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3376 Words
AINSLINN Eu me sentei em nossa pequena mesa da cozinha no escuro, apenas as luzes da rua abaixo entrando. Algo me dizia que Imogen estava em apuros. Imogen tinha uma tendência a escolher os homens errados. Mamãe sempre dizia que era uma das poucas coisas que herdara dela. Considerando o que Patrick admitiu ontem, eu parecia ter herdado essa característica também. A porta rangeu quando mamãe voltou do trabalho nas primeiras horas da manhã, cheirando a cerveja derramada e fumaça. Ela congelou quando me viu na mesa. — Por que você está acordada? Há algo de errado com Finn? Eu balancei minha cabeça. — Ele está dormindo. Já faz horas. Mamãe colocou uma pilha de moedas e notas sobre a mesa. Como de costume, os clientes, principalmente homens, deram gorjetas mais do que generosas. Aos trinta e seis anos, mamãe parecia que também poderia desfilar nas passarelas do mundo. As mulheres lhe davam boas gorjetas porque ela era uma moça jovial cuja risada barulhenta era contagiante e as fazia esquecer como ela era bonita. Ela se sentou na minha frente, franzindo a testa. — O que foi, Aislinn? Eu conheço essa expressão. — Eu preciso procurar por Imogen. Preciso saber se ela está bem. Mamãe começou a balançar a cabeça, puxando seu cabelo castanho – tingido desde que eu conseguia me lembrar porque ela não gostava de seu loiro avermelhado como Imogen – em um r**o de cavalo. — Aislinn… Já tivemos essa conversa várias vezes antes. Mamãe não queria que eu partisse. — Não tente me convencer do contrário, mãe. Você não está preocupada com Imogen? Mamãe suspirou, olhando para as próprias mãos. Suas unhas estavam lascadas e ela começou a cutucar as pontas, tirando ainda mais o esmalte. — Claro que estou, mas estou ainda mais preocupada com a verdade. — Então você também tem um mau pressentimento? — Como não poderia? Você conhece Imogen. Ela é muito parecida comigo quando eu tinha a idade dela, sempre escolhendo o cara errado. Eu balancei a cabeça. Imogen tinha mau gosto para homens. Casados. Muito mais velhos. Na maioria das vezes, criminosos ou perdedores. — Você não namora desde que me lembro, mamãe, então não posso garantir seu gosto por homens. Mamãe me dispensou. — Eu não quero um homem na minha vida. Eles não são nada além de problemas. Revirei os olhos, mas meio que entendi. Antes de Patrick, eu tinha ficado longe dos homens exatamente por esse motivo. Eu não tinha certeza se tinha herdado o mau gosto para homens também. Agora, é claro, eu sabia que tinha. Eu não tinha tempo para ninguém de qualquer maneira. Trabalho, Finn e tarefas domésticas ocupavam a maior parte do meu tempo. Sem mencionar que ainda arranjava tempo todos os dias para melhorar minhas habilidades culinárias na esperança de um dia abrir nosso próprio restaurante. — Tenho dinheiro suficiente para pagar uma passagem só de ida para Nova York e algumas noites em um albergue barato. Ela fez uma pausa. — E Patrick? O que ele disse sobre você partir? Eu ainda não tinha contado a mamãe sobre a separação. Ela estava exausta quando voltou para casa tarde da noite, e eu não queria sobrecarregá-la com meus problemas. Minha expressão deve ter me traído. Os olhos de mamãe se arregalaram. — O que está errado? O que ele fez? — Mamãe nunca foi a maior fã de Patrick, isso e sua desconfiança geral em relação aos homens naturalmente a fizeram supor que ele tinha feito alguma coisa, e estava certa pela primeira vez. — Ele me traiu, — eu disse. A raiva torceu os lábios de mamãe. Eu poderia dizer que ela queria dizer algo realmente horrível, mas era uma daquelas pessoas que preferiam não dizer nada se não houvesse nada de bom para dizer. — Você terminou com ele? Dei de ombros. — Sim. Bem, tipo isso. Ele me pediu