Meu batimento cardíaco acelerou quando o avião pousou no JFK. Esta era a minha primeira vez tão longe de casa. Tudo era estranho, até o cheiro. Informei ao taxista o endereço de Gulliver, surpresa com seu painel decorado. Parecia um santuário saído de um filme de Bollywood. Os motoristas de táxi em Dublin às vezes tinham uma decoração ocasional, mas eu nunca tinha visto nada assim. Não pude deixar de me perguntar se uma das peças voaria em um acidente de carro e me empalaria.
Quando finalmente desviei o olhar das divindades coloridas, minha respiração ficou presa na garganta com o tamanho da cidade. Os arranha-céus se elevavam sobre nós, obstruindo minha visão do céu azul e lançando sombras nas calçadas. O táxi parou bem diante de uma velha igreja que parecia totalmente deslocada cercada por arranha-céus.
Eu paguei, ignorando seu olhar irritado quando lhe dei uma gorjeta de um dólar, e saí, pendurando minha mochila no ombro. A igreja parecia sombria no escuro, quase agourenta, mas a fachada de arenito e o caminho de pedra lisa por milhares de pés me lembravam mais de minha cidade natal do que qualquer outra coisa até agora nesta cidade grande demais.
Abrindo o portão, dei a volta no prédio, procurando por algo que se parecesse com uma entrada. Uma série de buzinas seguidas de gritos me fez pular. Dublin não era uma cidade tranquila, veja bem, mas Nova York era um ataque violento para o meu sistema nervoso.
Encontrei uma casinha ao lado da igreja com um sino e uma placa com o sobrenome de Gulliver abaixo: Killeen. Eu não sabia por que ver o nome me surpreendeu. Nós éramos uma família, mas eu não o via há muito tempo. Ele me receberia ou me mandaria embora?
Toquei a campainha. Depois de alguns passos atrás da porta, ela finalmente se abriu. Levei um momento para reconhecer meu tio. Nos muitos anos desde a última vez que o vi, ele ganhou cerca de dez quilos e sua linha do cabelo recuou, mas tinha o mesmo cabelo ruivo como eu. Suas sobrancelhas se franziram, então seus olhos se arregalaram com o reconhecimento. — Aislinn?
Eu balancei a cabeça e sorri sem jeito. — Essa sou eu. — Eu nunca briguei com ele. Mesmo que mamãe estivesse zangada com ele e vice-versa, isso não significava que não poderíamos nos dar bem.
— O que você está fazendo aqui? — ele perguntou, não necessariamente em uma forma de rejeição, mas eu ainda não havia sido convidada a entrar. Ele estava usando uma camiseta branca simples, calça social preta e chinelos confortáveis.
— Sua sobrinha não pode vir visitar seu único tio?
Ele balançou sua cabeça. — Mentir é um pecado, Aislinn. Você faria bem em se lembrar disso, mesmo que sua mãe viva uma vida pecaminosa.
A raiva cresceu dentro de mim. — Mamãe trabalhou duro a vida toda e conseguiu criar duas filhas sozinha.
— Ela não teria que fazer isso se tivesse permanecido fiel às nossas crenças e esperado até o casamento.
Eu não podia acreditar nele. Mas ele era minha única opção em Nova York. Estava ficando tarde e eu não queria vagar pela cidade procurando um lugar barato para ficar. — Você poderia tê-la ajudado.
— Ela não queria minha ajuda, e não fui eu quem fugiu daqui.
Suspirei. — Não estou aqui para discutir sobre mamãe.
— Por que você está aqui, então?
— Imogen, — eu disse, não com humor para bate-papo. — Ela desapareceu há três meses, algumas semanas depois de chegar a Nova York.
Gulliver balançou a cabeça com um suspiro. — Isso é o que eu suspeitava.
O vento aumentou e eu estremeci. — Posso passar algumas noites com você enquanto procuro por ela?
Gulliver parecia dividido. Ele me examinou da cabeça aos pés. O que ele estava procurando, eu não tinha certeza. Eu esperava que ele fosse mais receptivo, apesar de suas discussões com mamãe. Talvez eu fosse muito ingênua. — Sua irmã é muito parecida com sua mãe. Não estou surpreso que ela tenha se metido em problemas.
Eu o observei com expectativa. — Posso ficar?
