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1425 Words
AISLLIN — O número que você está tentando ligar não está mais em serviço. — Bip. — Nenhuma conexão sob este número. — Bip. Eu finalmente abaixei o telefone e o coloquei no meu colo. Eu tentei ligar para Imogen pelo que parecia ser a centésima vez nos últimos dois meses. Nada. Sempre nada. Nas primeiras semanas, não me preocupei muito. Imogen era imprevisível e às vezes se esquecia de tudo menos de si mesma, mas sempre ligava ou mandava mensagem depois de um tempo. Fiquei com raiva quando ela nem ligou para desejar feliz aniversário a Finn; Mamãe e eu conseguimos distraí-lo com uma fartura de bolo de chocolate, presentes e uma visita ao zoológico. Dois meses sem nenhuma palavra era demais até para minha irmã. Algo estava acontecendo, e meu instinto me dizia que não era bom. Olhei pela pequena janela do nosso apartamento logo acima do restaurante e bar Merchant's Arch, onde mamãe trabalhava como garçonete nos últimos cinco anos - era o restaurante dela antes disso, mas as dívidas do passado de meu pai finalmente nos alcançaram e ela foi forçada a abrir mão da propriedade. Agora tudo o que restava de seu sonho era um monte de dívidas. Tivemos sorte de Sean, o novo proprietário, ser um amor e gostar de mamãe. Essa ligação — ou a falta dela — apenas confirmou minha decisão, uma que tomei semanas atrás, quando minha preocupação com Imogen se transformou em medo. A campainha tocou e fechei meu laptop antigo. Eu estava planejando assistir ao mais novo vídeo de culinária de um dos meus chefs favoritos no caso de Patrick me dar um bolo novamente. Sean deu o laptop para mamãe quando comprou um novo Macbook um ano atrás. Se não fosse por ele, ainda estaríamos presas com nosso computador de dez anos. Levantei-me da mesa da cozinha e olhei para o beco abaixo já cheio de festeiros. Como de costume, Patrick chegou atrasado. Na maioria das vezes, apenas assistíamos TV juntos, porque eu tinha que ficar com Finn, e Patrick estava sempre com pouco dinheiro. Ele apareceu usando jeans largos com sua cueca boxer aparecendo na parte de cima, e tive que morder minha língua. Ele sabia que eu odiava o visual, mas seus amigos o usavam e ele também, embora o fizesse parecer mais jovem do que seus dezenove anos. Sua tentativa de deixar a barba crescer, que até agora só resultou em mechas loiras nas bochechas, no queixo e acima do lábio superior, não ajudava. Sua expressão era tensa, quase parecendo culpada, quando ele entrou depois de um beijo rápido. Senti cheiro de cerveja em seu hálito, o que provavelmente foi o motivo de seu atraso. Ele se jogou no sofá e ligou a TV sem dizer uma palavra. Eu afundei ao lado dele. — Podemos conversar? — Claro, — disse ele. Sua voz soou distante. Ele não desviou o olhar da TV. Suspirei. — Ainda não consegui falar com Imogen, então vou seguir meu plano. Ele me deu um olhar confuso. — Que plano? — Aquele sobre o qual venho falando há duas semanas, — murmurei. — Sobre eu voar para Nova York para procurá-la. Ele acenou com a cabeça, mas eu podia dizer que ele não estava ouvindo quando lhe falei sobre meu plano. Sua atenção estava de volta para a TV. — Pode levar várias semanas até eu voltar, — eu disse me desculpando. Nosso primeiro aniversário estava chegando e eu me sentia culpada por ter que perdê-lo. Patrick coçou a cabeça e me deu um olhar tímido. — Talvez seja bom para nós ficarmos um pouco separados. Minhas sobrancelhas se ergueram. Estávamos namorando há menos de um ano e ele precisava de espaço? Ele olhou para os tênis. — Eu queria te dizer da última vez, mas não sabia como... sabe, quando saí com os meninos na sextafeira passada? Balancei a cabeça, lembrando-me de tê-lo visto na tarde seguinte, ainda fedendo a cerveja e bastante embriagado. — Eu meio que brinquei com outra mulher. — O que? — Eu estava bêbado e ela deu em cima de mim. Quase não me lembro de nada. — O que você quer dizer com brincou? — Eu perguntei, tentando manter minha voz baixa porque Finn estava dormindo no quarto ao lado. — Eu