CAPÍTULO 19 — CECÍLIA NARRANDO Eu não consegui respirar direito depois que Gregório me contou que o homem enviado pelo meu pai tinha entrado na Maré. Foi como se todo o ar da varanda tivesse desaparecido de uma vez. Minhas mãos ficaram frias, meu coração disparou e, por alguns segundos, tudo que consegui pensar foi na possibilidade de meu pai aparecer diante daquela casa e me levar de volta. Eu conhecia aquele homem. Conhecia o jeito como ele pensava, a influência que tinha, os contatos que possuía e, principalmente, conhecia o quanto ele odiava perder o controle. Eu tinha fugido sem pedir autorização. Tinha desobedecido pela primeira vez em vinte anos. E agora ele sabia exatamente onde eu estava. Olhei para Gregório tentando encontrar alguma resposta no rosto dele, mas, como sempre, ele