Gulliver finalmente recuou e abriu a porta. Entrei no corredor estreito, as tábuas do piso rangendo sob meus pés. A casa não era grande, um lugar de dois quartos com uma cozinha aconchegante e uma pequena sala de estar. Gulliver me conduziu ao segundo quarto, que também servia de biblioteca. Todas as paredes, exceto o canto da cama, eram cobertas com estantes de livros do chão ao teto em madeira escura. A maioria dos tomos fazia referência à religião ou à história da igreja, e o cheiro de papel velho e poeira pairavam pesadamente na sala.
— Você pode ficar aqui, desde que não traga problemas à minha porta.
Como eu poderia causar mais problemas do que sua conexão com a máfia?
— Eu não vou. Assim que encontrar Imogen, voltarei para Dublin e poderá ter sua casa só para você novamente.
Talvez Imogen não queira ser encontrada. Ela fugiu da responsabilidade e de seus pecados, mas o pecado sempre encontra você, não importa para onde corra.
Joguei minha mochila na cama. — Não sei a que tipo de pecado você está se referindo. Espero que não esteja falando de Finn, porque ele não é um pecado.
Gulliver me olhou atentamente. — Sua irmã seguiu os passos de sua mãe, ficando grávida com apenas dezesseis anos. Vejo que conseguiu se poupar do mesmo destino. Espero que esteja esperando pelo casamento.
Cerrei os dentes contra uma resposta contundente. Como ele saberia se eu também tivesse um filho em Dublin? Como se pudesse ver “pecado” no rosto de uma pessoa. Ridículo. No entanto, Gulliver ainda era um padre, e fui criada para respeitar os membros da igreja. Ele provavelmente dançaria de alegria se eu admitisse que ainda era virgem. — Não sou melhor do que mamãe ou Imogen, porque elas não são ruins por f********o antes do casamento ou ter um filho em tenra idade.
A palavra sexo obviamente deixou Gulliver desconfortável quando ele desviou os olhos de mim. — Você deve estar faminta. Venha para a cozinha. Tenho um pouco de sopa de abóbora para você.
Eu estava com fome, então o segui em silêncio. Assim que me sentei no banco de madeira com uma tigela fumegante de sopa à minha frente, continuei meu argumento: — Você não deveria condenar mamãe e Imogen. Elas não machucaram ninguém. Elas criaram a vida e agiram por amor.
— Mais provável luxúria, — Gulliver corrigiu enquanto se sentava na minha frente com uma Guinness. Ele tomou um gole e se recostou, ainda me observando como se estivesse tentando localizar o pecado dentro de mim.
— Posso tomar uma Guinness também? — Eu perguntei, apontando para a lata.
— A idade para beber é vinte e um aqui.
Revirei os olhos. — Bebo cerveja desde os dezesseis anos, tio.
Não vou ficar bêbada com uma lata de Guinness.
— Enquanto estiver sob meu teto, você obedece minhas regras, Aislinn. Se não puder, pode procurar outro lugar para ficar.
— E quais são as suas regras?
— Sem homens, sem álcool, sem festas.
— Tudo bem para mim, — eu disse. Não havia tempo para festas, e agora que Patrick havia partido meu coração, eu também não tinha interesse em homens. E a ocasional Guinness depois do trabalho dificilmente contava como álcool. — Vou passar todo o meu tempo procurando por Imogen. — Estreitei os olhos pensativamente enquanto comia outra colherada da sopa insípida. Faltava tempero e a fatia de pão branco grudava no céu da boca. Uma pitada de sal, talvez um pouco de noz-moscada e canela, um pouco de aminoácido na sopa e uma lixeira para o pão serviriam. Se eu encontrasse um tempo, assaria um pão de soda. — Imogen se aproximou de você enquanto ela esteve aqui?
Ela apareceu na minha porta assim como você, parecendo ter toda a intenção de trabalhar nas ruas.
— Ela é uma modelo, — eu disse bruscamente. — Então ela esteve aqui, mas não ficou com você? — Imogen nunca mencionou falar com Gulliver, então presumi que ela não tentou vê-lo. Nossos poucos telefonemas nos primeiros dias depois que ela chegou aos Estados Unidos foram muito curtos e sem informações.
— Eu a mandei embora. Eu poderia dizer que ela já estava com a turma errada.
— Que tipo de turma?
Gulliver levantou-se e começou a limpar a panela de sopa. — Eu só ouvi rumores de que ela estava procurando patrocinadores para seus sonhos infantis.
— Ela tem potencial. Todo mundo sempre disse que ela poderia ser uma modelo de sucesso.
