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O Pagamento do Dono do Morro - Vendida pela Madrasta

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intro-logo
Blurb

Eloá achava que já tinha perdido tudo quando o pai morreu. Mas ela estava errada.Afogada em dívidas que não eram suas, vivendo sob o teto de uma madrasta que é uma verdadeira megera, Eloá descobre da pior forma que seu nome virou moeda de troca em um acordo sujo. Uma dívida antiga. Um valor alto demais. E uma única forma de pagamento.Ceifador. O homem que manda no morro. Frio, temido, intocável. Um rei coroado pelo medo e pela lealdade dos seus. Ele não pede duas vezes. Não negocia. Não esquece. E o pior, Eloá não o conhece. Só de ouvir falar.Quando a madrasta fecha o acordo pelas suas costas, Eloá é entregue diretamente nas mãos do temido Ceifador, para quitar o que seu pai deixou para trás. Ela esperava encontrar um monstro.Ceifador esperava apenas receber o que lhe era devido.Como parte do acordo, Eloá é obrigada a cumprir visitas íntimas a ele, encontros impostos, marcados pela tensão, pelo silêncio carregado e por uma proximidade perigosa demais. O que começa como uma cobrança fria e calculada se transforma em algo que nenhum dos dois previu.No meio de um jogo de poder, orgulho e desejo proibido, as barreiras começam a ruir.Ela era o pagamento. Ele, a cobrança.Mas algumas dívidas não se quitam. Elas se transformam.Entre ameaças, olhares que queimam mais do que deveriam e sentimentos que nascem onde só deveria existir frieza, Eloá descobre que o homem mais perigoso pode ser também o único capaz de protegê-la.E Ceifador percebe que, pela primeira vez, a dívida que mandou cobrar pode custar caro demais, porque ele está se apaixonando loucamente pela mulher que deveria ser apenas parte de um acordo.

