Ceifador Narrando Saí da casa da minha vó ainda com aquele clima bom grudado em mim, mas quando virei pra minha antiga casa, já senti o peso mudar. Era outra energia. Outra história. Cheguei lá e os vapores já tavam no portão. Assim que me viram, ficaram meio sem jeito, trocando olhar. — Fala — falei direto, já descendo da moto. Um deles coçou a cabeça. — Chefe, a Iara saiu cedo. — Saiu? — Saiu, levando umas caixas. Meu maxilar travou na hora. — Caixas de quê? — Umas coisas dela, e mais umas paradas lá de dentro. Respirei fundo, tentando não explodir ali mesmo. Entrei na casa direto, olhando tudo com atenção. Pra minha surpresa, minhas coisas principais ainda tavam lá. TV, geladeira, cama, tudo no lugar. Bagunçado, usado, mas ali. Passei a mão na cabeça, soltando o ar devagar