para pensar em minha viagem aos Estados Unidos como uma pausa e nos dar outra chance quando eu voltar. — Caramba, não me diga que você concordou com essa bobagem. Esse é o código masculino para querer trair sem trair. — Eu não concordei. Eu não disse nada. Eu pedi para ele sair. — Não dê a ele outra chance. Uma vez traidor, sempre traidor, acredite em mim. — Eu sei, mãe. — Meu pai a traiu repetidamente, e mamãe o perdoou várias vezes - até que finalmente parou e ele foi embora. Eu não o via desde então. Isso foi há quatorze anos. — Não quero pensar nele agora. Tudo o que quero focar é Imogen e como encontrá-la o mais rápido possível. Mamãe deu um aceno conciso. — Você pode precisar de mais do que alguns dias para encontrar sua irmã e também precisa de uma passagem de volta. Você sabe que não posso gastar dinheiro, não com as taxas de juros horríveis e a terapia com cavalos de Finn. Pagamos do nosso próprio bolso a fisioterapia de Finn com cavalos; não era incluída nos cuidados de saúde pública. Mesmo que não tivéssemos certeza se ajudaria com seus espasmos, isso o deixava mais feliz e reduzia sua gagueira, então era um dinheiro bem gasto. — Vou encontrar trabalho em Nova York. Eles precisam de garçonetes lá também, certo? — Então você vai precisar de um visto de trabalho, Aislinn, e isso é caro. Eu mordi meu lábio. Eu não tinha pensado nessa parte. — Tenho certeza de que existem empregadores que não se importam com vistos. Mamãe balançou a cabeça. — Você não é uma garota que causa problemas. Não comece agora. Não vá pela rota ilegal. Não leva a lugar nenhum. — Mãe, eu preciso saber o que aconteceu com Imogen. Não posso simplesmente fingir que está tudo bem. — Talvez ela queira cortar todos os laços conosco e com a Irlanda. — Talvez, — eu emendei. Eu gostaria de poder dizer que tinha certeza de que Imogen não faria isso, mas ela era uma fugitiva. Ela fugia de tudo que lhe causava angústia. — Se ela não nos quiser em sua vida, então posso tentar seguir em frente. Mas de qualquer forma, preciso saber. — Eu não tinha certeza se realmente poderia. Imogen e eu não tínhamos muitas coisas em comum, mas eu a amava do mesmo jeito. Sem mencionar que não queria que Finn crescesse sem sua mãe biológica, mesmo que mamãe e eu o criássemos sozinhas. No passado, quando mamãe passava as noites trabalhando para pagar o aluguel, Imogen e eu nos amontoávamos na mesma cama e nos protegíamos do escuro. Era para isso que serviam as irmãs. Mamãe desviou o olhar, os lábios cerrados. — Você se lembra de Gulliver? — Tio Gulliver? — Perguntei. Ele era uma memória distante. Alto e ruivo, do mesmo tom do meu cabelo. Eu tinha cinco ou seis anos quando ele nos visitou pela última vez. Ele e mamãe brigaram ruidosamente e nunca mais o vi. — Sim, — mamãe sussurrou. Quando ela olhou para cima e encontrou meu olhar, a ansiedade encheu seus olhos verdes. — Ele também está em Nova York, liderando a paróquia irlandesa de lá. — Certo, ele é um padre, — eu disse e fiz uma pausa. — Imogen foi até ele também? Mamãe engoliu em seco. — Gulliver e eu não nos falamos. Ele acha que sou uma pecadora. — Você pelo menos não tentou por Imogen? Mamãe franziu os lábios, obviamente não gostando do meu tom indignado. — Claro que tentei. Eu faria qualquer coisa por vocês, garotas, e pelo Finn. — Ela engoliu em seco. — Não conversamos muito, mas ele me disse que ela foi vê-lo. — Mamãe torceu as mãos. — Isso é bom, certo? — Se Gulliver a ajudasse, ela poderia estar bem. Como padre, ele provavelmente tinha os contatos certos para garantir que Imogen não tivesse problemas. — Ela dormiu na casa dele? — Não, — mamãe cortou. Então, em um tom mais suave, acrescentou: — E isso não é bom, Aislinn. Nada bom. Esperei que ela dissesse mais e fizesse sentido. Mamãe era