Gulliver não reagiu como se meu argumento não fosse digno de resposta.
— Onde ela estava procurando patrocinadores?
— É melhor você não seguir os passos dela. O que você pode encontrar não é para os fracos de coração.
— O que isso significa? — Levantei-me e levei a tigela até a pia. — Se você sabe de alguma coisa, tem que me contar. Por favor, tio. Ainda somos uma família. Ajude-me a encontrar minha irmã.
Gulliver pegou a tigela de mim e lavou-a com uma calma estoica, que me fez subir pela parede. Eu sabia que ele estava me testando, especialmente minha paciência, então me controlei e esperei que ele me dissesse o que quer que tivesse a dizer em seus próprios termos.
— Sua irmã escolheu o caminho mais fácil, como esperado. Em vez de trabalhar pelo seu dinheiro, ela escolheu procurá-lo em Sodoma.
— Sodoma? — Eu m*l consegui parar uma zombaria. Ele realmente usaria referências bíblicas para tudo que Imogen fez?
Gulliver balançou a cabeça. — Esse é o nome do lugar onde Imogen foi.
Eu nunca tinha ouvido falar desse lugar antes. — É em Nova York?
— É o nome que certos indivíduos usam para uma cidade não muito longe daqui. Uma cidade de pecado, não um lugar que eu iria por escolha. Ouvi dizer que sua irmã procurou a sorte no Doom Loop lá. É um lugar de almas perdidas.
— Almas perdidas que frequentam seu culto? — Eu perguntei sarcasticamente.
Considerando que ele morava no bairro irlandês mais antigo de Nova York, governado pelo segundo filho mais velho do clã Devaney, duvidava que tivesse deixado de ser o confessor da máfia irlandesa. Eu gostaria que mamãe tivesse sido mais direta com as informações. Eu não gostava de entrar em uma situação cegamente.
A expressão de Gulliver tornou-se cautelosa. — Muita gente frequenta. Você deveria também. Faria bem a você. Sua mãe evitava a igreja com muita frequência.
Vou à igreja amanhã, tudo bem? — Eu disse, esperando cair em suas boas graças. Tio Gulliver tinha contatos que poderiam ajudar na minha busca.
— Os irlandeses ainda confessam tudo para você, não é? — Se um deles estivesse ligado ao desaparecimento de Imogen, eles teriam confessado a Gulliver. Um arrepio gelado se espalhou pelo meu corpo pensando nisso. Mamãe esperava o pior, mas eu ainda tinha esperança.
— Fiz um juramento e não vou quebrá-lo.
— Um juramento perante Deus ou perante os Devaneys?
A expressão de Gulliver endureceu. — Sou um homem de Deus.
— Então me ajude. Diga-me se um dos mafiosos lhe confessou alguma coisa sobre Imogen!
— Estou vinculado ao meu juramento, Aislinn. Algumas coisas são mais importantes do que os assuntos terrenos.
— Ainda mais importante que a família?
— Até isso, — disse ele. — Você deveria ir para a cama agora.
O culto começa às nove.
Ele se levantou, dispensando-me. Levantei-me do banco e me arrastei para o meu quarto. Eu tinha ligado rapidamente para mamãe quando cheguei e, se dinheiro não fosse um problema, eu teria ligado de novo só para ouvir sua voz e me sentir um pouco mais perto de casa. Mesmo uma hora depois de afundar no colchão macio, eu ainda estava bem acordada. Eu dormi a maior parte do voo, então pousar em Nova York e estar aqui com o tio Gulliver agora parecia surreal. Um sonho do qual eu queria acordar o mais rápido possível, esperançosamente antes que se tornasse um pesadelo.
Tio Gulliver me acordou muito cedo para me preparar para o culto. Coloquei o único vestido bonito que tinha na mala, um vestido branco de verão com botões na frente. Atingia meus joelhos e as mangas tocavam meus cotovelos - casto o suficiente para ir à igreja. Segundo mamãe, isso me fazia parecer uma boa colegial católica. Eu também trouxe um cardigã branco combinando, mas deveria estar sufocante hoje, obviamente não uma ocorrência rara no início de setembro.
A igreja ainda estava vazia quando Gulliver me levou para dentro vinte minutos antes do culto. Ele desapareceu na frente para preparar tudo. Eu tremi de frio. O dia deveria estar quente, cerca de 32 graus Celsius, mas o calor confortável do lado de fora ainda não havia penetrado no interior da nave.
