Chegaram à casa de Bruno, e Beatriz se acomodou no sofá, ainda um pouco abalada, mas aliviada por estar finalmente em um lugar seguro.
— Você quer jantar? — perguntou ele, com a voz calma, observando cada expressão dela.
— Tá tudo bem, Bruno — disse ela, tentando não incomodá-lo — Não quero te atrapalhar.
Ele sorriu, com aquele jeito tranquilo que a fazia se sentir protegida:
— Eu fiz um purê de batata, frango à milanesa e arroz soltinho.
Ela não conseguiu conter um sorriso tímido:
— Você sabe meu ponto fraco, né?
— Sei mais do que você imagina — respondeu ele, rindo — Vem.
Ele estendeu a mão, e ela a segurou, seguindo-o até a mesa.
— Senta aí que eu vou te servir — disse ele.
— Não precisa, Bruno, eu faço — respondeu ela, hesitante.
— Nada, linda — disse ele, sorrindo — Eu te sirvo, tá?
Ela riu, ficando quieta, deixando-se levar pela calma dele. Bruno colocou o prato na frente dela, depois sentou com o dele.
— Nossa, tá uma delícia, Bruno. Você cozinha melhor do que eu — disse ela, surpresa.
— Estou me aperfeiçoando — respondeu ele, rindo levemente — Pra quando eu casar.
Ela sorriu, divertida:
— Então essa mulher vai ser muito sortuda… porque você é incrível, Bruno. Carinhoso, dedicado, e parece ser muito romântico. Você é o oposto do Caio.
Bruno segurou a mão dela, o toque delicado e firme ao mesmo tempo, e disse baixinho:
— Ele mudou muito, né?
— Sim… muito — respondeu ela, com um suspiro — Na escola ele era incrível, mas depois que foi pra faculdade, piorou. Eu não fui, me senti inferior a ele… e então ele se sentiu ainda mais. E também tem família boa, né…
Ela olhou para ele, a voz trêmula, cheia de confiança:
— Bruno… você me ajuda a procurar uma casa pra mim? Eu não quero mais morar com minha mãe. Meu pai mora fora do país, e se eu fosse pra lá, a gente nunca mais se veria. Você é tudo que eu tenho.
Bruno apertou levemente a mão dela, sentindo o coração acelerar. Cada palavra, cada gesto dela, aumentava o peso do que ele sentia há anos. Ele queria dizer tudo, queria mostrar que a amava, que sempre esteve ali para protegê-la, mas sabia que precisava ser paciente. Por enquanto, bastava estar ali, perto dela, oferecendo segurança, carinho e atenção.
— Eu vou te ajudar, Bia — disse ele, com firmeza e ternura — Pode confiar em mim. Sempre.
Ela assentiu, segurando a mão dele com mais força, sentindo pela primeira vez que, finalmente, havia alguém que realmente se importava com ela, que a respeitava e a valorizava de verdade.
E Bruno, observando-a, respirou fundo. Por enquanto, ele guardaria seu segredo, mas a cada instante juntos, sentia que o coração dele estava cada vez mais preso ao dela — silencioso, intenso e impossível de ignorar.
Depois do jantar, Beatriz se levantou para lavar a louça.
— Ei, nada disso, mocinha — disse Bruno, indo até ela.
— eu lavo — respondeu ele, sorrindo levemente.
— Não, Bruno. — ela insistiu, tentando se justificar — Você já me deixou vir pra cá, você já me fez o favor de me acolher… por favor, deixa eu lavar a louça.
— Não. — disse ele, firme, com um sorriso discreto — Considere isso como um jeito de a gente se acertar.
Beatriz sorriu, sem entender muito o que ele queria dizer.
— Assim eu vou ficar acostumada — comentou, divertida.
— É isso que eu quero — respondeu ele, ainda sorrindo.
Ela balançou a cabeça, ainda sem compreender, e voltou para a cozinha. Depois de alguns minutos, se acomodou no sofá, pegando o controle da televisão.
— posso ligar — perguntou ela, rindo, tentando puxar um assunto leve.
— Claro… — respondeu ele
Ela ligou a TV, e começaram a assistir algo juntos, comentando cada detalhe. Beatriz olhou para ele, sorrindo:
— ele tava com pudim na mao ..
— minha sobremesa favorita — disse ela, rindo também.
— Nao tem como eu nao saber né— ele continuou, brincando —
— tem coisas que você sabe muito mais do que o próprio Caio. E ele ficava puto.
Bruno riu, divertido e orgulhoso por perceber o quanto ela confiava nele.
— Ele falava que você parecia mais meu namorado do que ele… — continuou Beatriz, lembrando das discussões passadas com Caio.
— E eu respondia… às vezes é porque ele presta mais atenção em mim do que você, né? — completou ela, rindo baixinho.
Ele riu também, percebendo a leveza daquele momento, o contraste com tudo que tinha vivido com Caio. A proximidade, os olhares, os toques discretos — tudo isso estava criando um laço silencioso e intenso entre eles.
Naquele instante, Beatriz sentiu algo que não sentia há muito tempo: confiança e conforto. E Bruno, ao vê-la sorrir, apertou levemente a mão dela sem que ela percebesse, sentindo seu coração se apertar. Cada gesto era cuidado, cada sorriso era proteção, e cada momento juntos fortalecia a conexão que ele guardava em silêncio há anos.