seletiva ao compartilhar informações sobre o passado. Mamãe se levantou e enfiou a mão no bolso de trás como se estivesse procurando o maço de cigarros, mas havia parado de fumar há mais de dois anos. Agora, eu estava muito nervosa. — Gulliver é o confessor do clã Devaney. Minha boca se abriu. — O que? Mamãe balançou a cabeça. — Eu nunca quis que você soubesse. Mas se for a Nova York, não pode ir às cegas. Você deve ficar longe de Gulliver. — Tio Gulliver está envolvido com a máfia irlandesa? Todos em Dublin conheciam o nome Devaney. O clã deles governava o submundo da cidade. Verdade seja dita, a influência deles em toda a Irlanda também era enorme. Certa vez, eu tinha visto um de seus cobradores de dívidas no Merchant's Arch durante um de meus turnos. Eles estavam coletando dinheiro pela “proteção”, principalmente deles. — Eu não sabia que o clã Devaney também estava em Nova York. Mamãe parecia cada vez mais desconfortável, o que, por sua vez, me deixou cada vez mais curiosa. Sempre mantivemos distância dos Devaneys e de todos os envolvidos com eles. Levávamos uma vida mundana, longe de problemas. Não que eles tivessem algum interesse em nós. — Lorcan Devaney, o segundo filho de Devaney Sênior, governa o clã lá, — mamãe disse, e me perguntei como diabos ela sabia. Ela deve ter visto as perguntas girando em meus olhos. — Seu tio mencionou isso. As palavras saíram apressadas e mais altas do que seu tom habitual. Desconfiada, estreitei os olhos. — Você acha que Imogen se envolveu com a máfia por causa de Gulliver? — Eu perguntei, alarmada. Mamãe deu de ombros. — Você conhece Imogen. Droga. — Não, ela não seria tão imprudente... certo? — Se eles balançassem a cenoura certa na frente de seu rosto, ela tentaria dar uma mordida. Mamãe não disse nada. Levantei-me e andei pela nossa pequena cozinha. As tábuas do piso rangiam a cada passo. Lá fora, alguém gritou algo ininteligível. — Mas se for esse o caso, é ainda mais importante para mim encontrá-la. Talvez ela precise de ajuda para se livrar de problemas. — Ou talvez ela só vá colocá-la em problemas com ela, Aislinn. — Isso mudava muitas coisas e me dava uma liderança que eu não tinha antes. Uma nova esperança cintilou dentro de mim, mesmo que a notícia sobre a máfia não fosse uma boa notícia, por assim dizer. — Jure que você não irá até seu tio. Jure pela minha vida. — Mãe... Mamãe entrou no meu caminho e agarrou pelas mãos. — Jure. — Não posso. Se Gulliver souber onde Imogen está, terei que falar com ele. O aperto de mamãe em minha mão aumentou ainda mais. — Não se aproxime do clã Devaney, mesmo que o rastro de Imogen leve até lá. — Mãe, não seja dramática. Tenho certeza de que Imogen está bem e não está envolvida com a máfia. — Apertei os lábios em contemplação. — Talvez o tio Gulliver conheça um lugar onde eu possa trabalhar sem visto de trabalho. Os olhos de mamãe se arregalaram em alarme. — Não. — Mãe… Ela se virou e saiu. Minhas sobrancelhas se ergueram. Mamãe não era alguém que fugia de um conflito. Segui o som de vasculhar no quarto de mamãe. Ela estava puxando um baú de madeira do fundo de seu guarda-roupa quando entrei. — O que você está fazendo? — Eu perguntei, confusa. O baú estava coberto de poeira e a fechadura enferrujada. Ninguém o abria há muito tempo. Os dedos de mamãe tremeram quando ela abriu o baú. Pilhas de cartas estavam dentro. Empurrando-as para o lado, ela tirou um passaporte. Ela o estendeu para mim. Quando me aproximei, percebi que era um passaporte americano. Eu olhei para ele com uma carranca. — Pegue, — mamãe sussurrou. Peguei da mão dela e abri. Meus olhos se arregalaram quando li o nome da pessoa a quem pertencia o passaporte: Aislinn Killeen Olhei para mamãe. — Isso é falso? — Não, — mamãe disse, com os olhos cheios de