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A ESCOLHIDA DO COMPLEXO DA MARÉ

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Blurb

Meu nome é Cecília. Tenho vinte anos e, até pouco tempo atrás, acreditava que sabia exatamente como seria o meu futuro.

Eu nasci em uma família rica da Zona Sul do Rio de Janeiro. Sempre tive tudo o que o dinheiro podia comprar.Uma casa enorme. Roupas caras.Carro.Faculdade particular. Uma vida que, aos olhos de qualquer pessoa, parecia perfeita.

Mas ninguém sabia o que acontecia quando as portas da minha casa se fechavam.

Meu pai é um homem poderoso, influente e respeitado por muita gente.Dentro de casa, porém, ele é outra pessoa. O álcool transforma o homem que todos admiram em alguém que eu aprendi a temer. Eu cresci vendo minha mãe apanhar. E algumas vezes, quando tentei defendê-la, fui eu quem acabou apanhando. Minha mãe sempre tentou me proteger. Talvez por isso eu tenha passado tantos anos acreditando que precisava suportar tudo em silêncio. Aos vinte anos, eu nunca tive um namorado. Nunca vivi um amor. Nunca fui a uma festa escondida. Nunca tive liberdade para fazer escolhas. Meu pai controlava tudo.Inclusive meu futuro.Eu já tinha um marido escolhido antes mesmo de conhecer o homem. O nome dele é Fernando. Ele mora na Flórida e deveria voltar ao Brasil para se casar comigo. Eu não o conhecia. Não o amava.

Na verdade, eu nem sabia se conseguiria olhar para ele e dizer que queria aquele casamento. Mas meu pai não queria saber o que eu sentia.Para ele, eu era apenas uma peça importante em um acordo que fortaleceria seu poder político.

Até que uma noite eu vi minha mãe sendo agredida novamente. E, pela primeira vez na minha vida, eu não consegui ficar quieta.Eu enfrentei meu pai. E naquele momento percebi que, se permanecesse naquela casa, talvez nunca tivesse a chance de descobrir quem eu realmente era. Então fiz a única coisa que jamais imaginei ter coragem de fazer.Eu fugi. Não tinha um plano.Não tinha para onde ir. Não tinha amigos para pedir ajuda. Eu só sabia que precisava ficar longe daquela casa. Acabei escondida na faculdade, tentando descobrir o que faria da minha vida quando uma garota que estudava comigo percebeu que havia alguma coisa errada. O nome dela é Gabi. Ela me ofereceu ajuda. E eu aceitei. O que eu não sabia era que aceitar a ajuda dela significava entrar em um mundo completamente diferente do meu.

Porque Gabi não morava na Zona Sul. Ela morava no Complexo da Maré. E ela não era apenas uma garota comum. Era irmã de Gregório. O homem que todos chamavam de Grego.

O dono do morro. O homem que eu deveria ter medo. E eu tive. Na primeira vez que o vi, tive certeza de que tinha cometido o maior erro da minha vida. Ele era exatamente o tipo de homem do qual meu pai sempre tentou me manter afastada. Moreno. Musculoso. Cheio de tatuagens. Frio. Imponente. Um olhar capaz de fazer qualquer pessoa abaixar a cabeça.Grego não estava acostumado a receber um “não”. Eu, por outro lado, m*l conseguia falar quando ele estava perto. Ele queria saber quem eu era.De onde eu tinha vindo. Por que estava escondida na casa dele. E eu tinha medo de contar a verdade. Porque quanto mais Gregório descobrisse sobre mim, maiores seriam as chances de ele me mandar embora. Só que alguma coisa aconteceu entre nós. Algo que eu não consigo explicar. No começo, ele era apenas o homem que me assustava. Depois, começou a ser o homem que me protegia. O homem que percebia quando eu estava triste. O homem que aparecia quando eu precisava. O homem que, mesmo sem dizer uma única palavra carinhosa, fazia meu coração bater mais rápido. E foi aí que tudo ficou complicado. Porque eu comecei a enxergar o homem por trás do perigo. Descobri que Gregório carregava suas próprias cicatrizes. Que por trás daquele jeito frio existia um homem que havia aprendido a não confiar em ninguém. E descobri também que ele tinha jurado nunca mais amar uma mulher. O problema? Eu estava começando a me apaixonar por ele. Justamente por ele. O homem que eu deveria evitar. O homem que vive em um mundo completamente diferente do meu. O homem que pode colocar minha vida em perigo. E talvez eu seja a única pessoa capaz de fazê-lo perder o controle. Mas meu passado não ficou para trás quando fugi. Meu pai ainda está procurando por mim.

