A segunda-feira se arrasta até a noite, envolvendo minha casa em uma sombra pesada de desespero. Ao chegar da rua após mais um exaustivo dia de trabalho como garçonete, sinto o peso da fadiga se acumulando em meus ombros já cansados. Atravesso a porta com passos pesados, a atmosfera carregada no ar me envolvendo como um manto sombrio.
Meu olhar cai sobre os papéis amontoados sobre a mesa, uma pilha de contas não pagas e cartas de cobrança, como uma montanha de desespero que ameaça nos engolir por inteiro. Meu pai está tenso, as olheiras profundas e o semblante abatido revelando a batalha silenciosa que ele enfrenta contra as dívidas que parecem crescer a cada dia. Seus ombros curvados sob o peso do fardo financeiro que ele não consegue suportar sozinho.
Eu observo com um aperto no peito, consciente de que a situação da nossa família está se deteriorando rapidamente. A tensão no ar é palpável, como uma corda esticada até o limite, pronta para se romper a qualquer momento. E eu, impotente diante da avalanche de problemas que nos assola, me sinto como se estivesse afundando em um abismo sem fim.
Os meus passos ecoam pelo ambiente, mas parece que mesmo o silêncio ao meu redor está carregado de angústia e preocupação. Enquanto observo meu pai enfrentar a pilha de papéis, sinto uma mistura de tristeza e determinação se agitar dentro de mim.
— Pai... — murmuro, minha voz falhando diante da magnitude dos problemas que nos cercam.
Ele ergue os olhos cansados para me olhar, um lampejo de tristeza refletindo em seu olhar.
— Mariana, eu... Eu estou tentando, mas parece que nunca é o suficiente... — ele confessa, a voz embargada pela frustração.
Eu me aproximo lentamente, deslizando minha mão sobre seu ombro em um gesto de conforto silencioso. Mas por dentro, sinto o peso esmagador da responsabilidade sobre meus próprios ombros, a necessidade desesperada de encontrar uma solução para os problemas que ameaçam nos engolir vivos
Meu pai abaixa a cabeça, a vergonha pintando suas feições cansadas enquanto ele murmura:
— Sinto muito, filha... As dívidas hospitalares da sua mãe... Elas acabaram com a gente. Eu... Eu não tive outra escolha.
Uma onda de compaixão misturada com frustração me invade enquanto o escuto. As lágrimas ameaçam brotar dos meus olhos, mas eu me forço a ficar forte, pelo menos por enquanto.
— O que está acontecendo, pai? O que você fez? Você... Você está alucinado por tanto álcool? — questiono, a voz trêmula de emoção contida.
A companhia toca e meu pai se apressa para atender, seu semblante tenso revelando a urgência de encontrar uma solução para nossos problemas. O coração aperta dentro do meu peito enquanto observo a cena se desenrolar diante dos meus olhos, temendo o que pode vir a seguir.
O toque insistente da campainha irrompeu no silêncio pesado da sala, arrancando-me dos meus pensamentos tumultuados. Meu pai se moveu com pressa para atender, sua expressão tensa revelando a urgência de encontrar uma solução para nossos problemas financeiros. Eu me mantive onde estava, observando com uma mistura de apreensão e curiosidade enquanto ele abria a porta.
Um calafrio percorreu minha espinha quando me deparei com o homem parado do outro lado. Seus traços sombrios e o olhar penetrante me deixaram arrepiada, e sua presença na minha casa era como um aviso silencioso de perigo iminente.
— Quem é esse, pai? O que está acontecendo? — minha voz saiu trêmula, incapaz de ocultar a preocupação que se instalara em mim.
Meu pai hesitou por um momento, antes de responder com uma voz tensa:
— É apenas um amigo, filha. Precisamos conversar sobre alguns assuntos.
Os olhares nervosos que trocaram não passaram despercebidos por mim, e eu senti o peso da tensão que pairava no ar. Havia algo obscuro e sinistro nessa reunião improvável, e eu sabia que não podia ignorar as advertências silenciosas que ecoavam na minha mente.
Eu me aproximo lentamente, sentindo uma mistura de medo e curiosidade percorrer minhas veias enquanto observo a troca de olhares entre meu pai e homem. Uma sensação de inquietação se instala no fundo da minha mente, uma advertência silenciosa de que o caminho que estamos prestes a seguir pode nos levar para além do ponto sem retorno.
O silêncio tenso paira sobre nós enquanto meu pai e homem continuam sua conversa em murmúrios ansiosos. Meus olhos buscam os dele, implorando por uma explicação que ele parece incapaz de fornecer. Finalmente, ele se vira para mim, sua expressão carregada de dor e culpa.
— Mariana, eu... — ele começa, mas as palavras parecem se perder em sua garganta, engolidas pela sombra dos segredos que ele guarda.
Eu o encaro com olhos cheios de questionamentos, minha mente lutando para entender o que está acontecendo. Mas antes que eu possa dizer mais alguma coisa, o homem se volta para mim, um sorriso frio nos lábios.
— Você é Mariana? — sua voz é suave, mas há um peso sinistro por trás de suas palavras.
Eu engulo em seco, sentindo um calafrio percorrer minha espinha enquanto assinto lentamente. A tensão no ar é quase palpável, como uma tempestade prestes a desabar sobre nós a qualquer momento.
— Boa noite, senhorita Mariana. Seu pai e eu estamos apenas discutindo alguns assuntos de negócios. Nada com que você precise se preocupar.
Sinto um arrepio percorrer minha espinha ao ouvir suas palavras, um instinto primal me alertando para a verdade oculta por trás da fachada de normalidade que ele tenta projetar. Há algo de errado, algo obscuro pairando no ar, e eu temo que minha família esteja prestes a ser arrastada para um abismo do qual não há retorno.
Meu coração martelava descompassado dentro do peito, e minhas mãos tremiam ligeiramente quando finalmente encontrei coragem para falar.
— Eu sou a Mariana, e o que o senhor está fazendo aqui? Quem é o senhor? — Minha voz saiu num sussurro trêmulo, carregado de nervosismo e incredulidade diante da situação.
O homem dirigiu seu olhar sombrio na minha direção, seus olhos parecendo penetrar minha alma com uma intensidade intimidadora. Um arrepio percorreu minha espinha enquanto eu me mantinha firme, lutando para não ser dominada pelo medo que ameaçava me paralisar.
Meu pai lançou-me um olhar rápido, uma mistura de preocupação e frustração refletida em seus olhos cansados. Ele abriu a boca como se fosse dizer algo, mas então hesitou, como se estivesse lutando contra alguma batalha interna que eu não conseguia compreender.
— Mariana, por favor... Vá para o seu quarto. Isso não é assunto para você se preocupar. — sua voz soou áspera, mas contida, como se ele estivesse tentando proteger-me de algo que ele próprio não compreendia completamente.
A sensação de inquietação que me consumia só aumentava, e eu sabia que não poderia simplesmente ignorar o que estava acontecendo diante dos meus olhos. Eu precisava descobrir a verdade, custasse o que custasse.
Tem alguma Mariana lendo a história? Ou você conhece alguém com esse nome? Comenta ai, vamos ver quantas Marianas temos por aqui. E me siga na dreame e no inst4gram para acompanhar as novidades @cassescreve