Ash dirigia o carro com sua pose lânguida e seus óculos escuros, manuseava o volante como se estivesse indo fazer compras. Nem parecia estávamos indo direto para a boca do lobo, não ainda, era só o começo.
Eu me sentia como uma vítima da máfia vendo o cimento endurecer em volta de meus tornozelos.
Encarei a janela vendo a poeira subir naquela estrada de terra, estávamos indo literalmente para o fim do mundo. Tudo o que eu via eram urubus voando no céu e mais nada além de uma enorme nuvem de poeira.
Sinto uma mão apoiar em minha coxa repentinamente. Olho para o lado e vejo Ash com o braço esticado em minha direção com sua mão quente escorada em mim.
— Esse cabelo combinou com você. — Ele disse.
Revirei os olhos querendo abrir a porta ao seu lado e o jogar do lado de fora. Por que ele não vai atrás da Emily? Me deixe em paz. Só quero a Kim de volta.
Segurei sua mão com força e a arremessei para longe da minha perna, Ash me olhou de esguelha com um olhar enregelante. Problema dele.
— Como você está, Dylan? — Questionei.
Ele tem ficado muito abatido desde o que aconteceu. Tenho medo dele pegar uma depressão profunda e até mesmo morrer de tristeza. Eu sei o quanto ele a ama.
— Eu estaria melhor se ela estivesse aqui. — Dylan murmurou.
Vamos resgatá-la, nem que seja a última coisa que faremos nessa vida.
— Estamos quase chegando. — Noah anunciou.
Dylan me contou de como Ash, Noah e Ava tem uma rincha. Espero que isso não interfira em nada, nada pode dar errado.
— É aquele lugar alí na frente que mais parece um presídio abandonado? — Ava apontou para um muro cercado totalmente no meio do nada.
Senti uma sensação terrível ao ver aquele lugar, sinto como se aquele lugar me fosse trazer centenas de traumas.
— Bem a cara do Elijah. — Dylan comentou.
Nos aproximamos mais, o suficiente para vermos dois homens parados na frente do portão com armados com fuzis.
— Merda! — Ava xingou quando notou a presença dos homens. — Ainda dá tempo de fugir?
— Se quiser fugir vá, mas eu vou ficar. Pela Kimberly. — Ash afirmou de peito estufado quando parou o carro.
Um dos homens se aproximou do carro e olhou para dentro. Ele nos olhou como se fossemos seres de outro mundo chegando alí.
— Desçam do carro e se encostem no muro com as mãos na cabeça. — O homem ordenou.
Eu fiquei desnorteada se precisava mesmo obedecer, mas quando olhei para os bancos ao meu lado eu já estava sozinha e todos os outros encostados no muro com as mãos na cabeça.
Desci lentamente com a mão na cabeça e encostei no muro como o homem mandou.
— Permaneçam aí, até eu mandar saírem. — O homem questionou enquanto o outro ficou no portão. — Por que estão aqui?
— Viemos fazer o treinamento. — Noah disse.
O homem saiu caminhando de um lado para outro, de repente ouvi uma pancada e o gemido de dor do Noah. O homem bateu nele com o fuzil.
— Noah! — Ava gritou tentando ir até Noah mas o homem a ameaçou com o olhar.
— Isso é só o começo. Se prepara. — Ele avisou. — Esperem, daqui a pouco serão revistados e serão encaminhados para seus quartos.
Meu corpo estava tremendo e minha respiração acelerando cada vez mais, eu achei que fosse morrer. Encaro o chão enquanto meu corpo inteiro está dormente e paralisado.
— Kira. Não me olhe, apenas escute. — Ash que estava ao meu lado sussurrou. — Quanto mais você demonstrar medo, mais as coisas irão dar errado. Empine o nariz apesar de qualquer coisa, ergue a cabeça e mostre que você é corajosa e não tem medo, mesmo que seja mentira.
Olhei de soslaio para Ash que encarava a parede cheio de marra. Respirei fundo e ergui a cabeça junto com ele.
De repente, chegou uma mulher apalpando um por um. Braços, pernas, quadris, sapatos, virilha e genitais. Acho que na minha vez até meus s***s ela apalpou.
— Muito bem. Façam uma fila indiana e entrem. — A mulher ordenou e seguimos para dentro.