Fernando ainda é o homem que minha família escolheu para ser meu marido.E quando eles descobrirem onde estou, Gregório terá que escolher entre me entregar ou enfrentar uma guerra por minha causa.

Eu só não sei se estou preparada para descobrir até onde esse homem está disposto a ir por mim.Porque eu fugi de uma vida em que todos decidiam meu destino.

E, no meio do lugar mais improvável que eu poderia imaginar, encontrei um homem que despertou em mim sentimentos que eu nunca conheci.

Eu fui para a Maré tentando escapar de um casamento.Não imaginava que encontraria meu primeiro amor.

E muito menos que o homem que todos temem…seria o homem que faria meu coração se sentir seguro pela primeira vez.Meu nome é Cecília.Essa é a história de como eu fugi de uma prisão de luxo e encontrei minha liberdade nos olhos do dono do Complexo da Maré. ❤️‍🔥

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CAPÍTULO 1 — CECÍLIA NARRANDO Acordei antes mesmo do despertador tocar, como acontecia praticamente todos os dias. Fiquei alguns segundos olhando para o teto branco do meu quarto, tentando lembrar por que meu coração parecia apertado antes mesmo de eu colocar os pés no chão. Meu quarto era enorme, bonito demais para uma pessoa que quase nunca tinha alguém ali dentro. As paredes claras, os móveis planejados, a cama grande com lençóis macios, o closet que ocupava praticamente uma parede inteira e a varanda com vista para uma parte privilegiada da Zona Sul. Tudo tinha sido escolhido por alguém. Até os detalhes que eu gostava de pensar que eram meus, provavelmente tinham passado pela aprovação do meu pai. Eu tinha vinte anos e, teoricamente, uma vida perfeita. Pelo menos era isso que as pessoas enxergavam. Eu morava em uma mansão, estudava em uma das melhores faculdades particulares do Rio de Janeiro, tinha roupas que algumas garotas passariam meses juntando dinheiro para comprar, um motorista à minha disposição e nunca precisei me preocupar com contas ou com o preço de uma refeição. Só havia um pequeno detalhe que ninguém enxergava. Eu não era livre. Estendi a mão e desliguei o despertador antes que ele tocasse. Sentei-me na cama e passei os dedos pelos meus cabelos pretos, longos e completamente lisos, deixando-os cair sobre meus ombros. Caminhei até o espelho enorme que ficava ao lado do closet e encarei meu próprio reflexo. Meus olhos verdes pareciam ainda mais claros por causa da luz fraca da manhã. Eu tinha um corpo que muitas garotas diziam ser bonito quando, eventualmente, faziam algum comentário na faculdade. Cintura fina, quadris marcados, pernas grossas, s***s que eu sempre tentava esconder em roupas mais discretas. Eu sabia que era bonita. Não era convencimento. Era apenas consciência. Mas beleza nunca tinha me servido para muita coisa. Na minha casa, quanto mais eu chamasse atenção, mais meu pai dizia que eu precisava tomar cuidado. “Homem não presta.” “Homem só quer uma coisa.” “Você não vai se envolver com ninguém.” “Eu sei o que é melhor para você.” Eu tinha ouvido aquelas frases tantas vezes que elas pareciam fazer parte da decoração da casa. Abri o closet e passei os olhos pelas roupas. Escolhi uma calça jeans clara, uma blusa de tecido delicado e um cardigan fino. Nada curto. Nada decotado. Nada que pudesse provocar uma discussão antes mesmo do café da manhã. Prendi parte do cabelo e coloquei uma pequena bolsa no ombro. Antes de sair do quarto, olhei para o celular. Nenhuma