que precisava. — Bia — disse ele, um dia, quando ela parecia particularmente abatida — Você quer que eu vá com você até o trabalho? Pode ser só pra companhia. Ela olhou para ele, surpresa, mas sentiu um alívio imediato. — Ok… obrigada, Bruno. Eles caminharam lado a lado, o sol da manhã iluminando a rua, mas nenhum deles falou de Caio. Bruno mantinha o foco nela, no que ela precisava naquele momento: atenção, cuidado, presença. Ele notava cada detalhe — a forma como ela respirava, o jeito que suas mãos tremiam levemente, o esforço para manter a postura firme. Quando chegaram ao trabalho dela, ele percebeu marcas sutis nos braços, lembrando-se do que tinha visto dias atrás. Seu coração apertou, mas ele apenas sorriu, oferecendo força silenciosa: — Vai dar tudo certo hoje. Se precisar de algo, só me chamar. Ela assentiu, sentindo conforto em sua presença, sem suspeitar do quanto aquele homem carregava sentimentos profundos por ela. Bruno, por sua vez, prometeu silenciosamente que faria qualquer coisa para protegê-la. Ele ainda não podia confessar, mas cada gesto, cada palavra, cada sorriso era uma maneira de mostrar que estava ali para ela, custasse o que custasse. Durante a pausa do trabalho, Bruno trouxe algo simples: um suco que ela podia beber sem culpa, acompanhado de um sanduíche que ele sabia que ela realmente gostava. Ela sorriu, tocada, mas não percebeu que cada detalhe fora pensado por ele para protegê-la e fazê-la se sentir bem. — Obrigada, Bruno… — disse ela, o sorriso tímido iluminando seu rosto. — Você sempre sabe o que eu preciso. Ele apenas sorriu de volta, guardando para si o turbilhão de sentimentos que a presença dela despertava. Ele não podia revelar que a amava, mas podia cuidar dela, e isso já era mais do que suficiente, por enquanto. Enquanto ela voltava ao trabalho, Bruno observava, atento, silencioso, determinado: ninguém mais machucaria Beatriz enquanto ele estivesse por perto. E, em silêncio, ele sentia seu coração se apertar e se alegrar ao mesmo tempo, porque sabia que cada gesto dele aproximava os dois, mesmo que ela ainda não percebesse.
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