Caminhamos para dentro do local. Fiquei assustada por ser um local aberto, mas quando digo aberto quero dizer que o local é aberto para vermos a vista de fora mas não para sairmos.
Em volta possuem cercas elétricas em algumas partes. Haviam salas grandes, portas esquisitas, mais muros. Tudo alí era esquisito.
— Tudo isso o Elijah construiu sozinho? Onde ele conseguiu tanto dinheiro? E como mesmo depois de morto isso aqui ainda continua funcionando? — Ava murmurava.
— Os líderes das comunidades vizinhas devem ajudar, já que o treino é para eles também. — Noah respondeu. — Provavelmente ele não foi o único dono.
— Mas qual a lógica dele? Ele ajudaria as comunidades vizinhas a ficarem fortes para invadir a comunidade dele depois?
— Talvez fosse o contrário, ele ajudava em troca de não invadirem a comunidade dele. — Noah respondeu sussurrando para Ava.
— Calem a boca e me sigam. — A mulher repreendeu o casal.
Ela é uma mulher m*l encarada, alta, forte, cabelo preto liso em um r**o de cavalo.
Haviam homens armados em todas as partes. O lugar era enorme.
A mulher nos conduziu até uma porta, ela a abriu e nos mandou entrar. Quando entramos, notei em volta inúmeras camas ocupadas por pessoas que eu nunca havia visto na minha vida.
— Com vocês fecham 300 treineiros, tem camas suficientes. Procurem camas para vocês e aguardem o teste classificatório. — A mulher ordenou e caminhamos em busca de camas.
Ganhamos uma roupa com nosso nome e um número. Uma calça larga nude, uma camisa branca, um casaco nude da mesma cor da calça, e sapatos brancos
Foi uma pena deixar minha camisa branca, calça jeans rasgada, botas e jaqueta de couro preta lá em um saco saco zip lock.
Não tinham camas do lado da outra, e as que estavam desocupadas sempre vinha alguém com o peito estufado mandando nos afastar porque já estava ocupada. O problema era que a pessoa nem estava deitada especificamente naquela cama, o que quer dizer que só não queria nos deixar deitar.
Noah se aproximou de uma cama que não havia ninguém deitado, muito bem arrumada. Aparentemente não havia sido ocupada a séculos, ele se aproximou e sentou nela.
— Vaza daí sua p*****a, essa aí já está ocupada. — Um homem barbudo dos ombros largos uns dois centímetros mais alto que Noah apareceu com o peito estufado em sua frente.
— Chamou ele do que? — Ash se aproximou dele e o empurrou fazendo ele dá alguns passos para trás.
No mesmo instante surgiram uns 10 homens atrás do barbudo encarando Ash com o olhar frio e arrepiante. Meu coração errou as batidas. Onde que eu fui me meter senhor.
Ash deu alguns passos para trás encarando os homens receoso, eu nunca havia visto ele baixar a guarda dessa forma.
Ava se aproximou de Ash e o puxou para perto de nós encarando o barbudo que ainda olhava para ele de uma força ameaçadora.
— Não vamos esquentar com isso ainda. — Ava sussurrou. — Depois daremos uma lição nesses idiotas e poderemos ficar com todas as camas que quisermos.
— Eu durmo no chão, não tem problema. — Noah sussurrou de volta.
— Não! Dorme na minha cama comigo, ou eu posso dormir no chão. Eu já estou acostumada, dormi sempre no chão lá na casa da minha mãe. Lembra? — Ava segurou o rosto de Noah em suas mãos e depositou um beijo em seus lábios.
Lentamente os homens se afastaram e eu consegui respirar melhor.
Do outro lado da parede, Ava sentou na sua cama com Noah e falou coisas tranquilizadoras para ele. Na cama do meu lado estava Dylan deitado na sua cama encarando o teto, ele nem ao menos se moveu para ajudar Noah. Não posso falar nada pois também não levantei, não é como se eu fosse ajudar.
Umas duas camas depois da minha estava Ash, sentado na beira da cama com os cotovelos apoiados no joelho encarando o chão.
Apesar de estar com raiva dele, me aproximei. Sentei do seu lado, ele nem se moveu.
— Como você está? — Questionei.
— Igual. — Ele respondeu sem muita simpatia ou interesse de conversar.
O deixei lá sozinho com seus pensamentos e deitei na minha cama. Dylan estava enrolado agora, e virado para o outro lado.