Escolhi sentar em um dos últimos bancos, principalmente para ter uma boa visão da congregação. Afundando no banco frio, cruzei as mãos no colo. Eu ia à igreja todos os domingos, sempre
sozinha, porque nem mamãe nem Imogen ligavam para a igreja católica. Isso acalmou a inundação furiosa dentro de mim. Eu encontrava grande consolo na ideia de que havia alguém cuidando de mim, especialmente quando estava sozinha em casa enquanto mamãe estava no trabalho e Imogen tinha fugido novamente.
Logo, os primeiros fiéis chegaram, fazendo o sinal da cruz e acenando com a cabeça em minha direção. Como esperado, havia um número ridiculamente alto de homens de ombros largos e cicatrizes com tatuagens aparecendo sob suas belas camisas sociais. Eles me examinaram da cabeça aos pés enquanto passavam, e suas expressões não eram adequadas para a igreja. Ou eles eram abertamente hostis — estranhos obviamente não eram bem-vindos — ou maliciosos. Ignorei a atenção deles e fingi estar concentrada na bíblia em meu colo — até que algo mudou na atmosfera. Era difícil de explicar, mas eu simplesmente tive que olhar.
Gulliver ainda dava as boas-vindas a todos os visitantes, mas seu comportamento havia mudado - ele se tornou submisso. Até aquele momento, ele havia convidado todo mundo para entrar, mas agora o homem que se elevava sobre ele fazia meu tio parecer um convidado em sua própria igreja, como se Gulliver tivesse que pedir permissão para estar ali.
Reconheci o homem pelas fotos do jornal.
Lorcan Devaney conversou com Gulliver com um sorriso benevolente que não alcançava seus olhos escuros e cautelosos. Ele era um homem alto e largo que parecia imponente em seu terno cinza, mas teria gerado o mesmo respeito se estivesse vestido com um agasalho. Sua tez era bronzeada pelo sol, combinando com seu cabelo castanho escuro. A barba por fazer em seu queixo e bochechas só aumentava seu charme rústico. Algumas pessoas pensavam que o sangue irlandês significava cabelo ruivo e sardas, mas o irlandês vinha em muitas formas, e muitas pessoas de cabelos escuros tinham sangue celta correndo por eles.
Se eu me lembrava corretamente das histórias que circulavam em Merchant's Arch, ele tinha acabado de fazer trinta anos e teve uma grande festa de aniversário em um pub no Bronx.
Seu olhar escaneou os bancos, e eu rapidamente abaixei minha cabeça, focando na Bíblia. Eu só podia esperar que sua atenção passasse por mim. Se ele achasse que eu estava interessada nele, só ficaria desconfiado. Mas se Imogen realmente procurou patrocinadores nos cantos errados, então a máfia irlandesa, especificamente o chefe de seu clã, Devaney, eram as pessoas que ela provavelmente teria abordado. O sigilo do tio Gulliver em relação às confissões que ele ouviu apenas aumentou minhas suspeitas.
Depois do culto, permaneci em meu lugar e observei Lorcan Devaney desaparecer no confessionário. Eu tive que abafar uma zombaria. Ele realmente achava que confessar tornava as coisas melhores? Esperançosamente, o comercio de indulgências era uma prática abandonada há muito tempo na igreja católica, mas quem poderia dizer quando Gulliver se curvou a máfia?
Levantei-me e caminhei discretamente para mais perto do confessionário. Era construído em pinho e manchado de vermelho escuro com três portas, cada uma encimada por um pequeno telhado. Lorcan havia desaparecido atrás da porta à direita. Havia espaço para outro penitente atrás da porta da esquerda, mas ninguém havia entrado na fila para se confessar. Talvez fosse uma regra não escrita que ninguém era permitido perto do confessionário no dia em que Lorcan confessasse. O lugar de Gulliver era no meio. Talvez essa fosse uma boa analogia para sua posição na vida em geral; ele foi pego entre dois bancos. Infelizmente, a porta do confessionário se abriu antes que eu pudesse chegar perto o suficiente para escutar, e Lorcan saiu. Meu tio também saiu do confessionário, e os dois olharam na minha direção — tio Gulliver com uma expressão de repreensão, mas o olhar de Lorcan continha uma intensa curiosidade enquanto examinava meu rosto. Sem tirar os olhos de mim, perguntou com voz grave: — Sua sobrinha, Padre?
