Uma Proposta de Proteção

1007 Words
De manhã, Beatriz acordou antes de Bruno. Olhou para ele, dormindo tranquilamente no sofá, e sorriu, sentindo uma pontada de carinho. Com cuidado, levantou-se e foi até a cozinha preparar o café da manhã. Fez ovos mexidos, preparou sanduíches, suco de laranja e até um bolinho de chocolate. Organizou tudo com capricho na mesa, o aroma preenchendo a cozinha. Depois, aproximou-se de Bruno e tocou de leve o braço dele: — Bruno… acorda. Ele abriu os olhos, ainda sonolento, sentou-se no sofá e sorriu: — Bom dia, Bia. — Bom dia. — respondeu ela, sorrindo de volta. Ele levantou-se e olhou para a mesa cuidadosamente preparada. — Uau… você fez tudo isso? — É um agradecimento por você ter me deixado ficar aqui ontem, por ter me dado sua cama — respondeu ela. — Por que você fez isso? Eu poderia ter dormido no sofá. — Você nunca vai dormir no sofá, princesa — disse Bruno, firme, mas com ternura. Ela sorriu e disse: — Obrigada, Bruno. Obrigada de verdade. — Agora vem, senta à mesa, eu vou te servir — disse ele. Eles se sentaram, e Beatriz começou a servir Bruno com cuidado e carinho. Entre os olhares, os sorrisos e as conversas leves, Bruno sentia seu coração acelerar. Por dentro, ele pensava: Tudo que eu sempre quis foi isso… tomar um café da manhã com ela, ver esses sorrisos, sentir que ela está bem… Ela é tão linda. Ela, no entanto, ainda não percebia o amor profundo que Bruno guardava por ela há anos. Quando terminaram de comer, Beatriz respirou fundo e disse: — Bruno… eu acabei de perceber que não te contei ontem o que aconteceu para eu ter vindo pra cá. — Verdade… você não me contou — disse ele, com cuidado — Mas se não quiser falar, não precisa. — Eu quero — respondeu ela, firme. Ela começou a contar: — Minha mãe veio me chamar atenção por eu ter terminado com o Caio… — O quê? — disse Bruno, incrédulo. — É… ela disse que ele é um homem bom, que vai cuidar de mim, me dar um futuro… — continuou Beatriz, com os olhos marejados — E eu discuti com ela, expliquei sobre o controle dele, as agressões… e ela disse que é normal. Que ela já apanhou também, e que eu teria uma vida boa ao lado dele. Bruno não conseguia acreditar. — Não acredito… — murmurou, a voz carregada de raiva e incredulidade. — Sim — disse Beatriz, uma lágrima escorrendo pelo rosto — É normal, Bruno. Minha própria mãe falou que é normal. Bruno segurou a mão dela, firme: — Bia… não é normal. Homens de verdade não encostam um dedo em mulher. — Eu sei… — ela murmurou, soluçando — Eu falei pra minha mãe que ele já é um monstro. Antes de casar já era… e depois que casar será pior. E aí minha mãe teve a audácia de me dizer que o pai dele ia me dar 200 mil se eu casasse com ele… Bruno levantou da mesa, a incredulidade e a raiva tomando conta dele. — O quê? — É isso mesmo que você ouviu — disse Beatriz, os olhos marejados — Minha mãe disse que precisa do dinheiro, que eu estou valendo 200 mil, e que tenho que casar com Caio daqui a alguns dias, porque ela já assinou tudo. O silêncio tomou a cozinha. Bruno sentia a fúria crescer, mas também o impulso de protegê-la de qualquer maneira. Cada palavra dela só reforçava o quanto Beatriz precisava dele — e o quanto ele estava disposto a ir longe para manter seu amor e segurança intactos. Bruno olhou para Beatriz, o rosto sério, a voz firme, carregada de emoção: — Bia… casa comigo. Ela arregalou os olhos, surpresa: — Ué… Bruno? Como assim… casa comigo? — Não precisamos fazer festa, não agora — explicou ele, respirando fundo — Vamos ao cartório, nos casamos, você vem morar aqui e fica livre do Caio. Ela franziu o cenho, hesitante: — Mas… vocês são melhores amigos. Eu não posso acabar com a amizade de vocês. — A amizade entre eles já tá abalada há anos — disse Bruno, firme — Bia, eu nunca aceitei a forma como ele te trata. Esse é o jeito de eu salvar você, Bia. Essa família dele tem muito dinheiro, até se você fugir, eles vão te achar… mas estando casada comigo, não. Casa comigo. Eu te protejo. Ela engoliu em seco, a insegurança tomando conta: — Bruno, mas… você vai me proteger como? Você vai correr perigo também. Você não tem tanto dinheiro quanto eles. Eles podem mandar seguranças, homens atrás da gente… machucar você. Eu não quero que você se machuque por minha culpa. — Bia — disse ele, aproximando-se, firme e seguro — Eu tenho dinheiro sim. Tenho condições de te proteger. Eu moro nessa casa porque gosto dela, porque é minha… mas tenho uma mansão, e se você quiser, podemos ir para lá. Ela piscou, incrédula: — Você tá falando sério? — Sim — respondeu ele, com toda a convicção — Eu vou te proteger, Bia. Casa comigo. Vamos no cartório, nos casamos, depois vamos à sua mãe, pegamos suas coisas e anunciamos pra ela que agora você é minha mulher. Ela engoliu a seco, surpresa com a audácia e a intensidade dele. — Isso parece loucura… — murmurou ela. — Mas é a loucura que oferece uma saída pra você — disse Bruno, com firmeza e ternura ao mesmo tempo — Eu não vou deixar que ninguém te machuque. Eu vou te proteger, custe o que custar. Beatriz sentiu o coração acelerar, o medo e a dúvida misturados com alívio e carinho. Por um instante, o mundo parecia parar. Ela sabia que, com Bruno, finalmente teria alguém que a respeitava, a amava e, acima de tudo, poderia protegê-la. E naquele momento, entre coragem e confiança, ela percebeu que talvez aquela loucura fosse exatamente o que ela precisava para se libertar de tudo que a aprisionava.
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