mensagem. Por alguns segundos, senti uma esperança estranha de que aquele dia pudesse ser diferente. Eu não sabia exatamente diferente como. Talvez fosse isso que mais me incomodava. Eu nem sequer sabia o que queria da minha própria vida. Desci as escadas e encontrei minha mãe na sala de jantar. Ela estava sentada à mesa, segurando uma xícara de café com as duas mãos. Quando me viu, abriu um sorriso. — Bom dia, meu amor. — Bom dia, mãe. — Dormiu bem? — Dormi. E a senhora? Ela hesitou por um instante antes de responder. — Também. Eu sabia que era mentira. Minha mãe sempre mentia quando eu perguntava se estava bem. Talvez tivesse aprendido a fazer isso para me proteger. Talvez eu tivesse aprendido com ela. Aproximei-me e beijei sua testa. — Você está linda hoje. Ela sorriu. — Você sempre fala isso. — Porque é verdade. Minha mãe tinha uma beleza delicada. Era uma mulher elegante, sempre bem vestida, sempre tentando esconder as marcas de uma vida que não era tão perfeita quanto parecia. Peguei uma fatia de pão e me sentei ao lado dela. A mesa estava cheia. Frutas cortadas, pães, sucos, ovos, queijos, café. Eu poderia escolher qualquer coisa. Naquela casa, nunca faltava nada material. O que faltava era liberdade. — Seu pai já desceu? Minha mãe abaixou os olhos para a xícara. — Ainda não. Meu corpo relaxou um pouco. Quando meu pai estava presente, até o jeito de mastigar parecia precisar de cuidado. Escutei passos no corredor alguns minutos depois e imediatamente senti minha postura mudar. Era automático. Meu pai entrou na sala usando uma camisa social clara, calça impecavelmente passada e o relógio caro no pulso. Ele nem olhou direito para minha mãe. Seus olhos foram diretamente para mim. — Bom dia. — Bom dia, pai. — Vai para a faculdade? — Sim. Ele puxou a cadeira em frente à minha e se sentou. — Que horas termina? — Quatro horas. — E depois? — Vou estudar um pouco na biblioteca. Ele me encarou. — Até que horas? — Talvez umas seis. — Talvez? Engoli em seco. — Até seis. — E depois vem direto para casa. Não era uma pergunta. — Sim. — Quem vai estar com você? — Ninguém. — Ninguém? — Eu vou estudar sozinha. Ele apoiou os braços sobre a mesa. — Você não tem amigas naquela faculdade? — Tenho colegas. — Não perguntei isso. Perguntei se tem amigas. Balancei a cabeça negativamente. — Não tenho nenhuma amiga próxima. Ele pareceu satisfeito. — Melhor assim. Minha mãe levantou os olhos para ele, mas não disse nada. Eu continuei comendo, tentando fingir que aquela conversa era normal. Meu pai olhou para minha roupa. Demorou alguns segundos. — Essa blusa é nova? — Não. — Está muito justa. Olhei para mim mesma. Não estava. — Não está, pai. O olhar dele endureceu. — Eu disse que está. — Desculpa. Minha mãe apertou a xícara. — Ela está indo para a faculdade, não para uma festa. Meu pai virou lentamente o rosto para ela. — Eu não pedi sua opinião. O silêncio que caiu sobre a mesa foi imediato. Minha mãe abaixou os olhos. Eu senti meu peito apertar. Era sempre assim. Pequenas frases. Pequenos gestos. Pequenas ameaças escondidas em coisas que, para quem olhasse de fora, poderiam parecer apenas uma discussão de casal. Mas eu conhecia aquele tom. Sabia o que vinha depois quando ele estava irritado e tinha bebido. Meu pai pegou o celular. — Seu motorista está esperando. — Certo. Levantei-me. — Cecília. Parei. — Sim? — Depois da faculdade, venha direto para casa. Precisamos conversar. Meu