entre salada e constrangimento 2

512 Words
Beatriz terminou de comer em silêncio, ainda sentindo o gosto amargo do constrangimento e da frustração. Caio bufou, levantou-se e anunciou: — Vamos embora agora, Beatriz. — Não — disse ela firme — Eu vou terminar de comer e depois vou pro trabalho. Caio revirou os olhos, deu de ombros e saiu, deixando os dois sozinhos na mesa. Bruno suspirou, sentindo o peso da raiva e da impotência. Olhou para ela, preocupado: — Desculpa, Bia… desculpa por você ter que passar por isso na frente de todo mundo. Ela desviou o olhar, sentindo uma pontada de vergonha e tristeza: — Não precisava, Bruno. Eu não queria que você presenciasse isso. — Desde quando ele ficou paranoico assim? — Bruno perguntou, tentando entender — De onde tirou que você precisa emagrecer tanto? — Tem um mês e meio — respondeu ela, mexendo distraída na salada — Ele começou com isso de repente. Eu… eu sempre tive esse corpo. Nunca fui magra demais, mas também não sou gorda. Sempre fui assim desde o colegial. Agora, do nada, ele diz que estou acima do peso. Ele diz que tenho que perder 20 quilos em dois meses, pra casar. Comprou lingeries no tamanho PP… e eu tenho que caber dentro. Caso contrário, vou estar “feia” com gordura sobrando. Bruno sentiu a raiva subir, e seu peito se encheu de uma mistura dolorosa de proteção e desejo silencioso. Ele queria gritar, queria explodir contra Caio, mas sabia que não podia. Precisava manter a calma — e proteger Beatriz, mesmo que ninguém soubesse a extensão do amor que ele guardava por ela. — Não se preocupe com isso, Bia — disse finalmente, sua voz firme e baixa — Você está perfeita do jeito que é. E eu vou garantir que ninguém te faça sentir diferente. Beatriz olhou para ele, surpresa com a intensidade de suas palavras. Havia algo diferente naquele tom, algo mais profundo, mais próximo… algo que fez seu coração acelerar sem que ela entendesse exatamente o porquê. — Obrigada, Bruno — murmurou ela, com um sorriso tímido, ainda abatida, mas reconfortada por suas palavras. Eles saíram da lanchonete juntos, lado a lado, e o sol da tarde iluminava o caminho. Bruno sentiu cada passo ao lado dela como uma mistura de êxtase e tortura silenciosa: podia protegê-la, estar perto dela, mas ainda assim precisava esconder o que sentia. Enquanto caminhavam, ela falava sobre o trabalho, sobre pequenas coisas do dia a dia, e ele ouvia, atento a cada detalhe. Cada risada dela, cada gesto, cada olhar discreto em sua direção fazia seu coração disparar, mas ele permanecia contido, sorrindo de forma natural, invisível para ela. Ele queria poder abraçá-la, confortá-la, dizer que tudo ficaria bem… mas sabia que não podia. Ainda. Ele precisava ser o amigo leal, o confidente confiável, enquanto seu coração carregava um amor que queimava silenciosamente. E, mesmo assim, cada passo ao lado dela, cada momento de proximidade, deixava Bruno mais certo de uma coisa: ele faria qualquer coisa para protegê-la, mesmo que isso significasse guardar seu amor secreto para sempre.
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