desespero. Eu balancei minha cabeça. — Eu não entendo. Eu... — Engoli em seco. — Eu achei que era irlandesa. — Você é. Mas também é americana. — Como… eu não posso… Mamãe afundou na cama macia e deu um tapinha no local ao lado dela. Eu me sentei, meu coração batendo descontroladamente no meu peito. — Você sabe quando te disse que meus pais morreram quando eu era apenas uma adolescente? Eu balancei a cabeça. Embora mamãe raramente falasse sobre eles também, ela mencionou sua morte uma ou duas vezes. — É verdade que o tio Gulliver cuidou de mim desde os quatorze anos. Ele trabalhou na paróquia irlandesa em Nova York por um tempo, e quando tive que morar com ele, isso significou me mudar para Nova York. — Gulliver era doze anos mais velho que mamãe. Eu sabia que ele tinha cuidado de mamãe por um tempo, mas não que ela tinha morado nos Estados Unidos com ele. Quantos segredos mais ela escondeu de mim? — Eu não fui muito honesta sobre meus pais, no entanto. Eu não me dava bem com eles, então fui morar com meu irmão. Eles esperavam que ele me colocasse na linha para o futuro. — Eles estão vivos? Mamãe fechou os olhos brevemente. — Não sei. Cessei todo contato com eles e com Gulliver há mais de uma década. Eu estava atordoada. Eu não podia acreditar que mamãe havia mentido sobre algo que me envolvia. Ela manteve meus avós longe de mim! — Seu tio sempre teve ligações com a máfia. Quando ele se mudou para os Estados Unidos, imediatamente começou a trabalhar com a máfia irlandesa de lá, tornando-se seu confessor. Mamãe fez uma pausa, parecendo cada vez mais desconfortável. — Você e sua irmã nasceram enquanto eu ainda morava nos Estados Unidos. Só voltei para a Irlanda quando você tinha dez meses. Eu pisquei. — Por favor, não me diga que meu pai fazia parte da máfia irlandesa. Mamãe riu. — Ele era apenas um marginal comum que desejava fazer parte da máfia irlandesa. — Mamãe fez uma pausa, e percebi que ela estava escondendo coisas de mim novamente. — Mas devido à conexão de seu tio, entrei em contato com o clã Devaney na ocasião, e confie em mim, você não quer se envolver com eles. Não peça dinheiro ou ajuda a eles. Não importa o que seu tio diga, fique longe deles. Eles podem parecer a solução mais rápida ou fácil para encontrar sua irmã, mas acredite em mim, o caminho mais longo é a única opção válida. Eu balancei a cabeça, não tanto porque pretendia prometer a mamãe o que ela queria, mais para indicar que estava ouvindo. Eu não tinha intenção de pedir ajuda a nenhuma figura obscura, mas se os Devaneys fossem o único caminho até Imogen... O nome Devaney era famoso em Dublin. Agora a insistência de mamãe em nunca me aproximar de nenhum dos homens Devaney fazia ainda mais sentido. Não fiquei realmente surpreso que o nome também tivesse força em Nova York. — Você e o tio Gulliver brigaram porque ele estava trabalhando com a máfia? Mamãe bufou. — Trabalhando com esses monstros, seu tio perdoa o imperdoável diariamente, mas não pode me perdoar por ter engravidado fora do casamento. Eu já tinha ouvido a história antes. O ressentimento de mamãe em relação a Gulliver só aumentava enquanto lutávamos para manter a cabeça no lugar em Dublin. Ele não era rico, mas tinha muito mais dinheiro do que nós e a maioria dos padres, o que agora podia ser explicado por sua associação com os Devaneys. Essas novas descobertas não fizeram nada para diminuir minhas preocupações. Se alguém prometesse a Imogen um caminho rápido para a fama, mesmo que fosse um Devaney, ela aceitaria. O rio Liffey corria sob meus pés enquanto eu estava na ponte Ha'penny. O Liffey era uma constante na minha vida, algo que nunca mudou. Sempre que vinha aqui, ele acalmava quaisquer preocupações que me atormentassem. Eu amava minha cidade natal, tudo, desde suas