— Sim, por favor, conheça Aislinn Killeen. — Ele fez sinal para que eu avançasse e, relutantemente, aproximei-me dos dois homens, intimidada pelo olhar penetrante do mafioso.
— Ela se parece com sua irmã quando era jovem.
Lorcan conhecia minha mãe? Enviei a Gulliver um olhar questionador, mas ele me ignorou.
— Ela herdou a aparência, mas felizmente não o temperamento ou a disposição pecaminosa.
Eu zombei. Tio Gulliver m*l me conhecia.
Lorcan assentiu. — Prazer em conhecê-la, senhorita Killeen. — Seu sotaque profundo enviou um - não totalmente desagradável - arrepio na minha espinha. Ele estendeu uma mão grande e forte coberta de cicatrizes. Hesitei brevemente, e sua boca se contorceu com uma expressão que tive dificuldade em decifrar. Eu tive que desviar o olhar do seu muito pessoal.
No momento em que minha palma tocou a dele, meu pulso acelerou e formigou da maneira mais confusa. Eu rapidamente me afastei e dei a ele um pequeno sorriso. — Aislinn está bom.
Seus lábios se torceram no que pensei ser um sorriso, mas nunca veio. — Aislinn então.
Gulliver nos observava como um falcão. Talvez ele desaprovasse minha interação com a máfia tanto quanto mamãe.
— Lorcan, precisamos partir em cinco se quisermos fazer a primeira reunião em Sodoma, — disse um gorila de um homem com um forte sotaque de Kerry. Seu cabelo loiro estava cortado rente e ele era muito musculoso. Eu o lhe daria em torno de cinquenta.
Lorcan assentiu e deu um passo para trás, permitindo-me respirar mais livremente. Sua presença era como um peso em meu peito.
— Você conheceu minha irmã? — Eu soltei antes que ele tivesse a chance de sair. Ignorando a expressão enfurecida de Gulliver, olhei apenas para Lorcan. Ele estreitou brevemente os olhos e se virou para Gulliver com um sorriso afiado que não era nada amigável. — Parece que os Killeens estão de volta para causar problemas em Nova York, hmm?
Gulliver riu nervosamente, sua mão segurando a maçaneta da porta de madeira. — De jeito nenhum, de jeito nenhum, Lorcan. Minha sobrinha está aqui para receber orientação moral e renovar os laços familiares, nada mais.
— Claro, — Lorcan falou lentamente, e com um olhar introspectivo em minha direção, ele se afastou. Eu tive que lutar contra o desejo de abaixar minha cabeça.
No momento em que Gulliver e eu ficamos sozinhos, ele agarrou meu braço. — Você perdeu a cabeça?
— Eu só perguntei sobre Imogen. Isso não é crime, certo?
Gulliver balançou a cabeça, seu rosto ficando cada vez mais vermelho. — Não é um crime, mas uma tolice. Agora Lorcan sabe que você está procurando por sua irmã.
— Eu não disse que estava procurando por ela. Se ele sabe que estou procurando por ela, significa que sabe que ela está desaparecida.
Os lábios de Gulliver se contraíram. — Não irrite Lorcan, Aislinn, confie em mim.
— Eu só quero encontrar Imogen. Isso é tudo, — eu disse com um encolher de ombros. — Talvez eu devesse ir até Sodoma hoje se Lorcan vai estar lá.
— Sodoma não é um lugar onde você simplesmente passeia. Mesmo que sua irmã tenha ido lá, você não deve seguir o mau exemplo dela. Nada de bom vem de colocar os pés em Sodoma. É um lugar impiedoso, Aislinn. Apenas almas perdidas vagam por lá. — Suponho que você conheça a maioria delas. É um centro de negócios para os irlandeses também, certo?
Gulliver olhou em volta para se certificar de que estávamos sozinhos na igreja. — Os irlandeses e outras organizações também.
— Imogen poderia ter ido lá para encontrar um agente?
Gulliver bufou. — As pessoas vão lá para encontrar drogas, dinheiro, armas.
— Talvez Imogen tenha ido lá para pedir dinheiro emprestado para suas fotos. Fotógrafos de modelos são caros, afinal.
Gulliver não disse nada — isso só podia significar que eu estava no caminho certo.
— Não vá para Sodoma, Aislinn. Mesmo minhas orações não irão protegê-la lá.
— Obrigada, tio, mas eu posso cuidar de mim mesma.