estômago se contraiu. — Sobre o quê? Ele me encarou por alguns segundos. — Você sabe. Eu não sabia. Ou talvez soubesse e não quisesse admitir. — Não, pai. — Sobre Fernando. Meu coração afundou. Fernando. O nome que eu tentava não pensar. O homem que eu deveria chamar de meu futuro marido mesmo sem nunca ter olhado nos olhos dele. Meu pai voltou a olhar para o celular como se tivesse encerrado a conversa. — Vá estudar. Peguei minha bolsa. — Tchau, mãe. — Tchau, meu amor. Ela se levantou e veio até mim. Me abraçou forte. Senti o perfume dela e fechei os olhos por alguns segundos. — Se cuida — ela sussurrou. — Sempre. Quando me afastei, percebi algo no rosto dela. Uma preocupação silenciosa. Eu queria perguntar se ela estava bem. Queria perguntar se tinha acontecido alguma coisa durante a madrugada. Mas meu pai ainda estava ali. Então apenas beijei sua bochecha e saí. O carro já me esperava na frente da mansão. Entrei no banco traseiro e, assim que o motorista começou a dirigir, encostei a cabeça no vidro. O Rio passava diante dos meus olhos. Pessoas caminhando. Mulheres com roupas que eu jamais teria coragem de usar. Casais de mãos dadas. Garotas rindo enquanto caminhavam para o trabalho. Um grupo de amigas tirando fotos. Um homem parou para beijar uma mulher na calçada e ela sorriu. Fiquei olhando para aquela cena por alguns segundos. Eu nunca tinha vivido aquilo. Nunca tinha segurado a mão de um homem. Nunca tinha beijado alguém por vontade própria. Nunca tinha sentido aquele frio na barriga que minhas colegas descreviam quando falavam de seus namorados. Eu era virgem. E não tinha vergonha disso. Só não sabia se aquilo tinha sido uma escolha minha. Talvez fosse a parte mais dolorosa. Eu nunca tinha tido a oportunidade de escolher. Cheguei à faculdade pouco depois. Assim que atravessei os portões, senti meu corpo respirar diferente. Era estranho. A faculdade era o único lugar onde eu conseguia fingir que era uma garota normal. Ali ninguém me chamava de filha de alguém. Ninguém me perguntava onde eu estava indo a cada cinco minutos. Eu podia caminhar sozinha pelos corredores. Podia escolher onde sentar. Podia passar alguns minutos na biblioteca sem alguém me perguntar por que eu estava demorando. E foi ali que vi Gabi. Ela estava encostada perto de uma das colunas, segurando um copo de café e mexendo no celular. Quando me viu, abriu um sorriso. — Cecília! Olhei para trás, achando que ela estava chamando outra pessoa. — Eu? — É, você mesma! Ela riu. — A gente é da mesma turma, lembra? Sorri sem graça. — Lembro. — Você sempre chega sozinha. — Eu venho de carro. Ela franziu a testa. — Eu sei. Não foi isso que eu quis dizer. Eu quis dizer que você sempre fica sozinha. Não soube o que responder. Gabi se aproximou. — Você não gosta de ninguém daqui? — Não é isso. — Então você é tímida? — Talvez. Ela riu. — Talvez é resposta de gente tímida. Não consegui segurar o sorriso. Gabi apontou para o café que eu carregava. — Você vai ficar aqui? — Vou para a sala. — Então vamos juntas. Caminhamos lado a lado. Gabi falava bastante. Falava de professores, provas, trabalhos, festas, músicas e até de um baile que aconteceria naquele fim de semana. Eu apenas escutava. — Você gosta de funk? — perguntou de repente. — Eu? — É. — Não sei. Ela parou de andar. — Como assim não sabe? — Eu nunca fui a um baile. Gabi arregalou os olhos. — Nunca? Balancei a cabeça. — Nunca. — Cecília, pelo amor de