ruas de paralelepípedos até o som da música folclórica irlandesa saindo dos pubs para as ruas. Eu sentiria falta disso, até mesmo dos turistas barulhentos e do fedor de vômito e cerveja derramada em todos os cantos do bairro de Temple Bar. Fechando os olhos, respirei fundo outra vez. Ao contrário de Imogen, eu nunca quis deixar nossa cidade natal para trás, pelo menos não por mais do que umas férias curtas, mas ela queria conhecer o mundo, sempre em busca de algo maior e melhor. Agora, a estava seguindo para a cidade grande que não tinha nada que eu quisesse, para salvá-la, possivelmente de um destino que ela nem queria ser salva. Juntei a maior parte do dinheiro extra que ganhei nos últimos dois anos servindo mesas no Merchant's Arch para uma passagem só de ida para os Estados Unidos. O que sobrasse teria que comprar uma passagem de volta para mim. Se eu não encontrasse um emprego rapidamente, não teria um único centavo para um hotel ou albergue. Se o tio Gulliver não me acolhesse, eu ficaria presa na rua. Mamãe podia não gostar, mas ele era minha melhor opção, confessor da máfia ou não. Finalmente arrumei minha mala na noite anterior à partida para os Estados Unidos. Eu adiei até então porque tolamente esperava que Imogen ligasse ou até mesmo aparecesse na nossa porta, mas é claro que ela não ligou. Meu voo sairia de manhã, então eu precisava arrumar tudo. A porta rangeu. Eu me virei para encontrar Finn enfiando sua cabeça loira para dentro. Ele olhou para a mala com apreensão. — E ai, como vai? Você quer que eu coloque outro episódio de Peppa Pig para você? Mamãe havia saído para o trabalho duas horas atrás e eu não tinha outra opção a não ser sentar Finn na frente da TV para que pudesse fazer algum trabalho. Ele deu um pequeno aceno de cabeça e continuou olhando para a minha mala, que estava amontoada de roupas. Eu ainda pretendia dobrá-las e classificá-las em categorias, mas provavelmente acabaria fechando a mala para acabar com isso. — Vvvv-você va-va-vai vvvv-voltar para nós? — Finn sussurrou. O fato de ele gaguejar na minha presença mostrava o quanto esse assunto o incomodava. Eu o puxei contra mim. — Claro, eu voltarei. Por que você perguntaria algo assim? — Imogen pppp-partiu, e meu ppppp-pai nunca me quis. Meus olhos queimaram. — Ah, Finn. Imogen ficou presa em Nova York e ela precisa da minha ajuda para voltar para você, é por isso que estou indo, e você sabe que não posso ficar sem meu bichinho por muito tempo. — Eu o abracei com muita força e beijei sua bochecha. — Vou te ligar com frequência, ok? E antes que você perceba, estarei de volta com Imogen. Eu realmente esperava que fosse verdade. Eu não gostava de mentir para Finn, mesmo que fosse para consolá-lo. Eu nem tinha certeza se Imogen queria ser encontrada e se quisesse, ela consideraria voltar para Dublin? Ela nunca aceitou seu papel de mãe e, embora tentasse passar mais tempo com Finn, sempre fora mais como uma irmã para ele. Será que ela se importaria se eu dissesse que ele sentia sua falta? Ela provavelmente não acreditaria em mim, a fim de proteger a si mesma e sua visão do futuro. Às vezes isso me deixava muito brava, mas então me lembrava de como Imogen parecia feliz antes de partir para Nova York. — Você vai me ajudar a separar minhas meias? Eu não posso fazer isso sozinha. Finn se afastou, arrastou a manga sobre o nariz e assentiu. Ele adorava me ajudar nas tarefas e era sempre uma boa maneira de distraí-lo quando estava triste ou chateado. Com a língua presa entre os lábios em total concentração, ele começou a empilhar meias e collants em um canto da mala. Lágrimas queimaram meus olhos. Isto era apenas um adeus de curto prazo, mas eu ainda estava inexplicavelmente triste.
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