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01 - Eloá
Olá Meus amores, mais uma história começando. QUER FICAR POR DENTRO DE TUDO? Fotos dos personagens, spoiler e falar diretamente comigo? Na bio do meu Instägram @autora.viihfelix tem o link do grupo de leitoras e no grupo tem os meus números. fiquem a vontade e é só me chamar. BOA LEITURA AMORAS ❤️ Eloá Narrando Eu nasci no mesmo dia em que minha mãe morreu. Essa é a primeira coisa que as pessoas dizem quando falam de mim. Nunca é Eloá é inteligente ou Eloá é forte. É sempre: — Foi no parto, que a mãe dela morreu. — Coitada, nem chegou a conhecer a mãe. Eu cresci ouvindo isso como se fosse uma sentença cravada na minha testa. Como se minha primeira respiração tivesse sido roubada da última dela. Eu nunca consegui aceitar. Na minha cabeça de criança, era simples demais: para eu viver, ela teve que morrer. E por mais que meu pai dissesse que não era culpa minha, que complicações acontecem, que Deus sabe o que faz, eu sempre senti que cheguei ao mundo devendo. E talvez tenha sido por isso que eu aceitei tanta coisa calada. Meu pai era tudo que eu tinha. Trabalhava o dia inteiro, voltava cansado, mas ainda fazia questão de jantar comigo. Ele penteava meu cabelo torto, queimava arroz tentando cozinhar e dizia que um dia tudo ia melhorar. Quando eu fiz nove anos, ele apareceu em casa com um sorriso diferente. — Eloá, filha, eu conheci alguém. O nome dela é Filipa. Eu lembro do primeiro dia que ela entrou na nossa casa. Perfume forte demais. Salto alto demais. Sorriso doce demais. — Você deve ser a Eloá — ela disse, se abaixando na minha frente. — Que menina linda. Ela segurou meu queixo com os dedos finos e apertou levemente, como se estivesse testando minha pele. Naquela época, eu ainda não sabia reconhecer veneno disfarçado de açúcar. Eles se casaram rápido. Rápido demais. No começo, Filipa era perfeita na frente do meu pai. Cozinhava, limpava, me abraçava na frente dele. — Eloá, meu amor, pega um copo d’água pra titia Filipa? Titia. Eu odiava quando ela se chamava assim. Mas bastava meu pai sair para o trabalho que a máscara caía como um pano velho. — Anda logo, garota inútil. Vai lavar aquele banheiro. Tá fedendo. Eu tinha nove anos. Nove. — Mas eu tenho tarefa da escola. — E eu tenho cara de professora? — ela retrucava, jogando o pano na minha direção. — Se seu pai perguntar, você fez porque quis ajudar. Entendeu? Eu entendia. Ela nunca me batia onde dava para ver. Aprendeu isso rápido. Mas as palavras dela me machucavam mais. — Sua mãe morreu pra você nascer. Já parou pra pensar nisso? — ela sussurrava perto do meu ouvido. — Nem ela te quis, preferiu morrer. Eu acreditava. Meu pai nunca percebeu nada. Ou talvez não quisesse perceber. Ele estava feliz por não estar mais sozinho. E eu tinha medo de destruir aquilo. Os anos passaram e eu aprendi a andar na ponta dos pés dentro da minha própria casa. Quando eu tinha quinze anos, Filipa ficou doente. Foi de repente. Uma infecção grave. Internação. Tubos. Médicos falando baixo no corredor. Meu pai quase enlouqueceu. Dormia na cadeira do hospital, segurava a mão dela, chorava escondido. Eu fiquei dividida entre culpa e algo que eu não queria admitir: esperança. Mas ela não morreu. Ela voltou. E voltou pior. Fria. Amarga. Crüel. — Eu quase morri por causa das coisas mäl feitas, que você faz. Quase me matou. — ela dizia. — Se eu tiver uma recaída, a culpa vai ser sua. Meses depois, os filhos dela vieram morar conosco. Dois adolescentes folgados, que me olhavam como se eu fosse invisível. A casa que já não parecia minha virou território inimigo. Quando meu pai não estava, eu era empregada. — Eloá, lava minha roupa. — Eloá, faz meu almoço. — Eloá, limpa meu quarto. Se eu demorasse, Filipa aparecia na porta. — Quer que eu conte pro seu pai que você anda me desrespeitando? Mas quando ele chegava. — Eloá, meu amor, você pode lavar a louça pra mim? Estou tão cansada hoje. A voz doce. O olhar de vítima. E eu fazia. Sempre fazia. Meu pai sorria, orgulhoso. — Minha filha é um anjo. Sempre ajudando. Anjo. Se ele soubesse. Eu tinha dezessete anos quando a ligação chegou. Eu estava no quarto, estudando, tentando manter a única parte da minha vida que ainda parecia minha: a escola. Filipa atendeu o telefone na sala. Silêncio. Depois um grito ensaiado demais. — O quê? Não… isso não… Eu saí correndo. — O que aconteceu? Ela virou para mim com lágrimas que não molhavam nada. — Foi seu pai, acidente na estrada, o caminhão… Eu senti minhas pernas cederem. — Ele tá no hospital? A gente precisa ir! Ela respirou fundo, dramaticamente. — Ele não resistiu. O mundo ficou mudo. Não teve som. Não teve ar. Não teve chão. Eu perdi meu pai antes mesmo de conseguir me despedir. No enterro, Filipa chorou alto. Abraçava as pessoas. Repetia que tinha perdido o amor da vida dela. Eu fiquei parada. Vazia. Enterraram a única pessoa que já me amou de verdade. E foi ali que tudo desandou de vez. Na primeira semana após o enterro, Filipa ainda fingiu normalidade. Na segunda, começou a mostrar as cartas. — Essa casa está no meu nome também — ela disse, sentada na cadeira que era do meu pai. — E você não passa de um peso. — Eu sou filha do homem que comprou essa casa. — respondi, com a voz tremendo. Ela riu. — Era. Naquela noite, ouvi ela conversando ao telefone. — A menina já tem dezessete, bonita, pode render bem. Render. Meu estômago revirou. Dias depois, ela entrou no meu quarto sem bater. — Arruma suas coisas. — Pra quê? Ela cruzou os braços. — Você vai ajudar a pagar umas dívidas. Meu sangue gelou. — Que dívidas? Ela se aproximou, o sorriso torto. — O dono do morro tá cobrando uma dívida do seu pai, e você é a filha e tem que pagar. Meu coração começou a bater tão forte que doía. — Eu não sou moeda de troca! Ela segurou meu braço com força. — Você é exatamente isso. Sempre foi um peso. Agora vai servir pra alguma coisa. — Meu pai nunca permitiria isso! Os olhos dela ficaram escuros. — Seu pai está morto, Eloá. Silêncio. Pesado. Sufocante. — Você tem até amanhã para se despedir dessa casa. Eu fiquei sozinha no quarto, olhando as paredes que guardavam as únicas memórias boas da minha vida. Eu nasci devendo. Cresci sendo culpada. Virei invisível dentro da minha própria casa. E agora estava sendo vendida como pagamento. Mas enquanto as lágrimas escorriam, uma coisa queimava no meu peito. Eu podia ter perdido tudo. Menos a minha dignidade. E se o dono do morro achava que estava comprando uma garota quebrada. Ele estava prestes a descobrir que não sou o que ele imagina.

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