Deus. Você tem vinte anos! — Eu sei. — Você nunca saiu para dançar? — Não. — Nunca foi a uma festa com amigas? — Não. Ela me encarou durante alguns segundos. Dessa vez não riu. — Você vive presa, né? A pergunta me atingiu de um jeito que eu não esperava. Olhei para o chão. — Não exatamente. — Exatamente como? — Eu só tenho uma rotina mais… tranquila. Gabi pareceu perceber que eu não queria falar sobre aquilo. Então voltou a sorrir. — Tudo bem. Um dia eu te arrasto para um baile. — Não sei se meu pai permitiria. — Você precisa parar de falar “meu pai permitiria”. Ela disse aquilo brincando, mas meu sorriso desapareceu. Gabi percebeu. — Desculpa. — Não tem problema. Entramos na sala e ela se sentou ao meu lado. Durante a aula, eu tentei prestar atenção, mas minha cabeça insistia em voltar para a conversa do café da manhã. Fernando. Meu pai queria conversar sobre Fernando. Eu não sabia quase nada sobre aquele homem. Sabia que tinha vinte e poucos anos, que morava nos Estados Unidos, que vinha de uma família conhecida e que o casamento seria importante para os negócios e para a influência política do meu pai. Era isso. Eu estava prestes a me casar com um desconhecido porque meu pai tinha decidido que aquele era o meu destino. Quando a aula terminou, Gabi me chamou para almoçar com ela. Recusei porque meu motorista já estava esperando. — Amanhã você almoça comigo — ela disse. — Não é pergunta. Eu ri. — Está bem. — Promete? — Prometo. Foi a primeira promessa que fiz naquele dia que não me deu vontade de chorar. Entrei no carro e, durante todo o caminho de volta para casa, fiquei olhando pela janela. Quando chegamos, minha mãe estava na sala. Sorri ao vê-la. — Mãe. Ela veio até mim e segurou minhas mãos. — Como foi a faculdade? — Bem. Conheci melhor uma menina da minha turma. O sorriso dela foi verdadeiro. — Fico feliz por você. — Ela é divertida. — Então mantenha essa amizade. Eu queria dizer que tentaria. Mas antes que pudesse responder, meu celular vibrou. Olhei para a tela. Era uma mensagem do meu pai. “Hoje vamos conversar sobre o casamento.” Fiquei parada. Li uma vez. Depois outra. Meu coração começou a bater mais rápido. Minha mãe percebeu. — O que aconteceu? Entreguei o celular para ela. Quando leu, seu rosto mudou. — Cecília… — Eu não quero me casar com ele. Minha voz saiu baixa. — Eu nem conheço esse homem. Minha mãe apertou minha mão. — Eu sei. — Então por que ninguém faz nada? Ela ficou em silêncio. E naquele silêncio eu encontrei a resposta. Porque ninguém fazia nada. Porque meu pai era poderoso demais. Porque todos tinham medo dele. Porque naquela casa as decisões dele eram tratadas como leis. Subi para o meu quarto e fechei a porta. Caminhei até a varanda e fiquei olhando para o Rio de Janeiro lá embaixo. Milhares de pessoas viviam suas próprias histórias naquele instante. Algumas estavam apaixonadas. Algumas estavam brigando. Algumas estavam começando uma nova vida. E eu estava ali, dentro de uma mansão linda, esperando que meu pai decidisse com quem eu passaria o resto da minha vida. Encostei as mãos no parapeito e respirei fundo. Eu ainda não sabia, mas naquele momento uma pergunta começou a nascer dentro de mim. Pela primeira vez, eu me perguntei como seria viver sem pedir permissão para existir. E, pela primeira vez, tive medo de descobrir que talvez eu nunca tivesse sido realmente dona da minha própria vida.

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