transei com ela. Por trás da culpa, detectei o brilho de orgulho e entusiasmo em sua voz, que também se refletia em seus olhos castanhos. Eu me senti doente. Patrick e eu passamos um tempo juntos e até nos beijamos logo depois que ele me traiu. Eu o forcei a tomar banho para ficar sóbrio e lavar o fedor para que eu não vomitasse. Fiquei de pé, tentando não enlouquecer. — Você deveria ter me contado imediatamente! — Eu não queria te chatear. — Não, você esperava que pudesse t*****r comigo também, — eu rosnei. Ele tentou me convencer a dormir com ele naquele dia, e se não estivesse bêbado, eu poderia ter considerado isso. Eu estava me sentindo perdida desde que Imogen partiu e queria conforto. E pensar que eu acreditava que Patrick poderia me dar isso me deixou ainda mais furiosa. — Talvez seja o melhor, sabe? Eu conversei com os meninos. Estamos juntos há onze meses e você me fez esperar todo esse tempo. Eu tenho desejos. Minhas bolas estão azuis. — Estavam, — eu corrigi após o nó na minha garganta. — Estavam azuis. Não se esqueça da garota com quem você transou. Não mencionei que tínhamos conversado sobre meu desejo de esperar e Patrick fingiu entender meu raciocínio. Meu olhar voou para o corredor, meio que desejando que Finn entrasse e interrompesse a conversa. Lágrimas pressionavam contra minhas pálpebras. Eu não podia acreditar que quase tinha desistido da minha virgindade por um i****a como Patrick. — Sim, estavam, — Patrick concordou, novamente com uma pitada de entusiasmo. — Disseram que é natural querer abrir as asas como homem, sabe? É a testosterona. Eu quase me perdi. Onde estava sua testosterona toda vez que eu tinha que tirar uma aranha do teto porque você não gosta delas? E quando deixou aqueles turistas de Glasgow baterem na minha b***a sem dizer uma palavra porque eram muitos para você enfrentar? — Acho que é isso, então, — eu disse, surpresa com o tom sem emoção da minha voz. Os olhos de Patrick se arregalaram em alarme. Ele fez menção de me abraçar, mas desviei a tentativa. Eu não queria seu toque. — Aislinn, ainda me importo com você e não quero terminar. Só acho que preciso de uma pequena pausa. Assim posso extravasar, viver um pouco sem te machucar, certo? E então, quando estivermos juntos novamente, estarei relaxado o suficiente para esperar um pouco mais. Só vai demorar um pouco mais, certo? Eu olhei para ele. Ele estava falando sério? Ele realmente achava que eu voltaria e realmente dormiria com ele? — Talvez eu abra minhas asas durante nosso intervalo também. Patrick realmente riu. — Eu sei que você não é o tipo de garota que dorme com qualquer cara. Você quer esperar o momento certo com o cara certo. Ele soou como se ainda acreditasse que era esse cara. — Então você vai t*****r com todas as garotas que quiserem durante nosso intervalo enquanto eu procuro minha irmã e penso em nosso reencontro? — Eu também vou sentir sua falta, mas é o melhor. Meu sarcasmo foi perdido por ele. Não é que eu nunca tenha imaginado como seria f********o, mas as experiências de mamãe e Imogen me afastaram da ideia de f********o. Eu sabia tudo sobre contracepção, mas na minha cabeça, o sexo tinha consequências ruins. Eu nunca sonhei em dormir com Patrick, mas às vezes fantasiava sobre uma celebridade ocasional ou herói de um romance. Sexo nunca foi importante o suficiente para eu dar a ele mais do que um pensamento fugaz, e os beijos e toques de Patrick não eram agradáveis o suficiente para me convencer a desistir do meu plano de esperar pelo menos um ano antes de dormir com um homem. Eu tinha tomado a decisão de dormir com Patrick antes do meu voo para Nova York, mais por um dever necessário do que pelo desejo do meu corpo. Agora me sentia quase aliviada por Patrick ter me traído e me poupado de nosso encontro s****l sem dúvida decepcionante. Ele poderia desapontar outras garotas o quanto quisesse, por tudo que me importava. Apesar disso, adormeci com o coração pesado e as bochechas manchadas de lágrimas naquela noite.
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